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CID E05: Tireotoxicose [hipertireoidismo]
E050
Tireotoxicose com bócio difuso
E051
Tireotoxicose com bócio tóxico uninodular
E052
Tireotoxicose com bócio tóxico multinodular
E053
Tireotoxicose causada por tecido tireoidiano ectópico
E054
Tireotoxicose factícia
E055
Crise ou "tempestade" tireotóxica
E058
Outras tireotoxicoses
E059
Tireotoxicose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A tireotoxicose é uma síndrome clínica resultante da exposição excessiva aos hormônios tireoidianos, caracterizada por um estado hipermetabólico. O hipertireoidismo refere-se especificamente à superprodução de hormônios tireoidianos pela glândula tireoide, sendo a causa mais comum de tireotoxicose. A fisiopatologia envolve a ativação excessiva de receptores nucleares de hormônios tireoidianos, levando a aumento do metabolismo basal, termogênese e catabolismo proteico. Epidemiologicamente, é mais prevalente em mulheres, com pico de incidência entre 20 e 40 anos, e tem impacto significativo na qualidade de vida e morbimortalidade cardiovascular se não tratada adequadamente.
Descrição clínica
A tireotoxicose manifesta-se por sinais e sintomas de hipermetabolismo, incluindo taquicardia, perda de peso, intolerância ao calor, sudorese aumentada, tremores, nervosismo e fadiga. Pode haver bócio, oftalmopatia (em casos associados à doença de Graves) e alterações cutâneas como mixedema pré-tibial. A apresentação clínica varia conforme a causa subjacente, idade do paciente e duração da doença.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui sintomas constitucionais (perda de peso apesar de apetite aumentado, fadiga), cardiovasculares (taquicardia, palpitações, hipertensão sistólica), neuromusculares (tremores, fraqueza proximal, hiperreflexia), psiquiátricos (ansiedade, irritabilidade, insônia), dermatológicos (pele quente e úmida, unhas quebradiças, alopecia), e gastrointestinais (aumento do trânsito intestinal, diarreia). Em idosos, pode apresentar-se como 'hipertireoidismo apático' com letargia e depressão.
Complicações possíveis
Tempestade tireoidiana
Emergência médica com exacerbação de sintomas, febre, taquicardia extrema, alteração do estado mental e insuficiência cardíaca.
Fibrilação atrial
Arritmia cardíaca comum, aumentando o risco de eventos tromboembólicos.
Osteoporose
Perda acelerada de massa óssea devido ao aumento do turnover ósseo.
Insuficiência cardíaca
Pode ocorrer devido à demanda cardíaca aumentada e miocardiopatia tireotóxica.
Oftalmopatia de Graves
Inflamação orbitária levando a exoftalmia, diplopia e, em casos graves, perda visual.
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A tireotoxicose tem uma prevalência global de aproximadamente 1-2%, sendo mais comum em mulheres (razão 5:1 a 10:1). A doença de Graves é responsável por 60-80% dos casos. A incidência aumenta com a idade, mas o pico ocorre entre 20 e 40 anos. Fatores de risco incluem história familiar, sexo feminino, e exposição a iodo. No Brasil, segue padrões semelhantes aos internacionais.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, que pode incluir medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia. A remissão é comum na doença de Graves com terapia medicamentosa, mas recidivas podem ocorrer. Complicações como tempestade tireoidiana têm alta mortalidade se não tratadas prontamente. O acompanhamento a longo prazo é necessário para monitorar recidivas e efeitos adversos do tratamento.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, laboratoriais e de imagem. Laboratorialmente, caracteriza-se por TSH suprimido (<0,4 mUI/L) e níveis elevados de T4 livre e/ou T3 livre. A dosagem de anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb) é positiva na doença de Graves. Ultrassonografia da tireoide pode mostrar bócio difuso ou nódulos, e cintilografia com captação de iodo radioativo ajuda a diferenciar causas (alta captação na doença de Graves e bócio multinodular tóxico, baixa na tireoidite).
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Ansiedade generalizada
Pode simular sintomas como tremores, taquicardia e nervosismo, mas sem alterações nos níveis de hormônios tireoidianos.
UpToDate
Feocromocitoma
Causa crises de hipertensão, taquicardia e sudorese, mas os níveis de catecolaminas estão elevados, e os hormônios tireoidianos são normais.
PubMed
Tireoidite subaguda
Pode causar tireotoxicose transitória com dor cervical e elevação de VHS, diferindo da doença de Graves pela evolução e achados clínicos.
Diretrizes Brasileiras de Tireoide
Uso de amiodarona
Pode induzir tireotoxicose tipo 1 ou 2, com níveis alterados de hormônios tireoidianos, mas história medicamentosa é crucial.
Micromedex
Síndrome do pânico
Apresenta ataques de ansiedade com sintomas autonômicos, mas sem alterações laboratoriais tireoidianas.
OMS
Exames recomendados
TSH
Dosagem do hormônio tireoestimulante; geralmente suprimido na tireotoxicose.
Triagem inicial para avaliar a função tireoidiana.
T4 livre e T3 livre
Dosagem dos hormônios tireoidianos livres; elevados na maioria dos casos.
Confirmar o estado de tireotoxicose e avaliar a gravidade.
Anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb)
Detecção de autoanticorpos; positivo na doença de Graves.
Diferenciação etiológica, especialmente para doença autoimune.
Ultrassonografia da tireoide
Imagem para avaliar tamanho, ecogenicidade e presença de nódulos.
Avaliar morfologia tireoidiana e guiar a investigação de nódulos.
Cintilografia tireoidiana com captação de iodo radioativo
Mede a captação de radioisótopo pela tireoide; alta em causas hiperfuncionantes, baixa em tireoidites.
Diferenciação entre causas de tireotoxicose com alta e baixa captação.
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Rastreamento de TSH em mulheres com história familiar de doenças tireoidianas ou autoimunes.
Evitar ingestão excessiva de iodo
Limitar suplementos de iodo e contrastes iodados em pacientes susceptíveis.
Educação sobre medicamentos
Orientar sobre riscos de uso indiscriminado de hormônios tireoidianos ou amiodarona.
Vigilância e notificação
A tireotoxicose não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas casos graves como tempestade tireoidiana devem ser monitorados em serviços de saúde. A vigilância inclui acompanhamento de pacientes em tratamento para prevenir complicações e garantir adesão terapêutica. Em surtos relacionados a iodo, notificação pode ser necessária.
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Tireotoxicose é um termo mais amplo que se refere a qualquer condição com excesso de hormônios tireoidianos na circulação, enquanto hipertireoidismo especificamente denota a superprodução pela glândula tireoide. Nem toda tireotoxicose é devido ao hipertireoidismo (ex.: tireoidite).
O tratamento inclui antitireoidianos (como tiamazol), iodo radioativo ou cirurgia, dependendo da idade, gravidade, preferência do paciente e presença de complicações. Beta-bloqueadores são usados para controle sintomático.
Sim, especialmente na forma de tempestade tireoidiana, que tem mortalidade de 10-30% se não tratada agressivamente. O manejo precoce é crucial para evitar desfechos graves.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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