O CID é a base para registros clínicos, laudos e faturamento. Nosso sistema facilita a busca rápida e precisa do código certo, com sinônimos e filtros médicos atualizados.
Escolher o CID correto evita glosas e retrabalho. Com a nossa ferramenta, você encontra o código ideal em segundos, direto pela descrição clínica — sem abrir PDF ou manual extenso.
Use nosso buscador inteligente para encontrar o CID mais adequado com base no termo clínico, especialidade ou condição do paciente. Tudo validado com a CID-10 da OMS e atualizações nacionais.
CID C93: Leucemia monocítica
C930
Leucemia monocítica aguda
C931
Leucemia monocítica crônica
C932
Leucemia monocítica subaguda
C937
Outras leucemias monocíticas
C939
Leucemia monocítica, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A leucemia monocítica é uma neoplasia maligna hematológica caracterizada pela proliferação clonal e acumulação de precursores monocíticos na medula óssea, sangue periférico e outros tecidos. Pertence ao grupo das leucemias mieloides agudas (LMA) e é subclassificada de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) como LMA com diferenciação monocítica (subtipos M5a e M5b na classificação FAB). A fisiopatologia envolve mutações genéticas que levam à diferenciação anormal e proliferação descontrolada de monoblastos e promonócitos, resultando em supressão da hematopoese normal e infiltração de órgãos. Epidemiologicamente, representa aproximadamente 5-8% de todos os casos de LMA, com incidência aumentada em adultos e associação com exposições a agentes citotóxicos ou síndromes mielodisplásicas prévias. O impacto clínico é significativo, com alto risco de complicações infecciosas e hemorrágicas devido à disfunção medular e infiltração extramedular.
Descrição clínica
A leucemia monocítica manifesta-se com sinais e sintomas decorrentes da insuficiência medular e infiltração de tecidos por células monocíticas anormais. Clinicamente, os pacientes apresentam fadiga, palidez e dispneia devido à anemia; equimoses, petéquias e sangramentos por trombocitopenia; e infecções recorrentes por neutropenia. A infiltração extramedular é comum, com gengivite hipertrófica, hepatosplenomegalia, linfadenopatia e envolvimento cutâneo (leucemia cutis). Pode ocorrer síndrome de lise tumoral espontânea ou induzida por quimioterapia, com hiperuricemia, hiperfosfatemia e insuficiência renal. A progressão é rápida, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos.
Quadro clínico
O quadro clínico inclui sintomas inespecíficos como febre, sudorese noturna, perda de peso e astenia. Sinais de insuficiência medular: anemia (palidez, fadiga, taquicardia), trombocitopenia (sangramentos mucocutâneos, petéquias) e neutropenia (infecções bacterianas ou fúngicas). Manifestações de infiltração extramedular: gengivite hipertrófica e ulcerada, hepatomegalia, esplenomegalia, linfadenopatia, lesões cutâneas (nódulos ou pápulas eritematosas) e, raramente, envolvimento do sistema nervoso central (cefaleia, paralisias). A síndrome de lise tumoral pode apresentar-se com oligúria, edema e alterações eletrolíticas.
Complicações possíveis
Síndrome de lise tumoral
Liberação massiva de metabólitos intracelulares (ácido úrico, fosfato, potássio) levando a insuficiência renal aguda, arritmias e morte.
Infecções graves
Neutropenia profunda predispõe a sepse bacteriana, fungêmica ou viral, com alto risco de mortalidade.
Coagulopatia e sangramentos
Trombocitopenia e coagulação intravascular disseminada podem causar hemorragias intracranianas ou digestivas.
Infiltração de órgãos
Comprometimento hepático, esplênico ou do SNC pode levar a falência de órgãos e déficits neurológicos.
Resistência à quimioterapia
Falha na indução de remissão devido a mecanismos de resistência celular, associada a pior prognóstico.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A leucemia monocítica representa aproximadamente 5-8% de todos os casos de LMA, com incidência anual de 0,5-1,0 por 100.000 habitantes. É mais comum em adultos, com pico de incidência na sexta década de vida, e rara em crianças. Fatores de risco incluem exposição a quimioterápicos prévios, radiação, benzeno e síndromes mielodisplásicas. Não há predileção por sexo ou etnia. A sobrevida mediana é de 12-18 meses sem transplante, refletindo a agressividade da doença.
Prognóstico
O prognóstico da leucemia monocítica é variável, dependendo de fatores como idade, comorbidades, citogenética e resposta à terapia. Pacientes com mutações favoráveis (ex.: NPM1 sem FLT3-ITD) têm melhor sobrevida, enquanto anormalidades adversas (ex.: cariótipo complexo, mutação FLT3-ITD) conferem alto risco. A taxa de remissão completa com quimioterapia de indução é de 60-80%, mas a sobrevida global em 5 anos é de 20-40%. O transplante de células-tronco hematopoéticas em primeira remissão pode melhorar os desfechos em pacientes de alto risco. Complicações infecciosas e recidiva são as principais causas de morte.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se nos critérios da OMS (2016): presença de ≥20% de blastos na medula óssea ou sangue periférico, com evidência de diferenciação monocítica confirmada por citomorfologia, citoquímica (positividade para não-esterase sensível a fluoreto de sódio) e imunofenotipagem (expressão de CD14, CD64, CD11b, CD11c, CD4 e lisozima). A subclassificação em M5a (monoblástica) ou M5b (monocítica) depende da proporção de monoblastos versus promonócitos. Exclusão de outras neoplasias mieloides e linfoides por análise citogenética e molecular é essencial.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Leucemia Mieloide Aguda com maturação (LMA-M2)
Caracterizada por blastos mieloides com maturação além do estágio de promielócito, sem diferenciação monocítica predominante; diferenciação por imunofenotipagem (ausência de marcadores monocíticos específicos).
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017
Leucemia Mielomonocítica Crônica (LMMC)
Neoplasia mielodisplásica/mieloproliferativa com monocitose persistente e displasia em uma ou mais linhagens mieloides; diferenciação pela evolução crônica e critérios citogenéticos.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017
Síndrome Mielodisplásica com excesso de blastos
Apresenta citopenias e displasia com 10-19% de blastos na medula óssea; diferenciação pelo percentual de blastos e ausência de infiltração monocítica massiva.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017
Leucemia de Células Dendríticas Plasmocitoides
Neoplasia rara com envolvimento cutâneo e medular, semelhante à leucemia cutis; diferenciação por imunofenotipagem (expressão de CD123, TCL1).
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017
Linfoma com envolvimento leucêmico
Linfomas de alto grau (ex.: linfoma de Burkitt) podem apresentar células blastoides no sangue; diferenciação por imunofenotipagem (marcadores linfoides) e histologia.
WHO Classification of Tumours of Haematopoietic and Lymphoid Tissues, 2017
Exames recomendados
Hemograma completo com contagem de leucócitos e diferencial
Avalia citopenias, presença de blastos e monocitose no sangue periférico.
Triagem inicial para suspeita de leucemia e monitorização de complicações.
Mielograma com análise morfológica
Aspirado e biópsia de medula óssea para quantificação de blastos e avaliação da celularidade.
Confirmação diagnóstica e subclassificação conforme critérios OMS.
Imunofenotipagem por citometria de fluxo
Análise de antígenos de superfície celular (ex.: CD14, CD64) para confirmação de linhagem monocítica.
Diferenciação de outras leucemias e determinação de subtipos.
Citogenética convencional e FISH
Identificação de anormalidades cromossômicas (ex.: translocações, deleções) associadas ao prognóstico.
Estratificação de risco e orientação terapêutica.
Sequenciamento molecular
Detecção de mutações em genes como FLT3, NPM1, RUNX1 para prognóstico e alvos terapêuticos.
Personalização do tratamento e avaliação de resposta.
Bioquímica sérica (LDH, ácido úrico, creatinina)
Avaliação de enzimas e metabólitos relacionados à lise tumoral e função renal.
Detecção de síndrome de lise tumoral e monitorização durante o tratamento.
Punção lombar com citologia do LCR
Análise do líquido cefalorraquidiano para detecção de envolvimento do SNC.
Avaliação de extensão da doença e profilaxia do SNC.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Redução da exposição ocupacional a benzeno, radiação ionizante e quimioterápicos sem indicação formal.
Rastreamento em síndromes hereditárias
Monitorização em portadores de síndromes como anemia de Fanconi ou Li-Fraumeni com risco aumentado.
Acompanhamento de síndromes mielodisplásicas
Vigilância rigorosa em pacientes com MDS para detecção precoce de transformação leucêmica.
Vigilância e notificação
A leucemia monocítica é de notificação compulsória no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e no Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) no Brasil, conforme Portaria GM/MS nº 204/2016. A vigilância epidemiológica inclui monitoramento de incidência, mortalidade e fatores de risco ambientais. Profissionais de saúde devem notificar casos confirmados para fins de planejamento em saúde pública e investigação de aglomerados.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
A leucemia monocítica é sempre aguda (LMA-M5), caracterizada por proliferação rápida de blastos; não existe forma crônica, embora a leucemia mielomonocítica crônica (LMMC) seja uma entidade distinta com evolução mais indolente.
Geralmente não é hereditária, mas mutações germinativas em síndromes como anemia de Fanconi ou Li-Fraumeni podem predispor; a maioria dos casos é esporádica, com mutações somáticas adquiridas.
Incluem idade, performance status, citogenética (ex.: cariótipo complexo), mutações moleculares (FLT3-ITD, NPM1) e resposta à quimioterapia inicial; pacientes com mutações favoráveis têm melhor sobrevida.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...