CID B85: Pediculose e ftiríase
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Definição
A pediculose e ftiríase são infestações cutâneas causadas por piolhos, artrópodes ectoparasitas da ordem Phthiraptera, subordem Anoplura. A pediculose refere-se à infestação por piolhos do couro cabeludo (Pediculus humanus capitis), do corpo (Pediculus humanus corporis) ou púbico (Pthirus pubis), enquanto a ftiríase especificamente denota a infestação pelo piolho púbico (Pthirus pubis). Essas infestações são caracterizadas pela presença de piolhos adultos, ninfas e lêndeas (ovos) fixados aos pelos ou fibras de roupas, causando prurido intenso devido à reação de hipersensibilidade à saliva do parasita durante a alimentação por hematofagia. A transmissão ocorre principalmente por contato direto pessoa a pessoa ou indireto através de compartilhamento de objetos pessoais (pentes, toalhas, roupas de cama), sendo mais comum em ambientes com aglomeração e baixas condições de higiene. Epidemiologicamente, a pediculose do couro cabeludo é prevalente em crianças em idade escolar, enquanto a ftiríase é frequentemente associada a adultos sexualmente ativos, representando um problema de saúde pública global com significativo impacto na qualidade de vida devido ao desconforto e estigma social.
Descrição clínica
A apresentação clínica varia conforme a espécie de piolho. Na pediculose do couro cabeludo, observa-se prurido intenso no couro cabeludo, especialmente na região occipital e retroauricular, com escoriações, pápulas eritematosas, e possíveis infecções bacterianas secundárias como impetigo. Lêndeas branco-acinzentadas aderidas firmemente aos fios de cabelo são um achado característico. Na pediculose do corpo, o prurido é generalizado, com lesões maculopapulares, escoriações e pigmentação melânica da pele (máculas cerúleas) em casos crônicos; os piolhos e lêndeas são encontrados nas costuras das roupas. Na ftiríase, há prurido na região pubiana, podendo estender-se a axilas, cílios e sobrancelhas; observam-se pápulas eritematosas, escoriações e, ocasionalmente, manchas azuladas (máculas cerúleas) no local das picadas, resultantes da hemólise intradérmica.
Quadro clínico
O quadro clínico é dominado por prurido intenso nas áreas infestadas, que pode levar a irritabilidade, distúrbios do sono e prejuízo das atividades diárias. Na pediculose capitis: prurido no couro cabeludo, visível aderência de lêndeas aos fios (especialmente na base), pápulas eritematosas, escoriações e, em casos graves, linfadenopatia cervical e infecções secundárias como foliculite ou impetigo. Na pediculose corporis: prurido generalizado, lesões papulosas, escoriações lineares, e dermatite por coçar; os piolhos são raramente vistos na pele, estando principalmente nas roupas. Na ftiríase: prurido pubiano, pápulas eritematosas, escoriações, e possíveis máculas cerúleas (manchas azul-acinzentadas de 0,5-1 cm); infestação de cílios pode causar blefarite. Em todos os tipos, a identificação de piolhos vivos ou lêndeas viáveis é crucial para o diagnóstico.
Complicações possíveis
Infecções bacterianas secundárias
Como impetigo, foliculite ou celulite, devido a escoriações por coçar, podendo levar a abscessos ou linfadenite.
Dermatite de coçar
Lesões liquenificadas e hiperpigmentação crônica da pele resultantes do prurido persistente.
Anemia
Rara, mas possível em infestações maciças e prolongadas, especialmente em indivíduos desnutridos.
Impacto psicossocial
Ansiedade, vergonha e isolamento social devido ao estigma associado à infestação.
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Epidemiologia
A pediculose e ftiríase têm distribuição global, afetando milhões anualmente. A pediculose capitis é mais prevalente em crianças de 3 a 12 anos, com taxas de 5-15% em países desenvolvidos e até 40% em áreas com aglomeração; não está diretamente relacionada à higiene. A pediculose corporis é associada a condições de pobreza, sem-teto e aglomeração, podendo ser vetor de doenças como tifo epidêmico. A ftiríase é mais comum em adultos sexualmente ativos, com picos em jovens de 15-25 anos. Fatores de risco incluem contato próximo, compartilhamento de itens pessoais e imunodepressão. No Brasil, é endêmica, com surtos frequentes em escolas e comunidades carentes.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, resultando em resolução completa da infestação. A pediculose capitis e ftiríase respondem bem a pediculicidas tópicos, com cura esperada em 1-2 semanas se seguidas medidas de higiene e tratamento de contatos. Recidivas são comuns devido à reinfestação ou resistência a medicamentos, exigindo reavaliação e alternância de terapias. Complicações como infecções secundárias podem prolongar o curso, mas são manejáveis com antibióticos. Em populações vulneráveis, o prognóstico pode ser menos favorável sem intervenções de saúde pública.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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