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Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com coma
E111
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com cetoacidose
E112
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com complicações renais
E113
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com complicações oftálmicas
E114
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com complicações neurológicas
E115
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com complicações circulatórias periféricas
E116
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com outras complicações especificadas
E117
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com complicações múltiplas
E118
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - com complicações não especificadas
E119
Diabetes mellitus não-insulino-dependente - sem complicações
Mais informações sobre o tema:
Definição
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia persistente, resultante de defeitos na secreção de insulina e/ou na ação da insulina (resistência à insulina). É a forma mais comum de diabetes, representando aproximadamente 90-95% dos casos de diabetes mellitus. A fisiopatologia envolve uma combinação de resistência à insulina nos tecidos periféricos (como músculo, fígado e tecido adiposo) e disfunção progressiva das células beta pancreáticas, levando a uma secreção inadequada de insulina. O impacto clínico inclui complicações microvasculares (como retinopatia, nefropatia e neuropatia) e macrovasculares (como doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica), que contribuem significativamente para a morbimortalidade. Epidemiologicamente, o DM2 está associado a fatores de risco como obesidade, sedentarismo, dieta inadequada, idade avançada e história familiar, com prevalência crescente globalmente, especialmente em países em desenvolvimento.
Descrição clínica
O DM2 é uma condição heterogênea com apresentação clínica variável, desde assintomática até sintomas clássicos de hiperglicemia. A progressão é geralmente insidiosa, com muitos pacientes diagnosticados incidentalmente durante exames de rotina. A doença pode ser controlada com modificações no estilo de vida e farmacoterapia, mas requer monitorização contínua para prevenir complicações.
Quadro clínico
O quadro clínico do DM2 pode ser assintomático nas fases iniciais. Sintomas comuns incluem poliúria, polidipsia, polifagia, perda de peso inexplicada, fadiga, visão turva e infecções recorrentes (e.g., candidíase). Sinais físicos podem incluir acantose nigricans (indicando resistência à insulina) e xantomas em casos de dislipidemia associada. Complicações agudas como cetoacidose são raras, mas estados hiperglicêmicos hiperosmolar podem ocorrer.
Complicações possíveis
Retinopatia diabética
Danos microvasculares na retina, podendo levar a edema macular, hemorragias e cegueira.
Nefropatia diabética
Doença renal progressiva devido a glomeruloesclerose, evoluindo para proteinúria e insuficiência renal terminal.
Neuropatia diabética
Dano nervoso periférico ou autonômico, causando parestesias, dor, perda de sensibilidade e disfunções autonômicas.
Doença arterial coronariana
Aterosclerose acelerada nas artérias coronárias, aumentando o risco de infarto do miocárdio.
Acidente vascular cerebral
Aumento do risco de eventos cerebrovasculares isquêmicos ou hemorrágicos.
Doença arterial periférica
Redução do fluxo sanguíneo nos membros inferiores, predispondo a claudicação, úlceras e amputações.
Pé diabético
Complicação resultante de neuropatia e doença vascular, com risco de infecções, úlceras e amputações.
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O DM2 é uma pandemia global, com prevalência estimada em 9,3% da população adulta mundial (463 milhões de pessoas em 2019), projetada para aumentar para 10,9% (700 milhões) até 2045. A incidência é maior em países em desenvolvimento, associada a urbanização, envelhecimento populacional e mudanças no estilo de vida. Fatores de risco incluem obesidade (IMC ≥30), sedentarismo, dieta ocidentalizada, história familiar de diabetes, etnia (e.g., afrodescendentes, hispânicos, asiáticos), e condições como síndrome dos ovários policísticos. No Brasil, a prevalência é de aproximadamente 7,7% em adultos, com custos significativos para o sistema de saúde.
Prognóstico
O prognóstico do DM2 é variável e depende do controle glicêmico, manejo de fatores de risco e adesão ao tratamento. Com controle adequado, é possível retardar ou prevenir complicações, melhorando a qualidade e expectativa de vida. No entanto, a progressão para complicações micro e macrovasculares é comum sem intervenção, com aumento da morbimortalidade cardiovascular. A expectativa de vida pode ser reduzida em até 10 anos em comparação com não diabéticos, mas estratégias intensivas de controle (e.g., metas de HbA1c <7%) mostram benefícios em estudos como o UKPDS e o ACCORD.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos para DM2 baseiam-se em diretrizes da American Diabetes Association (ADA) e incluem: 1) Glicemia de jejum ≥126 mg/dL (jejum definido como nenhuma ingestão calórica por pelo menos 8 horas); 2) Glicemia casual ≥200 mg/dL na presença de sintomas clássicos de hiperglicemia; 3) Teste de tolerância oral à glicose (TTG) com glicemia de 2 horas ≥200 mg/dL; 4) Hemoglobina glicada (HbA1c) ≥6,5%. O diagnóstico deve ser confirmado com repetição do teste, a menos que haja hiperglicemia inequívoca com descompensação aguda.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Diabetes mellitus tipo 1
Doença autoimune com destruição das células beta pancreáticas, geralmente de início agudo em jovens, com tendência à cetoacidose.
American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—2023. Diabetes Care. 2023;46(Suppl 1):S1-S291.
Diabetes mellitus gestacional
Hiperglicemia diagnosticada durante a gravidez, que não preenche critérios para diabetes mellitus manifesto.
International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups. Recommendations on the diagnosis and classification of hyperglycemia in pregnancy. Diabetes Care. 2010;33(3):676-82.
Monogenic diabetes (e.g., MODY)
Formas hereditárias de diabetes devido a mutações em genes únicos, como HNF1A ou GCK, com apresentação clínica variável.
Hattersley AT, Greeley SAW, Polak M, et al. ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2018: The diagnosis and management of monogenic diabetes in children and adolescents. Pediatr Diabetes. 2018;19(Suppl 27):47-63.
Diabetes secundário a doenças pancreáticas
Hiperglicemia resultante de dano pancreático, como na pancreatite crônica, fibrose cística ou pancreatectomia.
Ewald N, Bretzel RG. Diabetes mellitus secondary to pancreatic diseases (Type 3c)—are we neglecting an important disease? Eur J Intern Med. 2013;24(3):203-6.
Síndrome metabólica
Conjunto de fatores de risco cardiometabólicos, incluindo resistência à insulina, obesidade abdominal, dislipidemia e hipertensão, que pode preceder o DM2.
Alberti KG, Eckel RH, Grundy SM, et al. Harmonizing the metabolic syndrome: a joint interim statement of the International Diabetes Federation Task Force on Epidemiology and Prevention; National Heart, Lung, and Blood Institute; American Heart Association; World Heart Federation; International Atherosclerosis Society; and International Association for the Study of Obesity. Circulation. 2009;120(16):1640-5.
Exames recomendados
Hemoglobina glicada (HbA1c)
Exame que reflete a glicemia média dos últimos 2-3 meses, utilizado para diagnóstico e monitorização do controle glicêmico.
Diagnóstico inicial e avaliação da eficácia do tratamento.
Glicemia de jejum
Medição da glicose plasmática após jejum de 8 horas.
Triagem e confirmação diagnóstica.
Teste de tolerância oral à glicose (TTG)
Administração de 75g de glicose oral e medição da glicemia em jejum e 2 horas após.
Avaliar a tolerância à glicose em casos duvidosos.
Perfil lipídico
Dosagem de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos.
Avaliar risco cardiovascular e orientar terapia.
Função renal (creatinina sérica e taxa de filtração glomerular)
Avaliação da função renal para detecção precoce de nefropatia diabética.
Rastreio de complicações microvasculares.
Exame de fundo de olho
Avaliação da retina para detecção de retinopatia diabética.
Rastreio de complicações microvasculares.
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Triagem regular para DM2 em indivíduos com obesidade, história familiar, síndrome metabólica ou acima de 45 anos.
Promoção de estilo de vida saudável
Campanhas de saúde pública para incentivar dieta balanceada, atividade física e manutenção do peso corporal ideal.
Controle de fatores de risco cardiometabólicos
Manejo agressivo de hipertensão, dislipidemia e obesidade para prevenir o desenvolvimento de DM2.
Vigilância e notificação
No Brasil, o DM2 é de notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) para casos incidentes e complicações, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. A vigilância inclui monitoramento de indicadores como prevalência, incidência, complicações e mortalidade, com ênfase em estratégias de prevenção primária e secundária. Programas como o HIPERDIA facilitam o acompanhamento de pacientes no SUS, promovendo educação em saúde e adesão ao tratamento.
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O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune com destruição das células beta pancreáticas, geralmente de início agudo em jovens e dependente de insulina, enquanto o tipo 2 resulta de resistência à insulina e deficiência relativa de insulina, associado a fatores de estilo de vida e idade, podendo ser controlado com medicamentos orais e mudanças comportamentais.
Embora não seja considerado curável, o DM2 pode entrar em remissão com perda de peso significativa (e.g., através de dieta, exercício ou cirurgia bariátrica), onde a glicemia normaliza sem medicação, mas o risco de recidiva permanece se os fatores de risco não forem controlados.
A meta geral de HbA1c é <7% para a maioria dos adultos, conforme diretrizes da ADA, mas pode ser individualizada (e.g., <6,5% para recém-diagnosticados ou <8% para idosos com comorbidades), baseando-se no risco de hipoglicemia e expectativa de vida.
A obesidade, especialmente visceral, promove resistência à insulina através de inflamação crônica, liberação de adipocinas e ácidos graxos livres, sobrecarregando as células beta e levando à hiperglicemia; a perda de peso é uma estratégia chave no manejo.
A retinopatia diabética é a complicação ocular mais frequente, podendo progredir para edema macular, hemorragias vitreias e descolamento de retina, necessitando de rastreio anual com exame de fundo de olho para prevenção da cegueira.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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