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CID D67: Deficiência hereditária do fator IX

D67
Deficiência hereditária do fator IX

Mais informações sobre o tema:

Definição

A deficiência hereditária do fator IX, também conhecida como hemofilia B ou doença de Christmas, é uma coagulopatia congênita de herança recessiva ligada ao cromossomo X, caracterizada por uma deficiência quantitativa ou qualitativa do fator IX da coagulação. Esta condição resulta em uma alteração na via intrínseca da cascata de coagulação, levando a um prolongamento do tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa) e a um risco aumentado de sangramentos espontâneos ou traumáticos, particularmente em articulações (hemartroses), músculos e tecidos moles. A gravidade clínica é classificada em leve (níveis de fator IX entre 5-40% do normal), moderada (1-5%) e grave (<1%), com a forma grave sendo a mais comum e associada a sangramentos frequentes desde a infância. Epidemiologicamente, a hemofilia B é menos prevalente que a hemofilia A (deficiência do fator VIII), com uma incidência de aproximadamente 1 em 25.000-30.000 nascimentos masculinos, e afeta predominantemente indivíduos do sexo masculino, enquanto as mulheres são geralmente portadoras assintomáticas ou apresentam formas leves devido à inativação do cromossomo X.

Descrição clínica

A deficiência hereditária do fator IX manifesta-se clinicamente por uma tendência hemorrágica anormal, com sangramentos que podem ser espontâneos ou desproporcionais ao trauma. Em casos graves, os pacientes apresentam hemartroses recorrentes (especialmente em joelhos, cotovelos e tornozelos), hematomas musculares profundos, hemorragias pós-cirúrgicas ou pós-traumáticas, e sangramentos em sítios incomuns como o sistema nervoso central ou trato gastrointestinal. As formas leves podem ser assintomáticas até a idade adulta, sendo descobertas incidentalmente em exames de rotina ou após procedimentos invasivos. A doença é crônica e requer monitoramento contínuo, com complicações a longo prazo incluindo artropatia hemofílica, cistos hemorrágicos (pseudotumores) e inibidores do fator IX em alguns casos.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme a gravidade. Na forma grave (fator IX <1%), os pacientes apresentam hemartroses espontâneas desde a primeira infância (geralmente após os 6 meses de idade), hematomas musculares extensos, sangramento pós-circuncisão, e risco de hemorragia intracraniana. Na forma moderada (fator IX 1-5%), os sangramentos são geralmente desencadeados por traumas menores ou procedimentos cirúrgicos. Na forma leve (fator IX 5-40%), os sintomas podem ser sutis, com sangramentos apenas após cirurgias maiores ou traumas significativos. Sinais comuns incluem dor e inchaço articular, limitação de movimento, palidez, fadiga e, em casos crônicos, deformidades articulares e atrofia muscular. A apresentação inicial pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum na infância.

Complicações possíveis

Artropatia hemofílica

Danos articulares crônicos devido a hemartroses recorrentes, levando a dor, rigidez, deformidades e perda funcional.

Inibidores do fator IX

Desenvolvimento de anticorpos neutralizantes contra o fator IX exógeno, reduzindo a eficácia do tratamento e aumentando o risco de sangramentos.

Hematomas musculares e pseudotumores

Coleções sanguíneas em músculos que podem evoluir para cistos hemorrágicos (pseudotumores), com risco de compressão de estruturas vizinhas.

Hemorragia intracraniana

Sangramento no sistema nervoso central, uma complicação grave com alta morbimortalidade.

Infecções transmitidas por hemoderivados

Risco histórico de hepatites B e C e HIV com o uso de concentrados de fator não inativados viralmente; reduzido com produtos recombinantes.

Epidemiologia

A hemofilia B tem uma prevalência global estimada em 1 caso por 25.000-30.000 nascimentos masculinos, representando cerca de 15-20% de todos os casos de hemofilia. É menos comum que a hemofilia A (deficiência do fator VIII). A distribuição é mundial, sem predileção étnica significativa. A herança ligada ao X resulta em afetação quase exclusiva do sexo masculino; as mulheres são geralmente portadoras assintomáticas, mas podem apresentar sangramentos leves em cerca de 10% dos casos devido à inativação desviada do cromossomo X. A incidência é estável, com cerca de 1 em 5.000-10.000 homens, e a expectativa de vida tem melhorado com avanços terapêuticos.

Prognóstico

O prognóstico depende da gravidade da deficiência, acesso ao tratamento e desenvolvimento de complicações. Com terapia de reposição adequada e profilaxia, pacientes com hemofilia B grave podem ter uma expectativa de vida próxima à normal, mas com morbidade significativa devido a artropatia e outros sangramentos crônicos. O desenvolvimento de inibidores piora o prognóstico, aumentando o risco de sangramentos e dificultando o manejo. A mortalidade precoce está associada a hemorragias intracranianas ou complicações de tratamentos antigos. A qualidade de vida é impactada por dor articular, limitações físicas e necessidade de infusões frequentes.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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