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CID E25: Transtornos adrenogenitais

E250
Transtornos adrenogenitais congênitos associados à deficiência enzimática
E258
Outros transtornos adrenogenitais
E259
Transtorno adrenogenital não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

Os transtornos adrenogenitais constituem um grupo de doenças hereditárias caracterizadas por defeitos enzimáticos na biossíntese dos esteroides adrenais, resultando em produção inadequada de cortisol e, frequentemente, aldosterona. Esses defeitos levam a um desvio do substrato para a via de produção de andrógenos, causando hiperandrogenismo e virilização. A forma mais comum é a hiperplasia adrenal congênita (HAC) por deficiência da 21-hidroxilase, responsável por mais de 90% dos casos. Esses transtornos podem se manifestar em qualquer idade, desde formas clássicas graves no período neonatal até formas não clássicas de início tardio na infância ou idade adulta, com implicações significativas no crescimento, desenvolvimento puberal e fertilidade. A incidência varia conforme a população, sendo estimada em 1:10.000 a 1:20.000 nascidos vivos para a forma clássica, com maior prevalência em certos grupos étnicos, como judeus asquenazes.

Descrição clínica

Os transtornos adrenogenitais são condições crônicas que afetam predominantemente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com manifestações clínicas dependentes do tipo e gravidade do defeito enzimático. Na deficiência de 21-hidroxilase clássica, observa-se virilização em mulheres (genitália ambígua ao nascimento), crise de perda salina no lactente (hiponatremia, hipercalemia, acidose metabólica) e desenvolvimento puberal precoce em ambos os sexos. Formas não clássicas podem apresentar hirsutismo, acne, irregularidades menstruais e infertilidade em mulheres adultas. A deficiência de 11-beta-hidroxilase associa-se à hipertensão arterial devido ao acúmulo de precursores mineralocorticoides. O curso é lifelong, exigindo monitoramento contínuo para ajuste terapêutico e prevenção de complicações agudas e crônicas.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme o defeito enzimático e a idade de apresentação. Na forma clássica de deficiência de 21-hidroxilase: em neonatos do sexo feminino, genitália ambígua (clitoromegalia, fusão labial); em lactentes de ambos os sexos, crise de perda salina (vômitos, desidratação, hipotensão, choque) nas primeiras semanas de vida; em crianças, crescimento acelerado com fechamento precoce das epífises e baixa estatura final, puberdade precoce (pubarca precoce, acne, odor axilar). Na forma não clássica: hirsutismo, acne, oligomenorreia ou amenorreia, infertilidade em mulheres; em homens, pode ser assintomático ou com puberdade precoce. Na deficiência de 11-beta-hidroxilase, além dos sinais de virilização, hipertensão arterial é comum.

Complicações possíveis

Crise adrenal aguda

Episódio de insuficiência adrenal com hipotensão, choque, hiponatremia e hipercalemia, potencialmente fatal se não tratada rapidamente.

Baixa estatura final

Devido ao fechamento precoce das epífises por excesso de andrógenos, resultando em comprometimento do crescimento em altura.

Infertilidade

Em mulheres, oligoanovulação crônica devido ao hiperandrogenismo; em homens, pode haver alterações na espermatogênese.

Distúrbios psicológicos e de identidade de gênero

Associados à genitália ambígua e virilização, podendo levar a ansiedade, depressão e questões de identidade.

Tumores adrenais

Risco aumentado de desenvolvimento de tumores adrenais, como adenomas, em casos de hiperplasia adrenal crônica.

Epidemiologia

A incidência da hiperplasia adrenal congênita por deficiência de 21-hidroxilase varia globalmente, sendo em média 1:10.000 a 1:20.000 nascidos vivos para a forma clássica, com maior prevalência em populações como judeus asquenazes (1:3.000) e hispânicos. Formas não clássicas são mais comuns, afetando até 1:1.000 indivíduos em certas etnias. Não há predileção por sexo, mas as manifestações clínicas diferem devido à virilização em mulheres. A triagem neonatal em muitos países reduziu a morbimortalidade por crises de perda salina.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, mas depende da adesão à terapia e monitorização. Pacientes com formas clássicas tratados adequadamente podem ter expectativa de vida normal, porém com risco de crises adrenais em situações de estresse. Complicações como baixa estatura e infertilidade podem persistir se o controle do hiperandrogenismo for inadequado. Formas não clássicas têm prognóstico favorável, com sintomas controláveis. A mortalidade é baixa em centros especializados, mas crises adrenais não tratadas podem ser fatais.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

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