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CID C54: Neoplasia maligna do corpo do útero
C540
Neoplasia maligna do istmo do útero
C541
Neoplasia maligna do endométrio
C542
Neoplasia maligna do miométrio
C543
Neoplasia maligna do fundo do útero
C548
Neoplasia maligna do corpo do útero com lesão invasiva
C549
Neoplasia maligna do corpo do útero, não especificado
Mais informações sobre o tema:
Definição
O código C54 refere-se a neoplasias malignas do corpo do útero, que compreendem principalmente o endométrio e o miométrio. Estas neoplasias são caracterizadas por crescimento celular descontrolado e invasivo, com potencial para metástase. O carcinoma endometrial é o tipo histológico mais comum, representando mais de 90% dos casos, e está frequentemente associado a fatores de risco como obesidade, diabetes, nuliparidade e exposição prolongada a estrogênios sem oposição. A incidência é maior em mulheres na pós-menopausa, com pico entre 60 e 70 anos, e sua epidemiologia varia globalmente, sendo mais prevalente em países desenvolvidos devido a fatores relacionados ao estilo de vida. O impacto clínico é significativo, com potencial para morbidade por sangramento anormal, dor pélvica e complicações metastáticas, exigindo abordagem multidisciplinar para diagnóstico e tratamento.
Descrição clínica
As neoplasias malignas do corpo do útero manifestam-se principalmente como sangramento uterino anormal em mulheres na pós-menopausa, ou como sangramento intermenstrual ou menometrorragia em mulheres pré-menopáusicas. Outros sintomas incluem dor pélvica, dispareunia, secreção vaginal aquosa ou sanguinolenta, e em estágios avançados, sintomas constitucionais como perda de peso e fadiga. A palpação pode revelar aumento uterino, mas muitos casos são assintomáticos inicialmente. A progressão pode levar a invasão local (como para o colo do útero, parametríos ou bexiga) e metástases à distância, comumente para pulmões, fígado e ossos.
Quadro clínico
O quadro clínico típico inclui sangramento vaginal anormal (80-90% dos casos), que pode ser pós-menopáusico ou irregular em mulheres mais jovens. Dor pélvica ou abdominal baixa está presente em 10-20% dos casos, muitas vezes indicando doença avançada. Secreção vaginal aquosa ou sanguinolenta, dispareunia e sintomas urinários ou intestinais por compressão podem ocorrer. Em estágios metastáticos, sintomas como tosse, dispneia (metástases pulmonares), icterícia (hepáticas) ou dor óssea são observados. Exame físico pode revelar massa pélvica ou aumento uterino, mas é frequentemente normal nos estágios iniciais.
Complicações possíveis
Hemorragia uterina
Sangramento vaginal profuso que pode levar a anemia aguda e requer intervenção emergencial.
Metástases
Disseminação para pulmões, fígado, ossos ou outros órgãos, resultando em insuficiência orgânica e piora do prognóstico.
Obstrução ureteral
Compressão dos ureteres por massa tumoral, levando a hidronefrose e insuficiência renal.
Fístulas
Comunicação anormal entre útero e bexiga ou intestino, causando incontinência ou infecções.
Complicações pós-cirúrgicas
Incluem infecções, trombose venosa profunda e lesões de estruturas adjacentes durante histerectomia.
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O carcinoma do corpo do útero é a neoplasia ginecológica maligna mais comum em países desenvolvidos, com incidência anual de aproximadamente 10-20 por 100.000 mulheres. A idade média ao diagnóstico é 60 anos, com maior prevalência em mulheres brancas. Fatores de risco incluem obesidade (aumento do risco em 2-5 vezes), diabetes, nuliparidade, menarca precoce e menopausa tardia. A mortalidade é de cerca de 2-4 por 100.000, com tendência de aumento devido à epidemia de obesidade. No Brasil, dados do INCA estimam cerca de 6.000 novos casos anualmente.
Prognóstico
O prognóstico depende do estadiamento FIGO, tipo histológico, grau tumoral e profundidade de invasão miometrial. Estágios iniciais (I e II) têm taxa de sobrevida em 5 anos de 80-95%, enquanto estágios avançados (III e IV) reduzem para 50-60% ou menos. Fatores de bom prognóstico incluem tipo endometrioide, baixo grau histológico e ausência de invasão linfovascular. Recidivas ocorrem em 15-20% dos casos, geralmente nos primeiros 3 anos. Seguimento regular com exames clínicos e de imagem é essencial.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na histopatologia de amostras de endométrio, obtidas por biópsia endometrial ou curetagem. Critérios incluem: 1) Presença de adenocarcinoma endometrial confirmado por histologia; 2) Estadiamento conforme a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), considerando invasão miometrial, envolvimento cervical e metástases; 3) Exclusão de outras causas de sangramento anormal. Exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal (espessura endometrial >4-5 mm em mulheres pós-menopáusicas é sugestiva), e ressonância magnética pélvica auxiliam na avaliação de invasão local. Marcadores tumorais como CA-125 podem ser elevados em doença avançada.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Hiperplasia endometrial sem atipia
Proliferação benigna do endométrio, frequentemente associada a hiperestrogenismo, que pode mimetizar sangramento anormal, mas sem características citológicas malignas.
WHO Classification of Tumours: Female Genital Tumours, 5th ed.
Leiomioma uterino
Tumor benigno do miométrio que pode causar sangramento uterino anormal e aumento uterino, diferenciado por imagem e histologia.
UpToDate: Uterine fibroids (leiomyomas): Epidemiology, clinical features, diagnosis, and natural history
Carcinoma do colo do útero
Neoplasia maligna do colo uterino, que pode causar sangramento, mas geralmente associada a infecção por HPV e localização distinta.
NIH/NCI: Cervical Cancer Treatment (PDQ®)
Pólipos endometriais
Crescimentos benignos no endométrio que podem levar a sangramento irregular, diferenciados por histeroscopia e biópsia.
ACOG Practice Bulletin No. 128: Diagnosis of abnormal uterine bleeding in reproductive-aged women
Adenomiose
Presença de tecido endometrial no miométrio, causando dor pélvica e sangramento, diferenciada por ressonância magnética.
Radiology: Adenomyosis: US and MRI imaging features
Exames recomendados
Biópsia endometrial
Coleta de tecido endometrial por Pipelle ou curetagem para análise histopatológica.
Confirmar diagnóstico de neoplasia maligna e determinar tipo histológico.
Ultrassonografia transvaginal
Exame de imagem para avaliar espessura endometrial, morfologia uterina e presença de massas.
Triagem inicial para sangramento anormal e avaliação de invasão local.
Ressonância magnética pélvica
Imagem de alta resolução para estadiamento local, avaliando profundidade de invasão miometrial e envolvimento cervical.
Planejamento cirúrgico e detecção de extensão da doença.
Tomografia computadorizada de tórax, abdômen e pelve
Exame de imagem para detecção de metástases à distância.
Estadiamento completo em casos suspeitos de doença avançada.
Dosagem de CA-125
Marcador tumoral sérico que pode estar elevado em doença metastática.
Auxiliar no monitoramento de resposta ao tratamento e recidiva.
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Manutenção de IMC adequado para reduzir risco associado à obesidade e hiperestrogenismo.
Uso de progesterona em terapia hormonal
Em mulheres com útero intacto em terapia de reposição hormonal, adicionar progesterona para oposição ao estrogênio e prevenção de hiperplasia.
Rastreamento em síndromes hereditárias
Vigilância regular com ultrassonografia e biópsia para portadoras de síndrome de Lynch ou outras predisposições genéticas.
Vigilância e notificação
No Brasil, neoplasias malignas do corpo do útero são de notificação compulsória no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e no Registro de Câncer. Programas de rastreamento não são rotineiros, mas vigilância ativa é recomendada para mulheres com síndromes hereditárias (ex: Lynch). A ANVISA monitora tratamentos e a OMS inclui esses dados em estatísticas globais de câncer. Profissionais de saúde devem notificar casos confirmados para fins epidemiológicos e planejamento de saúde pública.
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Sangramento vaginal anormal, especialmente em mulheres na pós-menopausa, é o sintoma mais comum, presente em 80-90% dos casos, e deve sempre ser investigado.
O estadiamento segue o sistema FIGO, baseado em achados cirúrgicos e patológicos, incluindo profundidade de invasão miometrial, envolvimento cervical e presença de metástases.
Não, o rastreamento rotineiro não é recomendado para a população geral, mas é indicado para mulheres de alto risco, como portadoras de síndrome de Lynch.
Editorial Sanarmed
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