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CID C48: Neoplasia maligna dos tecidos moles do retroperitônio e do peritônio

C480
Neoplasia maligna do retroperitônio
C481
Neoplasia maligna de partes especificadas do peritônio
C482
Neoplasia maligna do peritônio
C488
Neoplasia maligna dos tecidos moles do retroperitônio e do peritônio com lesão invasiva

Mais informações sobre o tema:

Definição

A neoplasia maligna do retroperitônio e do peritônio, classificada sob o código CID-10 C48, refere-se a tumores cancerígenos originários ou que afetam primariamente essas estruturas anatômicas. O retroperitônio é o espaço localizado posteriormente ao peritônio, contendo estruturas como rins, ureteres, pâncreas e grandes vasos, enquanto o peritônio é uma membrana serosa que reveste a cavidade abdominal e cobre os órgãos intra-abdominais. Essas neoplasias podem ser primárias, como sarcomas de tecidos moles ou mesoteliomas peritoneais, ou secundárias, decorrentes de metástases de outros cânceres, como ovário, cólon ou estômago. A fisiopatologia envolve proliferação celular descontrolada, invasão local e potencial disseminação, com impacto clínico significativo devido à localização profunda e sintomas inespecíficos, frequentemente levando a diagnóstico tardio. Epidemiologicamente, são relativamente raras, representando menos de 1% de todas as neoplasias malignas, com incidência variável conforme o tipo histológico e fatores de risco, como exposição ao asbesto para mesotelioma.

Descrição clínica

As neoplasias malignas do retroperitônio e peritônio manifestam-se com sintomas inespecíficos, como dor abdominal, distensão, massa palpável, perda de peso não intencional e fadiga. No retroperitônio, podem comprimir estruturas adjacentes, causando hidronefrose, edema de membros inferiores ou obstrução intestinal. No peritônio, frequentemente associam-se a ascite maligna, dor difusa e sinais de carcinomatose peritoneal. O curso é insidioso, com progressão lenta, e o diagnóstico é desafiador devido à sobreposição com condições benignas.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui dor abdominal crônica ou em cólica, aumento do volume abdominal por ascite ou massa, náuseas, vômitos, alterações do hábito intestinal, e emagrecimento. Sinais de compressão, como oligúria ou edema, podem estar presentes. Em estágios avançados, observa-se caquexia, obstrução intestinal e sintomas sistêmicos. A apresentação é frequentemente tardia, com doença localmente avançada ou metastática.

Complicações possíveis

Obstrução intestinal

Devido a compressão ou invasão tumoral, requer intervenção cirúrgica.

Ascite maligna

Acúmulo de líquido peritoneal, causando desconforto e risco de infecção.

Insuficiência renal

Por compressão ureteral ou vascular no retroperitônio.

Caquexia neoplásica

Síndrome metabólica com perda de massa muscular e fadiga.

Metástases distantes

Disseminação para fígado, pulmões ou outros órgãos, piorando o prognóstico.

Epidemiologia

Neoplasias malignas do retroperitônio e peritônio são raras, com incidência anual estimada em 0,5-1,0 por 100.000 habitantes. O mesotelioma peritoneal representa cerca de 10-15% de todos os mesoteliomas, com maior prevalência em homens e associado à exposição ocupacional ao asbesto. Sarcomas retroperitoneais correspondem a 10-15% dos sarcomas de tecidos moles. A incidência aumenta com a idade, pico entre 50-70 anos, e varia geograficamente conforme exposições ambientais.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente reservado, com sobrevida mediana variando de 6 a 24 meses, dependendo do tipo histológico, estadiamento e resposta ao tratamento. Mesotelioma peritoneal tem melhor prognóstico que formas pleurais, com sobrevida de até 5 anos em casos selecionados tratados com cirurgia citorredutora e quimioterapia intraperitoneal. Sarcomas retroperitoneais têm alto risco de recorrência local. Fatores prognósticos incluem ressecabilidade completa, performance status e ausência de metástases.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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