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CID E59: Deficiência de selênio da dieta

E59
Deficiência de selênio da dieta

Mais informações sobre o tema:

Definição

A deficiência de selênio da dieta é uma condição nutricional caracterizada pela ingestão inadequada de selênio, um oligoelemento essencial que atua como cofator para enzimas antioxidantes, como as glutationa peroxidases e as tioredoxina redutases. Esta deficiência resulta em comprometimento da defesa antioxidante celular, levando ao estresse oxidativo e disfunção em múltiplos sistemas orgânicos, particularmente músculo-esquelético, cardiovascular e imunológico. O selênio é crucial para a síntese de hormônios tireoidianos, metabolismo de iodo e modulação da resposta imune, sendo sua deficiência associada a condições como a doença de Keshan (cardiomiopatia) e a doença de Kashin-Beck (osteocondropatia). A epidemiologia varia geograficamente, com maior prevalência em regiões com solos pobres em selênio, como partes da China, Rússia e África, afetando populações com dietas baseadas em alimentos locais. Em contextos clínicos, a deficiência pode ser primária (por baixa ingestão) ou secundária a condições que aumentam a demanda ou reduzem a absorção, como doenças gastrointestinais ou nutrição parenteral inadequada.

Descrição clínica

A deficiência de selênio da dieta manifesta-se clinicamente de forma insidiosa, com sintomas inespecíficos inicialmente, progredindo para condições específicas em casos graves. O quadro clínico depende da gravidade e duração da deficiência, podendo incluir fadiga, fraqueza muscular, dor muscular (mialgia), alterações cognitivas leves e aumento da susceptibilidade a infecções devido à disfunção imune. Em deficiências severas e prolongadas, podem surgir complicações como cardiomiopatia dilatada (doença de Keshan), caracterizada por insuficiência cardíaca, arritmias e edema, e osteoartropatias (doença de Kashin-Beck), com dor articular, deformidades e crescimento anormal da cartilagem. Em crianças, a deficiência pode levar a retardo do crescimento e desenvolvimento. A condição é frequentemente subdiagnosticada devido à sobreposição com outras deficiências nutricionais ou doenças crônicas.

Quadro clínico

O quadro clínico da deficiência de selênio varia de assintomático a grave, dependendo da magnitude e duração. Sintomas iniciais incluem fadiga, fraqueza generalizada, mialgias, e redução da tolerância ao exercício. Manifestações cutâneas como unhas quebradiças ou perda de cabelo podem ocorrer. Em deficiências moderadas a graves, observa-se: 1) Cardíacas: dispneia, palpitações, edema periférico e sinais de insuficiência cardíaca (doença de Keshan), com possibilidade de morte súbita por arritmia. 2) Musculoesqueléticas: dor articular, rigidez, deformidades ósseas e artropatias (doença de Kashin-Beck), especialmente em crianças. 3) Imunológicas: aumento da frequência e gravidade de infecções virais ou bacterianas. 4) Tireoidianas: sintomas de hipotireoidismo, como ganho de peso, intolerância ao frio e constipação. 5) Neurológicas: alterações cognitivas leves, como dificuldade de concentração. A apresentação pode ser mascarada por comorbidades ou outras deficiências nutricionais.

Complicações possíveis

Doença de Keshan

Cardiomiopatia dilatada endêmica, com insuficiência cardíaca congestiva, arritmias e risco de morte súbita, especialmente em crianças e mulheres em idade fértil em áreas com deficiência severa.

Doença de Kashin-Beck

Osteocondropatia que causa dor articular crônica, deformidades ósseas, artrose precoce e retardo do crescimento em crianças, associada a deficiência prolongada em regiões endêmicas.

Imunossupressão

Aumento da susceptibilidade a infecções virais (ex.: influenza, HIV) e bacterianas devido à disfunção da resposta imune celular e humoral.

Hipotireoidismo exacerbado

Piora do metabolismo tireoidiano, levando a sintomas como fadiga, ganho de peso e bócio, particularmente em indivíduos com deficiência de iodo concomitante.

Miopatia e fraqueza muscular

Degeneração muscular com dor, fraqueza e redução da capacidade funcional, devido ao dano oxidativo nas fibras musculares.

Epidemiologia

A deficiência de selênio é um problema de saúde pública em regiões com solos pobres em selênio, afetando milhões globalmente. A prevalência é mais alta em partes da China (especialmente as províncias de Keshan e Kashin), Sibéria, Coreia do Norte e certas áreas da África e Europa Oriental. Estima-se que até 1 bilhão de pessoas worldwide tenham ingestão inadequada de selênio, com casos clínicos significativos em áreas endêmicas. Grupos de risco incluem crianças, gestantes, idosos e indivíduos com dietas restritivas ou condições de má absorção. A incidência de doenças específicas como Keshan e Kashin-Beck diminuiu com programas de suplementação, mas casos esporádicos ocorrem em contextos de pobreza ou negligência. Em países desenvolvidos, a deficiência é rara, mas pode ocorrer em pacientes com nutrição parenteral prolongada, cirurgia bariátrica ou doenças inflamatórias intestinais.

Prognóstico

O prognóstico da deficiência de selênio é geralmente bom se diagnosticada e tratada precocemente, com suplementação adequada levando à resolução dos sintomas em semanas a meses. Em casos leves a moderados, a recuperação é completa sem sequelas. No entanto, em deficiências graves e prolongadas, especialmente com complicações estabelecidas como doença de Keshan ou Kashin-Beck, o prognóstico é reservado: a cardiomiopatia pode resultar em insuficiência cardíaca crônica ou morte, e as artropatias podem causar incapacidade permanente e osteoartrose secundária. A resposta ao tratamento depende da duração da deficiência, presença de comorbidades e adesão à suplementação. Em populações endêmicas, programas de fortificação alimentar melhoram o prognóstico coletivo. A vigilância contínua é recomendada para prevenir recidivas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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