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CID D32: Neoplasia benigna das meninges

D320
Neoplasia benigna das meninges cerebrais
D321
Neoplasia benigna das meninges espinhais
D329
Neoplasia benigna das meninges, não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A neoplasia benigna das meninges, comumente referida como meningioma, é um tumor primário do sistema nervoso central que se origina das células aracnoides das meninges, particularmente das vilosidades aracnoides. Esses tumores são tipicamente de crescimento lento, bem circunscritos e comprimem, mas não invadem, o tecido cerebral adjacente. A maioria dos meningiomas é classificada como grau I pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indicando baixo potencial de malignidade e baixa taxa de recorrência após ressecção completa. Embora benignos, podem causar significativa morbidade devido à compressão de estruturas neurológicas críticas, como nervos cranianos, vasos sanguíneos ou parênquima cerebral, dependendo da localização. Epidemiologicamente, representam aproximadamente 30% de todos os tumores intracranianos primários, com maior incidência em mulheres e pico de ocorrência na meia-idade e idosos.

Descrição clínica

Os meningiomas benignos são tumores encapsulados que surgem das meninges, frequentemente aderidos à dura-máter, e podem ocorrer em qualquer local onde haja tecido aracnoide, como convexidade cerebral, base do crânio, foice do cérebro, tentório do cerebelo ou canal vertebral. Clinicamente, o curso é insidioso, com sintomas dependentes do tamanho, localização e efeito de massa. Os sinais e sintomas comuns incluem cefaleia progressiva, convulsões, déficits neurológicos focais (como paresia, alterações sensoriais ou disfunção de nervos cranianos), e alterações cognitivas ou comportamentais. Em casos de localização para-selar, podem causar comprometimento visual devido à compressão do quiasma óptico. A progressão é geralmente lenta, permitindo adaptação neural, mas tumores grandes ou em locais críticos podem levar a emergências neurológicas.

Quadro clínico

O quadro clínico varia amplamente com a localização do tumor. Sintomas comuns incluem cefaleia crônica (frequentemente matinal ou posicional), convulsões (focais ou generalizadas), e déficits neurológicos progressivos como hemiparesia, afasia, ou alterações visuais. Meningiomas da base do crânio podem causar anosmia, diplopia, ou paralisia de nervos cranianos (ex.: III, IV, VI). Tumores para-selares levam a bitemporal hemianopsia, enquanto os da foice ou convexidade podem causar alterações motoras ou sensitivas. Em alguns casos, o tumor é assintomático e descoberto incidentalmente em exames de imagem. A evolução é tipicamente lenta, com sintomas se desenvolvendo ao longo de meses a anos.

Complicações possíveis

Hidrocefalia

Obstrução do fluxo de LCR por compressão de ventrículos ou aqueduto cerebral, levando a aumento da pressão intracraniana.

Edema cerebral peritumoral

Acúmulo de líquido no parênquima adjacente ao tumor, exacerbando efeito de massa e sintomas neurológicos.

Convulsões

Crises epilépticas devido à irritação cortical pelo tumor ou edema, podendo ser refratárias ao tratamento.

Déficits neurológicos focais irreversíveis

Danos permanentes a nervos cranianos ou tratos neurais por compressão prolongada, resultando em perda funcional.

Hemorragia intratumoral

Sangramento dentro do tumor, though raro em lesões benignas, pode causar agudização dos sintomas.

Epidemiologia

Meningiomas benignos são os tumores intracranianos primários mais comuns, representando cerca de 30-35% de todos os casos. A incidência anual é estimada em 2-8 por 100.000 pessoas, com maior frequência em mulheres (razão 2:1 em comparação com homens), possivelmente devido a influências hormonais. A idade média ao diagnóstico é de 45-65 anos, e a incidência aumenta com a idade. Fatores de risco incluem história de radioterapia cranial, neurofibromatose tipo 2, e possivelmente uso prolongado de hormônios. A distribuição geográfica é global, sem variações étnicas significativas.

Prognóstico

O prognóstico para neoplasia benigna das meninges é geralmente favorável, com sobrevida prolongada e baixa mortalidade relacionada ao tumor. Após ressecção cirúrgica completa (Simpson grau I), a taxa de recorrência em 10 anos é inferior a 10%. Fatores que influenciam o prognóstico incluem localização (ex.: base do crânio associada a maior morbidade), tamanho do tumor, e presença de edema significativo. Em casos de ressecção incompleta ou tumores inoperáveis, o crescimento residual pode exigir vigilância regular ou radioterapia adjuvante. A qualidade de vida pode ser afetada por déficits neurológicos residuais, mas muitos pacientes mantêm função independente.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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