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CID C46: Sarcoma de Kaposi

C460
Sarcoma de Kaposi da pele
C461
Sarcoma de Kaposi de tecidos moles
C462
Sarcoma de Kaposi do palato
C463
Sarcoma de Kaposi dos gânglios linfáticos
C467
Sarcoma de Kaposi de outras localizações
C468
Sarcoma de Kaposi de múltiplos órgãos
C469
Sarcoma de Kaposi, não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

O Sarcoma de Kaposi (SK) é uma neoplasia maligna multifocal de origem endotelial, caracterizada pela proliferação de células fusiformes e formação de lesões vasculares cutâneas, mucosas e viscerais. Está intimamente associado à infecção pelo herpesvírus humano tipo 8 (HHV-8), que desempenha um papel central na sua patogênese, induzindo transformação celular e angiogênese. Clinicamente, manifesta-se como máculas, pápulas, nódulos ou placas de coloração violácea a marrom, podendo envolver pele, trato gastrointestinal, pulmões e outros órgãos. Epidemiologicamente, apresenta quatro variantes principais: clássica (em idosos de origem mediterrânea ou judaica ashkenazi), endêmica (na África Subsaariana), iatrogênica (em pacientes imunossuprimidos) e associada à AIDS (a forma mais agressiva, com alta prevalência em homens que fazem sexo com homens e pessoas vivendo com HIV). O impacto clínico varia desde lesões indolentes até doença disseminada com morbidade significativa e mortalidade, especialmente em contextos de imunossupressão grave.

Descrição clínica

O Sarcoma de Kaposi é uma neoplasia vascular com apresentação clínica heterogênea, dependendo da variante. As lesões cutâneas iniciam-se como máculas assintomáticas que evoluem para pápulas, nódulos ou placas de coloração violácea a marrom, frequentemente localizadas em membros inferiores na forma clássica, ou disseminadas na forma associada à AIDS. Podem ulcerar, causar dor, edema e linfedema. O envolvimento mucocutâneo é comum, com lesões em cavidade oral, conjuntivas e genitais. A doença visceral, particularmente gastrointestinal e pulmonar, pode manifestar-se com sangramento, obstrução, dor abdominal, dispneia e derrame pleural. A progressão é lenta na forma clássica, mas rápida e agressiva em imunossuprimidos, com potencial para síndrome consumptiva.

Quadro clínico

O quadro clínico do Sarcoma de Kaposi varia conforme a variante. Na forma cutânea, observam-se lesões múltiplas ou solitárias, planas ou elevadas, de cor roxa a marrom, em pele e mucosas, podendo causar prurido, dor ou edema. Na forma visceral, sintomas incluem sangramento gastrointestinal, diarreia, dor abdominal, dispneia, tosse e derrame pleural. Sinais sistêmicos como febre, perda ponderal e linfadenopatia são comuns em doença avançada. A forma associada à AIDS frequentemente cursa com envolvimento disseminado e rápido crescimento das lesões, enquanto a forma clássica tem curso indolente. Complicações incluem obstrução de vias aéreas, compressão de estruturas vitais e superinfecção bacteriana.

Complicações possíveis

Obstrução de vias aéreas ou digestivas

Crescimento tumoral pode levar a obstrução laríngea, esofágica ou intestinal, causando dispneia, disfagia ou íleo.

Sangramento gastrointestinal ou pulmonar

Lesões vasculares friáveis podem ulcerar e causar hemorragias significativas, com risco de anemia e choque.

Edema e linfedema crônico

Comprometimento linfático por infiltração tumoral resulta em edema persistente, principalmente em membros inferiores.

Superinfecção bacteriana das lesões

Ulcerações cutâneas predisponentes a infecções secundárias, como celulite ou abscessos.

Comprometimento sistêmico e caquexia

Doença disseminada pode levar à síndrome consumptiva, com perda ponderal, fadiga e aumento da mortalidade.

Epidemiologia

O Sarcoma de Kaposi apresenta distribuição geográfica e populacional heterogênea. A forma associada à AIDS é a mais comum globalmente, com alta prevalência em homens que fazem sexo com homens e pessoas vivendo com HIV, especialmente antes da era TARV. A forma endêmica é frequente na África Subsaariana, afetando crianças e adultos jovens. A forma clássica ocorre principalmente em idosos do Mediterrâneo e Europa Oriental, com predomínio masculino. A forma iatrogênica surge em transplantados ou pacientes em imunossupressão crônica. A infecção por HHV-8 é endêmica em certas regiões, com taxas de soroprevalência variando de 50% em áreas endêmicas. No Brasil, a doença é notificada principalmente em contextos de AIDS.

Prognóstico

O prognóstico do Sarcoma de Kaposi é variável, dependendo da variante, extensão da doença e estado imunológico. Na forma clássica, o curso é indolente, com sobrevida prolongada, enquanto na forma associada à AIDS, a sobrevida média sem tratamento é de meses a poucos anos. Fatores prognósticos negativos incluem envolvimento visceral, baixa contagem de CD4+, sintomas constitucionais e resposta inadequada à terapia antirretroviral. Com o advento da TARV, a incidência e mortalidade diminuíram significativamente em pacientes HIV-positivos. O manejo adequado pode induzir regressão das lesões e melhorar a qualidade de vida, mas recidivas são comuns em imunossuprimidos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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