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CID C71: Neoplasia maligna do encéfalo

C710
Neoplasia maligna do cérebro, exceto lobos e ventrículos
C711
Neoplasia maligna do lobo frontal
C712
Neoplasia maligna do lobo temporal
C713
Neoplasia maligna do lobo parietal
C714
Neoplasia maligna do lobo occipital
C715
Neoplasia maligna do ventrículo cerebral
C716
Neoplasia maligna do cerebelo
C717
Neoplasia maligna do tronco cerebral
C718
Neoplasia maligna do encéfalo com lesão invasiva
C719
Neoplasia maligna do encéfalo, não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

A neoplasia maligna do encéfalo, codificada como C71 na CID-10, refere-se a tumores cancerígenos primários que se originam no tecido cerebral, incluindo o cérebro, cerebelo, tronco encefálico e outras partes do encéfalo. Essas neoplasias são caracterizadas por crescimento celular descontrolado, invasão local e potencial para metástase, embora a disseminação para fora do sistema nervoso central seja menos comum em comparação com outros cânceres. A fisiopatologia envolve mutações genéticas que afetam vias de regulação do ciclo celular, como as associadas a genes supressores de tumor (e.g., TP53) e oncogenes, levando à proliferação anormal de células gliais ou neuronais. O impacto clínico é significativo, com manifestações neurológicas progressivas que podem incluir déficits motores, sensitivos, cognitivos e convulsões, resultando em alta morbidade e mortalidade. Epidemiologicamente, os tumores cerebrais primários representam aproximadamente 1-2% de todos os cânceres, com incidência variável por idade, sendo os gliomas mais frequentes em adultos e meduloblastomas em crianças, e fatores de risco como exposição à radiação ionizante e síndromes genéticas hereditárias (e.g., neurofibromatose).

Descrição clínica

A neoplasia maligna do encéfalo manifesta-se por sinais e sintomas relacionados à localização, tamanho e taxa de crescimento do tumor. Comumente, inclui cefaleia progressiva (frequentemente matinal ou associada a manobras de Valsalva), náuseas, vômitos, convulsões focais ou generalizadas, déficits neurológicos focais (e.g., hemiparesia, afasia, alterações visuais), e alterações cognitivas ou comportamentais. Em casos avançados, pode haver sinais de hipertensão intracraniana, como papiledema e deterioração do nível de consciência. A progressão é geralmente insidiosa, mas pode ser rápida em tumores de alto grau, com potencial para compressão de estruturas vitais e herniação cerebral.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme a localização do tumor: tumores em lobos frontais podem causar alterações de personalidade e déficits executivos; em lobos temporais, alucinações ou distúrbios de memória; em lobos parietais, deficits sensitivos ou apraxias; e em cerebelo, ataxia e nistagmo. Sintomas gerais incluem cefaleia, náuseas, vômitos (especialmente em tumores da fossa posterior), convulsões (presentes em até 50% dos casos), e em fases avançadas, letargia e coma. A evolução pode ser aguda em hemorragias intratumorais ou crônica em tumores de baixo grau.

Complicações possíveis

Herniação cerebral

Deslocamento de tecido cerebral devido a efeito de massa, podendo levar a compressão do tronco encefálico e morte.

Epilepsia refratária

Convulsões recorrentes não controladas por medicação, resultando de irritação cortical pelo tumor.

Déficits neurológicos permanentes

Perda de funções motoras, sensitivas ou cognitivas devido à invasão ou compressão de áreas eloquentes.

Hidrocefalia

Acúmulo de LCR por obstrução de vias, requerendo derivação ventricular.

Complicações do tratamento

e.g., neurotoxicidade por radioterapia ou quimioterapia, infecções pós-cirúrgicas.

Epidemiologia

Neoplasias malignas do encéfalo representam cerca de 1-2% de todos os cânceres, com incidência anual global de aproximadamente 3-5 por 100.000 habitantes. São mais frequentes em adultos, com pico de incidência entre 55-65 anos, e ligeiro predomínio masculino. No Brasil, estimativas do INCA indicam milhares de novos casos anualmente. Fatores de risco incluem exposição à radiação ionizante, história familiar e síndromes genéticas, enquanto a maioria dos casos é esporádica.

Prognóstico

O prognóstico varia amplamente com o tipo histológico, grau do tumor, localização, idade do paciente e extensão da ressecção cirúrgica. Tumores de alto grau (e.g., glioblastoma multiforme) têm sobrevida mediana de 12-15 meses com tratamento multimodal, enquanto tumores de baixo grau podem ter sobrevida prolongada. Fatores prognósticos incluem status do gene IDH1, metilação de MGMT, e performance status do paciente. Recidivas são comuns, e a qualidade de vida é frequentemente comprometida por sequelas neurológicas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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