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CID D60: Aplasia pura da série vermelha, adquirida [eritroblastopenia]
D600
Aplasia pura adquirida crônica da série vermelha
D601
Aplasia pura adquirida transitória da série vermelha
D608
Outras aplasias puras adquiridas da série vermelha
D609
Aplasia pura adquirida, não especificada, da série vermelha
Mais informações sobre o tema:
Definição
A aplasia pura adquirida da série vermelha (APASV) é uma desordem hematológica rara caracterizada pela falência seletiva da eritropoese na medula óssea, resultando em anemia normocítica normocrômica grave, com contagens de reticulócitos persistentemente baixas, na ausência de envolvimento significativo das linhagens granulocítica e megacariocítica. A patogênese está frequentemente associada a mecanismos autoimunes, com produção de anticorpos ou linfócitos T citotóxicos dirigidos contra precursores eritroides, interferindo na diferenciação e proliferação celular. Esta condição pode ocorrer de forma idiopática ou secundária a doenças autoimunes, infecções virais (como parvovírus B19), neoplasias (especialmente timomas), ou exposição a fármacos, representando um desafio diagnóstico e terapêutico devido à sua natureza imunomediada. Epidemiologicamente, é mais comum em adultos, com pico de incidência na meia-idade, e possui um impacto clínico significativo, exigindo intervenções para corrigir a anemia e abordar a causa subjacente.
Descrição clínica
A APASV manifesta-se clinicamente por sinais e sintomas de anemia crônica, como fadiga, palidez, dispneia aos esforços, taquicardia e intolerância ao exercício, sem evidências de sangramento ou infecções recorrentes que sugiram envolvimento de outras linhagens hematopoéticas. O exame físico pode revelar sopros cardíacos funcionais e, em casos associados a timomas, massa mediastinal. A progressão é geralmente insidiosa, com anemia grave que pode exigir transfusões sanguíneas regulares, mas a preservação das contagens de leucócitos e plaquetas distingue-a de outras síndromes de insuficiência medular.
Quadro clínico
O quadro clínico é dominado por sintomas de anemia progressiva, incluindo astenia, palidez cutâneo-mucosa, dispneia, tonturas e taquicardia. Em casos graves, pode haver insuficiência cardíaca de alto débito. Não há sinais de diáteses hemorrágicas ou infecciosas, dado o envolvimento isolado da série vermelha. Em formas secundárias, sintomas da doença de base (ex.: artralgias em doenças autoimunes) podem estar presentes. A evolução é crônica, com anemia refratária a suplementos de ferro ou vitaminas, exigindo avaliação hematológica urgente.
Complicações possíveis
Anemia grave refratária
Pode levar a insuficiência cardíaca, hipóxia tecidual e necessidade de transfusões sanguíneas frequentes, com risco de sobrecarga de ferro.
Sobrecarga de ferro transfusional
Acúmulo de ferro em órgãos como fígado, coração e pâncreas devido a transfusões repetidas, podendo causar hemocromatose secundária.
Infecções oportunistas
Em pacientes sob imunossupressão prolongada para tratamento, aumento do risco de infecções bacterianas, fúngicas ou virais.
Evolução para síndromes mieloproliferativas
Raramente, pode progredir para leucemia ou mielodisplasia, especialmente em formas idiopáticas de longa data.
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A APASV é uma doença rara, com incidência estimada em 0,5-1 caso por milhão de habitantes por ano. É mais frequente em adultos, com pico entre 40-60 anos, e ligeiro predomínio em mulheres. Formas idiopáticas representam cerca de 50% dos casos, enquanto as secundárias estão associadas a timomas (5-10%), doenças autoimunes (10-20%), infecções (ex.: parvovírus B19) ou fármacos. Não há predileção étnica ou geográfica significativa, e a condição é esporádica, sem padrão hereditário claro.
Prognóstico
O prognóstico da APASV é variável, dependendo da etiologia e resposta ao tratamento. Em casos idiopáticos ou autoimunes, a resposta à imunossupressão (ex.: corticosteroides, ciclosporina) é favorável em 60-80% dos pacientes, com remissões sustentadas. Formas associadas a timoma têm bom prognóstico após timectomia. Infecções por parvovírus B19 podem resolver espontaneamente ou com terapia antiviral. Complicações como sobrecarga de ferro ou transformação maligna podem piorar o desfecho. A mortalidade é baixa com manejo adequado, mas a qualidade de vida pode ser afetada pela anemia crônica.
Critérios diagnósticos
Os critérios diagnósticos para APASV incluem: 1) Anemia normocítica normocrômica grave (hemoglobina < 10 g/dL) com reticulocitopenia absoluta (< 10x10^9/L); 2) Medula óssea com celularidade normal ou aumentada, mas com hipoplasia ou aplasia seletiva da série vermelha (eritroblastos < 5% das células nucleadas), preservação das linhagens mieloide e megacariocítica; 3) Exclusão de outras causas de anemia aplástica, como exposição a toxinas, deficiências nutricionais, ou síndromes mielodisplásicas; 4) Evidência de etiologia autoimune ou secundária, quando aplicável (ex.: sorologia positiva para parvovírus B19, presença de timoma). Baseado em diretrizes da OMS e Sociedade Brasileira de Hematologia.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Anemia aplástica adquirida
Envolvimento pancitopênico com hipoplasia de todas as linhagens hematopoéticas na medula óssea, diferindo da APASV pelo comprometimento de granulócitos e plaquetas.
Guidelines for the diagnosis and management of aplastic anemia - British Journal of Haematology, 2016.
Síndromes mielodisplásicas
Distúrbios clonais com displasia em múltiplas linhagens, citopenias periféricas e medula hipercelular, frequentemente com alterações citogenéticas.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017.
Anemia por deficiência de eritropoietina
Associada a doença renal crônica, com baixos níveis de eritropoietina, mas medula óssea normocelular e resposta à terapia com eritropoietina exógena.
KDIGO Clinical Practice Guideline for Anemia in Chronic Kidney Disease, 2012.
Infecção por parvovírus B19
Pode causar aplasia transitória da série vermelha, especialmente em imunossuprimidos, com sorologia positiva e resolução espontânea em muitos casos.
Clinical manifestations and diagnosis of parvovirus B19 infection - UpToDate, 2023.
Anemia hemolítica autoimune
Caracterizada por aumento de reticulócitos e evidências de hemólise (elevação de LDH, bilirrubina indireta), ao contrário da reticulocitopenia na APASV.
Diagnosis and treatment of autoimmune hemolytic anemia - Blood Reviews, 2019.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avaliação de hemoglobina, hematócrito, índices hematimétricos, contagem de reticulócitos, leucócitos e plaquetas para confirmar anemia isolada com reticulocitopenia.
Diagnóstico inicial e monitorização da anemia e exclusão de pancitopenia.
Mielograma
Aspirado e biópsia de medula óssea para avaliar celularidade e morfologia das linhagens, confirmando hipoplasia seletiva da série vermelha.
Confirmação diagnóstica da aplasia eritroide e exclusão de outras doenças medulares.
Sorologia para parvovírus B19
Detecção de IgM e IgG para parvovírus B19, útil em casos suspeitos de infecção associada.
Identificação de etiologia infecciosa tratável.
Dosagem de eritropoietina sérica
Medição dos níveis de eritropoietina, que estão elevados na APASV, ajudando a diferenciar de deficiências hormonais.
Avaliação da resposta eritropoética e suporte ao diagnóstico.
Tomografia computadorizada de tórax
Imagem para detecção de timomas ou outras massas mediastinais em casos suspeitos de APASV secundária.
Rastreamento de neoplasias associadas, como timoma.
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Monitorização do uso de medicamentos associados a APASV, como alguns antiepilépticos e antibióticos.
Rastreamento em doenças autoimunes
Avaliação hematológica regular em pacientes com doenças autoimunes para detecção precoce de APASV.
Higiene e prevenção de infecções
Medidas para reduzir risco de infecções virais, como parvovírus, em ambientes hospitalares ou comunitários.
Vigilância e notificação
A APASV não é uma doença de notificação compulsória no Brasil, mas deve ser monitorada em serviços de hematologia para registro de casos e acompanhamento de desfechos. Em surtos de parvovírus B19, a vigilância pode identificar casos secundários. Recomenda-se notificação em sistemas institucionais para fins epidemiológicos e melhoria do manejo, baseado em diretrizes da ANVISA e Sociedade Brasileira de Hematologia.
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Não, a APASV é geralmente adquirida, com causas idiopáticas, autoimunes, infecciosas ou neoplásicas, sem padrão hereditário estabelecido.
A imunossupressão com corticosteroides (ex.: prednisona) é frequentemente a primeira opção, podendo ser combinada com ciclosporina em casos refratários.
Raramente; a maioria dos casos requer intervenção terapêutica, embora formas associadas a infecções virais possam resolver com tratamento específico ou espontaneamente em imunocompetentes.
A APASV apresenta envolvimento isolado da série vermelha com medula preservada para outras linhagens, enquanto a anemia aplástica envolve pancitopenia e hipoplasia global da medula.
Hemograma com reticulócitos, mielograma para avaliar a celularidade medular, e sorologia para parvovírus B19 são fundamentais, além de exclusão de outras causas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...