CID C71: Neoplasia maligna do encéfalo
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Definição
A neoplasia maligna do encéfalo, codificada como C71 na CID-10, refere-se a tumores cancerígenos primários que se originam no tecido cerebral, incluindo o cérebro, cerebelo, tronco encefálico e outras partes do encéfalo. Essas neoplasias são caracterizadas por crescimento celular descontrolado, invasão local e potencial para metástase, embora a disseminação para fora do sistema nervoso central seja menos comum em comparação com outros cânceres. A fisiopatologia envolve mutações genéticas que afetam vias de regulação do ciclo celular, como as associadas a genes supressores de tumor (e.g., TP53) e oncogenes, levando à proliferação anormal de células gliais ou neuronais. O impacto clínico é significativo, com manifestações neurológicas progressivas que podem incluir déficits motores, sensitivos, cognitivos e convulsões, resultando em alta morbidade e mortalidade. Epidemiologicamente, os tumores cerebrais primários representam aproximadamente 1-2% de todos os cânceres, com incidência variável por idade, sendo os gliomas mais frequentes em adultos e meduloblastomas em crianças, e fatores de risco como exposição à radiação ionizante e síndromes genéticas hereditárias (e.g., neurofibromatose).
Descrição clínica
A neoplasia maligna do encéfalo manifesta-se por sinais e sintomas relacionados à localização, tamanho e taxa de crescimento do tumor. Comumente, inclui cefaleia progressiva (frequentemente matinal ou associada a manobras de Valsalva), náuseas, vômitos, convulsões focais ou generalizadas, déficits neurológicos focais (e.g., hemiparesia, afasia, alterações visuais), e alterações cognitivas ou comportamentais. Em casos avançados, pode haver sinais de hipertensão intracraniana, como papiledema e deterioração do nível de consciência. A progressão é geralmente insidiosa, mas pode ser rápida em tumores de alto grau, com potencial para compressão de estruturas vitais e herniação cerebral.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a localização do tumor: tumores em lobos frontais podem causar alterações de personalidade e déficits executivos; em lobos temporais, alucinações ou distúrbios de memória; em lobos parietais, deficits sensitivos ou apraxias; e em cerebelo, ataxia e nistagmo. Sintomas gerais incluem cefaleia, náuseas, vômitos (especialmente em tumores da fossa posterior), convulsões (presentes em até 50% dos casos), e em fases avançadas, letargia e coma. A evolução pode ser aguda em hemorragias intratumorais ou crônica em tumores de baixo grau.
Complicações possíveis
Herniação cerebral
Deslocamento de tecido cerebral devido a efeito de massa, podendo levar a compressão do tronco encefálico e morte.
Epilepsia refratária
Convulsões recorrentes não controladas por medicação, resultando de irritação cortical pelo tumor.
Déficits neurológicos permanentes
Perda de funções motoras, sensitivas ou cognitivas devido à invasão ou compressão de áreas eloquentes.
Hidrocefalia
Acúmulo de LCR por obstrução de vias, requerendo derivação ventricular.
Complicações do tratamento
e.g., neurotoxicidade por radioterapia ou quimioterapia, infecções pós-cirúrgicas.
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Epidemiologia
Neoplasias malignas do encéfalo representam cerca de 1-2% de todos os cânceres, com incidência anual global de aproximadamente 3-5 por 100.000 habitantes. São mais frequentes em adultos, com pico de incidência entre 55-65 anos, e ligeiro predomínio masculino. No Brasil, estimativas do INCA indicam milhares de novos casos anualmente. Fatores de risco incluem exposição à radiação ionizante, história familiar e síndromes genéticas, enquanto a maioria dos casos é esporádica.
Prognóstico
O prognóstico varia amplamente com o tipo histológico, grau do tumor, localização, idade do paciente e extensão da ressecção cirúrgica. Tumores de alto grau (e.g., glioblastoma multiforme) têm sobrevida mediana de 12-15 meses com tratamento multimodal, enquanto tumores de baixo grau podem ter sobrevida prolongada. Fatores prognósticos incluem status do gene IDH1, metilação de MGMT, e performance status do paciente. Recidivas são comuns, e a qualidade de vida é frequentemente comprometida por sequelas neurológicas.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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