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CID C32: Neoplasia maligna da laringe
C320
Neoplasia maligna da glote
C321
Neoplasia maligna da região supraglótica
C322
Neoplasia maligna da região subglótica
C323
Neoplasia maligna das cartilagens da laringe
C328
Neoplasia maligna da laringe com lesão invasiva
C329
Neoplasia maligna da laringe, não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A neoplasia maligna da laringe refere-se ao crescimento celular anormal e descontrolado no tecido da laringe, com potencial para invasão local e metástase à distância. Esta condição é predominantemente classificada como carcinoma de células escamosas, representando mais de 90% dos casos, e está intimamente associada a fatores de risco como tabagismo e consumo excessivo de álcool. A laringe, órgão vital para a fonação, respiração e proteção das vias aéreas, quando afetada por neoplasia, pode levar a disfunções significativas, incluindo disfonia, disfagia e obstrução respiratória. Epidemiologicamente, é mais comum em homens com idade acima de 50 anos, com incidência variável globalmente, sendo um importante problema de saúde pública devido ao seu impacto na qualidade de vida e sobrevida.
Descrição clínica
A neoplasia maligna da laringe manifesta-se clinicamente com sintomas como rouquidão persistente, dor de garganta, disfagia, odinofagia, tosse, hemoptise, sensação de corpo estranho na garganta e, em estágios avançados, estridor e dispneia devido à obstrução das vias aéreas. A localização anatômica (supraglótica, glótica ou subglótica) influencia a apresentação sintomática, com lesões glóticas frequentemente causando disfonia precoce. O exame físico pode revelar massa palpável no pescoço, linfadenopatia cervical e alterações na mobilidade das pregas vocais. A progressão da doença pode resultar em invasão de estruturas adjacentes, como a tireoide e o esôfago, complicando o quadro clínico.
Quadro clínico
O quadro clínico da neoplasia maligna da laringe varia conforme o estádio e a localização. Na forma glótica, a disfonia é o sintoma inicial mais comum, persistente e progressiva. Na supraglótica, os pacientes podem apresentar odinofagia, disfagia e dor irradiada para o ouvido (otalgia referida). Na subglótica, os sintomas são mais insidiosos, com tosse e estridor em fases avançadas. Sinais de alarme incluem perda de peso não intencional, linfadenopatia cervical e hemoptise. A palpação cervical pode detectar massas fixas ou móveis, e a laringoscopia revela lesões exofíticas, ulceradas ou infiltrativas. Em casos de metástase, sintomas sistêmicos como fadiga e anorexia podem estar presentes.
Complicações possíveis
Obstrução das vias aéreas
Bloqueio mecânico da laringe por crescimento tumoral, leading to stridor, dyspnea, and potential respiratory failure.
Disfagia grave
Dificuldade de deglutição due to tumor invasion or compression, resulting in malnutrition and aspiration pneumonia.
Metástase
Disseminação para linfonodos cervicais, pulmões, fígado, or bones, worsening prognosis and requiring systemic therapy.
Fístulas
Comunicação anormal entre laringe e esôfago or skin, often post-treatment, leading to infection and feeding difficulties.
Alterações da voz permanente
Disfonia ou afonia após tratamento cirúrgico, impacting quality of life and communication.
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A neoplasia maligna da laringe é relativamente comum, representando aproximadamente 1-2% de todas as neoplasias malignas globalmente. A incidência é maior em homens, com razão homem:mulher em torno de 4:1, e pico de incidência entre 50 e 70 anos. Fatores regionais influenciam a epidemiologia; por exemplo, é mais prevalente em regiões com altas taxas de tabagismo e consumo de álcool. No Brasil, estima-se milhares de novos casos anualmente, com variações socioeconômicas. A mortalidade tem diminuído em países desenvolvidos devido a campanhas de prevenção e diagnóstico precoce, mas permanece alta em populações desfavorecidas.
Prognóstico
O prognóstico da neoplasia maligna da laringe depende do estadiamento no diagnóstico, localização anatômica, tipo histológico e comorbidades do paciente. Tumores glóticos em estágio inicial (T1-T2) têm taxa de sobrevida em 5 anos superior a 80-90%, enquanto tumores avançados (T3-T4) ou com metástases apresentam sobrevida abaixo de 50%. Fatores prognósticos adversos incluem envolvimento linfonodal, margens positivas na cirurgia e tabagismo persistente. O tratamento multimodal pode melhorar os desfechos, mas sequelas funcionais são comuns. A adesão ao seguimento é crucial para detecção precoce de recidivas.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de neoplasia maligna da laringe baseia-se na combinação de achados clínicos, exames de imagem e histopatologia. Critérios incluem: história clínica sugestiva (ex: tabagismo, disfonia persistente), exame físico com laringoscopia direta ou indireta evidenciando lesão suspeita, e confirmação histológica por biópsia que demonstre carcinoma de células escamosas ou outro tipo histológico. Estadiamento segue o sistema TNM da UICC/AJCC, considerando tamanho tumoral (T), envolvimento linfonodal (N) e metástases à distância (M). Exames de imagem como TC de pescoço e tórax são essenciais para avaliar extensão local e metástases. A presença de metástase em linfonodos cervicais ou à distância confirma a malignidade.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Laringite crônica
Inflamação persistente da laringe, often due to irritants like smoking or reflux, presenting with hoarseness but without mass lesions on imaging or biopsy.
UpToDate: 'Hoarseness in adults'
Papilomatose laríngea recorrente
Crescimentos benignos causados por HPV, leading to hoarseness and airway obstruction, but histology shows papillomas without malignant features.
PubMed: 'Recurrent respiratory papillomatosis'
Leucoplasia laríngea
Lesão pré-maligna caracterizada por placa branca na mucosa, que pode progredir para carcinoma, requiring biopsy for differentiation.
OMS: 'Classification of Head and Neck Tumours'
Granuloma de contato laríngeo
Lesão benigna often post-intubation or due to trauma, presenting with hoarseness, but biopsy shows granulation tissue without atypia.
Micromedex: 'Laryngeal granuloma'
Tuberculose laríngea
Infecção micobacteriana que pode simular neoplasia com ulcerações e disfonia, but histology and culture confirm TB.
Diretrizes Brasileiras de Tuberculose
Exames recomendados
Laringoscopia direta com biópsia
Exame endoscópico para visualização direta da laringe e coleta de tecido para análise histopatológica.
Confirmar diagnóstico e tipo histológico da neoplasia.
Tomografia computadorizada (TC) de pescoço e tórax
Imagem de cortes transversais para avaliar extensão tumoral, invasão de estruturas adjacentes e metástases linfonodais ou pulmonares.
Estadiamento da doença e planejamento terapêutico.
Ressonância magnética (RM) de pescoço
Imagem com melhor resolução de tecidos moles para detalhar invasão cartilaginosa e extensão para espaços profundos.
Complementar o estadiamento, especialmente em tumores avançados.
PET-CT
Tomografia por emissão de pósitrons combinada com TC para detectar metástases à distância e atividade metabólica tumoral.
Avaliar doença metastática e resposta ao tratamento.
Pan-endoscopia
Exame endoscópico completo de vias aerodigestivas superiores para descartar segundos tumores primários.
Triagem de neoplasias sincrônicas em pacientes de alto risco.
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Abandono do uso de tabaco para reduzir o risco principal de neoplasia laríngea e outras doenças relacionadas.
Moderação no consumo de álcool
Redução ou abstinência de bebidas alcoólicas para diminuir o risco sinérgico com o tabaco.
Proteção ocupacional
Uso de equipamentos de proteção individual em ambientes com exposição a carcinógenos, como poeiras e produtos químicos.
Rastreamento em grupos de risco
Avaliação regular com laringoscopia em pacientes com história de tabagismo, etilismo ou sintomas persistentes para detecção precoce.
Vigilância e notificação
A neoplasia maligna da laringe é de notificação compulsória em sistemas de registro de câncer no Brasil, como o Registro Hospitalar de Câncer (RHC) e o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Profissionais de saúde devem notificar casos confirmados para vigilância epidemiológica, permitindo monitoramento de tendências, planejamento de saúde pública e avaliação de programas de prevenção. A vigilância pós-tratamento inclui consultas regulares com otorrinolaringologista, exames de imagem periódicos e educação do paciente sobre sinais de recidiva. Em surtos ou clusters, investigações adicionais podem ser necessárias para identificar fatores de risco ambientais ou ocupacionais.
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Os principais fatores de risco incluem tabagismo crônico, consumo excessivo de álcool, exposição ocupacional a carcinógenos (como amianto), infecção por HPV e refluxo gastroesofágico. A combinação de tabaco e álcool aumenta significativamente o risco.
O diagnóstico precoce é baseado na avaliação de sintomas como rouquidão persistente por mais de 3 semanas, especialmente em fumantes, seguida de laringoscopia e biópsia de lesões suspeitas. Rastreamento em grupos de alto risco pode incluir exames regulares.
Para estágios iniciais (T1-T2), as opções incluem cirurgia conservadora (como cordectomia por laser) ou radioterapia exclusiva, com altas taxas de cura e preservação da função laríngea.
Sim, pode metastatizar para linfonodos cervicais, pulmões, fígado e ossos, especialmente em estágios avançados. O estadiamento com exames de imagem é crucial para detectar metástases.
Sequelas incluem disfonia permanente, disfagia, alterações estéticas, e necessidade de traqueostomia ou gastrostomia. Reabilitação fonoaudiológica e suporte nutricional são essenciais para melhorar a qualidade de vida.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...