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CID E46: Desnutrição protéico-calórica não especificada
E46
Desnutrição protéico-calórica não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A desnutrição não especificada (CID-10 E46) é uma condição clínica caracterizada por deficiência de nutrientes essenciais, resultando em comprometimento do estado nutricional, sem especificação do tipo de deficiência (proteico-energética, vitamínica ou mineral). Esta categoria é utilizada quando há evidências de desnutrição, mas os detalhes etiológicos ou a natureza exata da deficiência não são claramente definidos. A desnutrição pode manifestar-se através de alterações antropométricas, bioquímicas ou funcionais, impactando negativamente a saúde geral, aumentando a morbidade e a mortalidade, especialmente em populações vulneráveis como crianças, idosos e indivíduos com doenças crônicas. Epidemiologicamente, é prevalente em regiões com insegurança alimentar, baixa renda e acesso limitado a cuidados de saúde, sendo um importante indicador de saúde pública.
Descrição clínica
A desnutrição não especificada apresenta um espectro clínico variável, desde formas subclínicas até manifestações graves. Os sinais e sintomas incluem perda de peso involuntária, redução da massa muscular, fadiga, letargia, atraso no crescimento em crianças, alterações cutâneas (como pele seca e quebradiça), cabelos finos e quebradiços, e comprometimento da função imunológica, predispondo a infecções. Em casos avançados, pode haver edema periférico (devido à hipoalbuminemia), atrofia de órgãos e disfunção de múltiplos sistemas. A avaliação clínica deve considerar o contexto do paciente, incluindo história dietética, condições socioeconômicas e comorbidades associadas.
Quadro clínico
O quadro clínico da desnutrição não especificada é inespecífico e pode incluir: perda de peso progressiva, fraqueza muscular, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, atraso no desenvolvimento em crianças, alterações dermatológicas (xerose, hiperqueratose), queilite, glossite, unhas quebradiças, e susceptibilidade a infecções. Sinais de desnutrição grave podem incluir edema dependente, ascite, atrofia muscular evidente e alterações neurológicas. A apresentação varia conforme a duração, gravidade e fatores subjacentes, necessitando de avaliação sistemática para identificar deficiências específicas.
Complicações possíveis
Infecções recorrentes
Devido à imunossupressão, com aumento do risco de pneumonias, diarreias e sepse.
Disfunção orgânica
Inclui insuficiência cardíaca, hepática ou renal por depleção de massa muscular e alterações metabólicas.
Atraso no desenvolvimento
Em crianças, pode levar a comprometimento cognitivo e físico irreversível.
Síndrome de realimentação
Risco durante a realimentação, com alterações eletrolíticas graves como hipofosfatemia.
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A desnutrição não especificada é um problema global, com maior prevalência em países de baixa e média renda, afetando particularmente crianças menores de 5 anos, idosos e populações em situação de vulnerabilidade. Estimativas da OMS indicam que a desnutrição contribui para cerca de 45% das mortes em crianças menores de 5 anos mundialmente. No Brasil, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) mostram variações regionais, com taxas mais altas no Nordeste e em áreas rurais. Fatores de risco incluem pobreza, insegurança alimentar, baixa escolaridade e doenças infecciosas.
Prognóstico
O prognóstico da desnutrição não especificada depende da gravidade, duração, causas subjacentes e rapidez da intervenção. Com diagnóstico precoce e manejo adequado, incluindo suporte nutricional e tratamento de comorbidades, a recuperação é possível, especialmente em formas leves a moderadas. Casos graves ou associados a doenças crônicas têm maior morbimortalidade, com risco de sequelas permanentes em crianças. Fatores como idade, estado imunológico e acesso a cuidados influenciam os desfechos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de desnutrição não especificada baseia-se em critérios clínicos, antropométricos e laboratoriais, conforme diretrizes como as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e sociedades de nutrição. Critérios incluem: perda de peso involuntária >5% em 1 mês ou >10% em 6 meses; índice de massa corporal (IMC) <18,5 kg/m² em adultos; circunferência braquial reduzida; e alterações laboratoriais como hipoalbuminemia, linfopenia ou redução de pré-albumina. Em crianças, utiliza-se escore Z de peso para altura <-2 ou altura para idade <-2. A avaliação deve integrar história clínica, exame físico e exames complementares para excluir causas específicas.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Desnutrição proteico-energética (E40-E46)
Inclui formas específicas como marasmo (E41) e kwashiorkor (E40), que apresentam características clínicas distintas, como edema em kwashiorkor ou emaciação extrema em marasmo.
OMS. Guideline: Assessment and management of severe acute malnutrition in infants and children. 2013.
Anorexia nervosa (F50.0)
Distúrbio alimentar com restrição calórica intencional, medo de ganhar peso e distorção da imagem corporal, diferindo pela etiologia psicológica.
DSM-5. American Psychiatric Association. 2013.
Síndromes de má absorção (K90)
Condições como doença celíaca ou pancreatite crônica que levam a má absorção de nutrientes, com sintomas gastrointestinais proeminentes.
Feldman M, et al. Sleisenger and Fordtran's Gastrointestinal and Liver Disease. 11th ed. 2020.
Caquexia neoplásica (R64)
Síndrome de wasting associada a câncer, com inflamação sistêmica e resistência à realimentação, distinta pela etiologia oncológica.
Fearon K, et al. Definition and classification of cancer cachexia: an international consensus. Lancet Oncol. 2011.
Deficiências vitamínicas específicas (E50-E64)
Como deficiência de vitamina A (E50) ou ferro (E61.1), que podem causar sintomas específicos (cegueira noturna ou anemia), exigindo investigação direcionada.
WHO. Vitamin and Mineral Nutrition Information System. 2021.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avalia anemia, linfopenia e outros indicadores de desnutrição ou infecção.
Detectar alterações hematológicas associadas a deficiências nutricionais, como anemia microcítica ou normocítica.
Dosagem de albumina sérica
Mede os níveis de albumina, um marcador de estado proteico e gravidade da desnutrição.
Avaliar reservas proteicas e risco de complicações; valores <3,5 g/dL sugerem desnutrição significativa.
Pré-albumina ou transtirretina
Proteína de meia-vida curta, útil para monitorar resposta ao tratamento nutricional.
Indicar mudanças recentes no estado nutricional devido à sua rápida turnover.
Eletrólitos e função renal
Inclui sódio, potássio, ureia e creatinina para avaliar equilíbrio hidroeletrolítico e função renal.
Detectar desequilíbrios comuns em desnutrição, como hipocalemia ou desidratação.
Avaliação antropométrica
Mede peso, altura, IMC, circunferência braquial e dobras cutâneas.
Quantificar o estado nutricional e monitorar progresso; em crianças, usa-se escore Z.
Aprimore sua prática clínica
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Incentivo ao aleitamento materno exclusivo até 6 meses e continuado até 2 anos ou mais, conforme OMS.
Programas de suplementação alimentar
Distribuição de alimentos fortificados ou suplementos para grupos de risco, como gestantes e crianças.
Educação em saúde
Campanhas sobre nutrição adequada, higiene e prevenção de doenças em comunidades.
Acesso a água potável e saneamento
Melhoria das condições ambientais para reduzir diarreias e infecções que levam à desnutrição.
Vigilância e notificação
No Brasil, a desnutrição é objeto de vigilância pelo SISVAN, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), com notificação compulsória de casos graves em alguns estados. Profissionais de saúde devem notificar suspeitas através de sistemas como o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), especialmente em surtos ou situações de risco coletivo. A vigilância inclui monitoramento de indicadores antropométricos em unidades de saúde, escolas e comunidades, com ações de promoção da alimentação saudável e intervenções precoces.
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Crianças menores de 5 anos, idosos, gestantes, indivíduos com doenças crônicas e populações em situação de pobreza são os mais vulneráveis, devido a maiores necessidades nutricionais ou barreiras ao acesso alimentar.
A desnutrição não especificada é usada quando não há detalhes sobre o tipo de deficiência; diferencia-se de formas como kwashiorkor (com edema) ou marasmo (com emaciação) pela ausência de características específicas, exigindo investigação para excluir causas definidas.
Hemograma, dosagem de albumina, pré-albumina, eletrólitos e avaliação antropométrica são fundamentais para confirmar desnutrição, avaliar gravidade e guiar o tratamento.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...