CID E55: Deficiência de vitamina D
Mais informações sobre o tema:
Definição
A deficiência de vitamina D é uma condição clínica caracterizada por níveis séricos inadequados de 25-hidroxivitamina D (25(OH)D), resultando em comprometimento da homeostase do cálcio e fósforo, com consequente impacto na saúde óssea e sistêmica. A vitamina D, um hormônio esteroide lipossolúvel, é essencial para a absorção intestinal de cálcio e fosfato, mineralização óssea e modulação de funções imunológicas e celulares. A deficiência pode ser classificada como insuficiência (níveis de 25(OH)D entre 20-29 ng/mL) ou deficiência grave (<20 ng/mL), conforme diretrizes da Endocrine Society, e está associada a maior risco de osteomalácia em adultos, raquitismo em crianças e potencialmente a doenças cardiovasculares, autoimunes e neoplasias. Epidemiologicamente, é altamente prevalente globalmente, afetando cerca de 1 bilhão de pessoas, com fatores de risco como baixa exposição solar, pigmentação cutânea escura, obesidade, idade avançada e condições malabsortivas.
Descrição clínica
A deficiência de vitamina D manifesta-se clinicamente por sinais e sintomas relacionados à hipocalcemia e desmineralização óssea. Em adultos, a osteomalácia apresenta-se com dor óssea difusa, fraqueza muscular proximal e aumento do risco de fraturas. Em crianças, o raquitismo causa deformidades esqueléticas, como genu varum ou valgum, atraso no crescimento, dor óssea e hipotonia muscular. Sintomas inespecíficos como fadiga, cansaço e susceptibilidade a infecções podem ocorrer devido ao papel imunomodulador da vitamina D. A condição é frequentemente assintomática em estágios iniciais, sendo diagnosticada incidentalmente em exames de rotina.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a idade e gravidade. Em adultos: dor óssea difusa (especialmente em coluna, quadril e costelas), fraqueza muscular proximal (dificuldade para levantar de cadeiras ou subir escadas), fadiga, e fraturas por fragilidade. Em crianças: atraso no crescimento, dor óssea, deformidades esqueléticas (como rosário raquítico, bossa frontal, deformidades em membros), hipotonia muscular, atraso na dentição e marcha anormal. Sinais de hipocalcemia podem incluir parestesias, tetania, espasmos musculares e convulsões em casos graves. A apresentação pode ser insidiosa, com sintomas inespecíficos que dificultam o diagnóstico precoce.
Complicações possíveis
Osteomalácia
Amolecimento dos ossos devido à mineralização defeituosa, levando a dor, deformidades e aumento do risco de fraturas.
Raquitismo
Em crianças, causa deformidades esqueléticas, atraso no crescimento e complicações musculoesqueléticas.
Hiperparatireoidismo secundário
Resposta compensatória à hipocalcemia, podendo levar a maior reabsorção óssea e agravamento da osteopenia.
Fraturas por fragilidade
Aumento do risco de fraturas osteoporóticas, especialmente em idosos ou indivíduos com deficiência prolongada.
Comprometimento imunológico
Maior susceptibilidade a infecções e possível associação com doenças autoimunes, devido ao papel da vitamina D na modulação imune.
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Epidemiologia
A deficiência de vitamina D é uma das deficiências nutricionais mais comuns globalmente, afetando aproximadamente 1 bilhão de pessoas. A prevalência varia com a latitude, estação do ano, idade, etnia e fatores socioeconômicos. É mais alta em regiões com pouca exposição solar, idosos, indivíduos com pele escura (devido à menor síntese cutânea), obesos, gestantes e populações institucionalizadas. No Brasil, estudos mostram prevalências significativas, especialmente em idosos e mulheres pós-menopausa. A condição é subdiagnosticada devido à natureza insidiosa dos sintomas.
Prognóstico
O prognóstico da deficiência de vitamina D é geralmente favorável com tratamento adequado, incluindo suplementação e medidas de estilo de vida. A correção dos níveis de vitamina D pode reverter sintomas como dor óssea e fraqueza muscular em semanas a meses, e melhorar a densidade óssea em longo prazo. No entanto, em casos de deficiência grave ou prolongada, deformidades ósseas em crianças podem ser permanentes, e o risco de fraturas pode persistir se não houver intervenção precoce. Fatores como adesão ao tratamento, comorbidades e causa subjacente influenciam o outcome. A monitorização regular é essencial para prevenir recidivas.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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