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CID D45: Policitemia vera
D45
Policitemia vera
Mais informações sobre o tema:
Definição
A Policitemia Vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela proliferação clonal de células precursoras hematopoéticas na medula óssea, resultando em produção excessiva de eritrócitos, frequentemente acompanhada de leucocitose e trombocitose. Esta condição está associada a mutações somáticas no gene JAK2 (Janus Quinase 2), principalmente a mutação JAK2 V617F, que ocorre em mais de 95% dos casos, levando à ativação constitutiva da via de sinalização JAK-STAT e conferindo independência de fatores de crescimento eritropoéticos. A PV é classificada como um distúrbio mieloproliferativo no Capítulo II da CID-10 (Neoplasias), com potencial para transformação em mielofibrose ou leucemia aguda, representando um desafio clínico significativo devido ao risco aumentado de eventos trombóticos e hemorrágicos. Epidemiologicamente, a incidência é de aproximadamente 0,5 a 2,5 casos por 100.000 pessoas por ano, com predomínio em idosos (idade média de diagnóstico em 60 anos) e ligeira predominância masculina, sendo uma das neoplasias mieloproliferativas mais comuns.
Descrição clínica
A Policitemia Vera apresenta um espectro clínico variável, desde casos assintomáticos detectados incidentalmente em exames de rotina até manifestações graves relacionadas à hiperviscosidade sanguínea, trombose e transformação mieloproliferativa. Os sintomas comuns incluem cefaleia, tontura, prurido aquagênico (após banho quente), eritromelalgia (dor e vermelhidão em mãos e pés), fadiga, sudorese noturna e perda de peso. Sinais físicos podem incluir esplenomegalia (em 75% dos casos), hepatomegalia, plethora facial (rubor facial), e hipertensão. A progressão da doença pode levar a complicações como trombose arterial (ex.: acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio) ou venosa (ex.: trombose venosa profunda, síndrome de Budd-Chiari), sangramento anormal devido à disfunção plaquetária, e transformação para mielofibrose secundária ou leucemia mieloide aguda em fases avançadas.
Quadro clínico
O quadro clínico da Policitemia Vera pode ser insidioso, com sintomas inespecíficos como fadiga, fraqueza e cefaleia. Manifestações cutâneas incluem prurido aquagênico intenso e eritromelalgia. Sinais de hiperviscosidade, como alterações visuais e zumbido, podem ocorrer. Complicações trombóticas são frequentes e incluem acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, trombose venosa profunda e síndrome de Budd-Chiari. Sangramentos, embora menos comuns, podem se manifestar como epistaxe, gengivorragia ou hematomas. Esplenomegalia é um achado comum e pode causar saciedade precoce ou dor abdominal. Em fases avançadas, sintomas de anemia, perda de peso e febre podem indicar transformação para mielofibrose ou leucemia.
Complicações possíveis
Eventos trombóticos
Trombose arterial (ex.: AVC, IAM) ou venosa (ex.: TVP, embolia pulmonar) devido à hiperviscosidade e ativação plaquetária.
Sangramento
Hemorragias como epistaxe, gengivorragia ou gastrointestinal, resultantes de disfunção plaquetária qualitativa.
Transformação para mielofibrose
Progressão para mielofibrose secundária com fibrose medular, anemia e esplenomegalia maciça.
Leucemia mieloide aguda
Transformação para leucemia aguda, associada a mau prognóstico e alta mortalidade.
Hiperuricemia e gota
Aumento do ácido úrico devido ao turnover celular acelerado, podendo levar à artrite gotosa.
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A Policitemia Vera tem uma incidência anual de 0,5 a 2,5 casos por 100.000 indivíduos, com maior prevalência em idosos (idade média de 60 anos) e ligeira predomínio no sexo masculino. É mais comum em populações de ascendência europeia. A mutação JAK2 V617F está presente em mais de 95% dos casos, e fatores de risco incluem exposição à radiação ionizante. A PV representa aproximadamente 22% de todas as neoplasias mieloproliferativas.
Prognóstico
O prognóstico da Policitemia Vera é variável, com sobrevida mediana superior a 10-15 anos quando tratada adequadamente. Fatores de risco para pior prognóstico incluem idade avançada, história de trombose, leucocitose e transformação para mielofibrose ou leucemia. O manejo com flebotomia e agentes citoredutores reduz o risco trombótico e melhora a qualidade de vida, mas a doença permanece incurável, com potencial para complicações graves. A monitorização regular é crucial para detectar progressão precoce.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da Policitemia Vera baseia-se nos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2016. Critérios maiores: 1) Hemoglobina >16,5 g/dL (homens) ou >16,0 g/dL (mulheres), ou hematócrito >49% (homens) ou >48% (mulheres), ou massa eritrocitária aumentada; 2) Biópsia de medula óssea mostrando hipercelularidade com proliferação das três linhagens mieloides (pan-mielose); 3) Presença da mutação JAK2 V617F ou JAK2 exon 12. Critérios menores: Nível sérico de eritropoietina abaixo do normal. O diagnóstico requer a presença de todos os três critérios maiores ou dos dois primeiros critérios maiores mais o critério menor. A confirmação laboratorial é essencial para diferenciar de outras causas de eritrocitose.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Eritrocitose secundária
Aumento de eritrócitos devido a hipóxia crônica (ex.: doença pulmonar obstrutiva crônica, apneia do sono), tumores produtores de eritropoietina (ex.: carcinoma renal, hepatoma), ou uso de andrógenos. Diferencia-se pela ausência de mutação JAK2 e níveis normais ou elevados de eritropoietina.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017.
Trombocitemia essencial
Neoplasia mieloproliferativa caracterizada por trombocitose isolada, sem eritrocitose significativa. Pode compartilhar mutação JAK2, mas a biópsia de medula óssea mostra proliferação megacariocítica predominante.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017.
Mielofibrose primária
Distúrbio mieloproliferativo com fibrose medular, esplenomegalia maciça e eritropoiese extramedular. Diferencia-se pela presença de fibrose na biópsia e ausência de eritrocitose marcada.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017.
Síndrome mielodisplásica/mieloproliferativa
Sobreposição de características mielodisplásicas e mieloproliferativas, como na leucemia mielomonocítica crônica. Apresenta displasia celular e citopenias, ao contrário da PV.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017.
Eritrocitose familiar
Condição hereditária rara com mutações no gene do receptor de eritropoietina ou VHL, resultando em eritrocitose desde a infância. Ausência de mutação JAK2 e história familiar são distintivos.
Tefferi A, Vannucchi AM, Barbui T. Polycythemia vera: historical oversights, diagnostic details, and therapeutic views. Leukemia. 2021.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avaliação de hemoglobina, hematócrito, contagem de leucócitos e plaquetas. Mostra eritrocitose, frequentemente com leucocitose e trombocitose.
Detecção inicial de anormalidades hematológicas e monitorização da doença.
Dosagem de eritropoietina sérica
Medição dos níveis de eritropoietina no soro. Na PV, os níveis estão tipicamente baixos ou indetectáveis.
Diferenciação entre PV e eritrocitose secundária.
Pesquisa de mutação JAK2 V617F
Teste molecular para detectar a mutação JAK2 V617F no sangue periférico ou medula óssea.
Confirmação diagnóstica e diferenciação de outras neoplasias mieloproliferativas.
Biópsia de medula óssea com aspiração
Avaliação histológica da celularidade e morfologia medular. Mostra hipercelularidade com proliferação trilinear.
Avaliação de critérios diagnósticos e exclusão de outras doenças.
Estudo citogenético ou molecular
Análise de cariótipo ou painel de mutações (ex.: CALR, MPL) para avaliar anormalidades adicionais.
Prognóstico e detecção de transformação para leucemia.
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Acompanhamento com hemograma e exames clínicos para detecção precoce de progressão ou complicações.
Evitar fatores de risco trombótico
Controle de hipertensão, diabetes e abstinência tabágica para minimizar eventos vasculares.
Educação do paciente
Orientação sobre sinais de alerta para trombose, sangramento e quando buscar atendimento médico.
Vigilância e notificação
A Policitemia Vera não é uma doença de notificação compulsória obrigatória na maioria dos países, incluindo o Brasil. No entanto, o registro em bancos de dados oncológicos, como o Registro Hospitalar de Câncer (RHC), é recomendado para vigilância epidemiológica. A monitorização deve incluir acompanhamento hematológico regular para detecção de complicações e adesão ao tratamento. Em surtos ou clusters, investigações adicionais podem ser necessárias para excluir fatores ambientais.
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Não, a Policitemia Vera é uma doença crônica e incurável, mas o tratamento adequado pode controlar os sintomas, reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida, com sobrevida mediana superior a 10-15 anos.
A mutação JAK2 V617F é um marcador diagnóstico crucial, presente em mais de 95% dos casos, permitindo diferenciar a PV de outras causas de eritrocitose e guiar opções terapêuticas, como o uso de inibidores de JAK.
Os principais riscos incluem eventos trombóticos (ex.: AVC, IAM), sangramentos, transformação para mielofibrose ou leucemia aguda, e complicações relacionadas à hiperviscosidade, exigindo monitorização e manejo contínuos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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