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CID C16: Neoplasia maligna do estômago

C160
Neoplasia maligna da cárdia
C161
Neoplasia maligna do fundo do estômago
C162
Neoplasia maligna do corpo do estômago
C163
Neoplasia maligna do antro pilórico
C164
Neoplasia maligna do piloro
C165
Neoplasia maligna da pequena curvatura do estômago, não especificada
C166
Neoplasia maligna da grande curvatura do estômago, não especificada
C168
Neoplasia maligna do estômago com lesão invasiva
C169
Neoplasia maligna do estômago, não especificado

Mais informações sobre o tema:

Definição

A neoplasia maligna do estômago, classificada pelo CID-10 como C16, refere-se a um grupo heterogêneo de tumores malignos originários da mucosa gástrica, sendo o adenocarcinoma o subtipo histológico mais prevalente, representando mais de 90% dos casos. Esta condição é caracterizada pela proliferação celular descontrolada no estômago, com potencial para invasão local, metastização linfática e hematogênica, frequentemente associada a fatores de risco como infecção por Helicobacter pylori, dieta rica em sal e defumados, tabagismo, e síndromes hereditárias como a neoplasia gástrica difusa hereditária. A fisiopatologia envolve alterações genéticas e epigenéticas que levam à ativação de oncogenes (ex: HER2, MET) e inativação de genes supressores de tumor (ex: TP53, CDH1), resultando em progressão através de lesões precursoras como gastrite atrófica e metaplasia intestinal. Epidemiologicamente, é uma das principais causas de mortalidade por câncer globalmente, com incidência variável geograficamente, sendo mais alta no Leste Asiático e partes da América do Sul, e apresentando pico de incidência na sexta e sétima décadas de vida. O impacto clínico é significativo, com prognóstico geralmente reservado devido ao diagnóstico frequentemente tardio, quando a doença já está avançada, destacando a importância da vigilância em grupos de alto risco.

Descrição clínica

A neoplasia maligna do estômago manifesta-se com sintomas inespecíficos inicialmente, como dispepsia, plenitude pós-prandial e dor epigástrica vaga, que podem progredir para sintomas mais alarmantes como perda de peso não intencional, anorexia, náuseas, vômitos (por vezes com sangue ou em 'borra de café'), disfagia (em tumores da cárdia) e massa abdominal palpável. Em fases avançadas, podem ocorrer sinais de obstrução gástrica, hemorragia digestiva aguda ou crônica (levando à anemia ferropriva), e metástases para fígado, pulmões, ossos ou peritônio (ex: carcinomatose peritoneal). A apresentação clínica pode variar conforme a localização do tumor (ex: antral, corporal, cárdia) e o subtipo histológico (difuso ou intestinal), com o tipo difuso frequentemente associado a pior prognóstico e menor resposta a terapias.

Quadro clínico

O quadro clínico da neoplasia maligna do estômago é insidioso e inespecífico nas fases iniciais, incluindo sintomas dispépticos como dor epigástrica, azia, saciedade precoce e eructações. Com a progressão, surgem sinais de alarme como perda de peso significativa (≥10% do peso corporal em 6 meses), anorexia persistente, náuseas, vômitos (podendo ser alimentares ou hemorrágicos), disfagia (em tumores proximais), melena ou hematêmese. Em casos avançados, podem estar presentes massa abdominal palpável, icterícia (por metástases hepáticas), ascite (por carcinomatose peritoneal), linfadenopatia supraclavicular (sinal de Virchow) ou nódulo periumbilical (sinal de Sister Mary Joseph). A anemia microcítica hipocrômica é frequente devido à perda sanguínea crônica ou à deficiência de ferro. A apresentação pode ser aguda em casos de obstrução pilórica, perfuração ou hemorragia maciça.

Complicações possíveis

Obstrução gástrica

Bloqueio do fluxo alimentar devido a tumor em antro ou cárdia, levando a vômitos, desidratação e desnutrição.

Hemorragia digestiva

Sangramento agudo ou crônico do tumor, resultando em hematêmese, melena, anemia e choque hipovolêmico.

Perfuração gástrica

Ruptura da parede do estômago pelo tumor, causando peritonite aguda e sepse, uma emergência cirúrgica.

Metástases

Disseminação tumoral para fígado, pulmões, ossos ou peritônio, com sintomas específicos do órgão afetado e piora do prognóstico.

Caquexia neoplásica

Síndrome de wasting caracterizada por perda de peso, anorexia e fadiga, mediada por citocinas inflamatórias.

Epidemiologia

A neoplasia maligna do estômago é a quinta neoplasia mais comum e a terceira causa de morte por câncer globalmente, com aproximadamente 1 milhão de novos casos e 800.000 mortes anuais. A incidência varia geograficamente, sendo alta no Leste Asiático (ex: Japão, Coreia), Europa Oriental e partes da América do Sul (ex: Chile, Colômbia), e baixa na América do Norte e África Ocidental. No Brasil, é um dos cânceres mais frequentes, com taxas ajustadas por idade em torno de 10-15/100.000 habitantes. A idade média ao diagnóstico é de 65-70 anos, com predomínio no sexo masculino (razão 2:1). Fatores de risco como H. pylori, dieta e tabagismo explicam parte das variações. A incidência de câncer de cárdia tem aumentado em algumas regiões, possivelmente relacionada à obesidade e refluxo gastroesofágico.

Prognóstico

O prognóstico da neoplasia maligna do estômago depende criticalmente do estágio ao diagnóstico. Em estágios iniciais (T1N0M0), a taxa de sobrevida em 5 anos pode ultrapassar 90% com tratamento cirúrgico adequado. No entanto, a maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados (III ou IV), com sobrevida em 5 anos inferior a 30%. Fatores prognósticos adversos incluem estadiamento avançado (T3/T4, N+, M1), subtipo histológico difuso, invasão linfovascular, margens cirúrgicas positivas e baixo estado performance. A resposta à quimioterapia e terapia-alvo (ex: trastuzumab para HER2-positivo) também influencia o desfecho. Programas de rastreamento em populações de alto risco podem melhorar o diagnóstico precoce e o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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