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CID B68: Infestação por Taenia
B680
Infestação por Taenia solium
B681
Infestação por Taenia saginata
B689
Infestação não especificada por Taenia
Mais informações sobre o tema:
Definição
A teníase é uma infecção intestinal causada por cestódeos adultos do gênero Taenia, principalmente Taenia solium (tênia do porco) e Taenia saginata (tênia do boi), adquirida pela ingestão de cisticercos em carne bovina ou suína mal cozida. A cisticercose, por sua vez, é uma infecção tecidual causada pela forma larvária (cisticerco) de T. solium, resultante da ingestão de ovos do parasita, podendo levar a manifestações neurológicas graves, como neurocisticercose, quando os cistos se localizam no sistema nervoso central. Ambas as condições são consideradas doenças negligenciadas, com impacto significativo na saúde pública, especialmente em regiões com saneamento básico inadequado e práticas de criação de animais. A epidemiologia mostra maior prevalência em áreas rurais e em desenvolvimento, onde a teníase atua como principal fator de risco para a transmissão da cisticercose humana.
Descrição clínica
A teníase geralmente se apresenta como uma infecção intestinal assintomática ou com sintomas leves, como dor abdominal, náuseas, diarreia, perda de peso e eliminação de proglótides nas fezes. A cisticercose pode ser assintomática ou manifestar-se de forma variada dependendo da localização dos cistos; na forma neurocisticercose, os sintomas incluem convulsões, cefaleia, hipertensão intracraniana, déficits neurológicos focais e alterações cognitivas, enquanto a localização ocular pode causar diminuição da acuidade visual e uveíte. O curso clínico é influenciado pelo número, tamanho, localização e estágio dos cistos, bem como pela resposta imune do hospedeiro.
Quadro clínico
Para teníase: frequentemente assintomática; quando sintomática, inclui dor abdominal epigástrica ou difusa, náuseas, alterações do apetite, diarreia, prurido anal e observação de proglótides móveis nas fezes ou roupas íntimas. Para cisticercose: formas variam de assintomática a sintomática; neurocisticercose pode apresentar convulsões (focais ou generalizadas), cefaleia, vômitos, papiledema, déficits motores ou sensitivos, alterações mentais e hidrocefalia; cisticercose muscular geralmente assintomática, mas pode causar nódulos palpáveis; cisticercose ocular pode levar a visão turva, dor ocular e descolamento de retina.
Complicações possíveis
Neurocisticercose sintomática
Pode levar a epilepsia refratária, hidrocefalia obstrutiva, aumento da pressão intracraniana, acidente vascular cerebral e déficits neurológicos permanentes.
Cegueira
Na cisticercose ocular, os cistos podem causar uveíte, descolamento de retina e perda irreversível da visão se não tratada precocemente.
Morte
Pode ocorrer em casos graves de neurocisticercose devido a hipertensão intracraniana não controlada, encefalite ou complicações pós-cirúrgicas.
Complicações gastrointestinais
Na teníase, raramente pode causar obstrução intestinal, apendicite ou migração aberrantes do parasita.
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A teníase e cisticercose são endêmicas em regiões da América Latina, Ásia e África, com estimativas de 2,5 a 8,3 milhões de casos de neurocisticercose globalmente. A incidência é maior em áreas com saneamento precário, criação de suínos em condições inadequadas e consumo de carne mal cozida. No Brasil, é mais prevalente nas regiões Sul e Sudeste. Fatores de risco incluem pobreza, educação sanitária insuficiente e contato com fezes humanas contaminadas. A transmissão é fecal-oral, com humanos como únicos hospedeiros definitivos para T. solium e T. saginata.
Prognóstico
O prognóstico da teníase é geralmente bom, com resolução após tratamento antiparasitário. Na cisticercose, varia conforme a localização e estágio dos cistos; a neurocisticercose ativa tem prognóstico reservado, com risco de sequelas neurológicas, mas o tratamento adequado pode melhorar os desfechos, especialmente em cistos únicos e parenquimatosos. Cistos calcificados podem ser assintomáticos, mas associados a epilepsia crônica. A mortalidade é baixa na teníase, mas significativa na neurocisticercose não tratada.
Critérios diagnósticos
Baseiam-se em critérios estabelecidos pela OMS e diretrizes internacionais. Para teníase: identificação de proglótides ou ovos nas fezes por exame parasitológico; confirmação por PCR ou sorologia em alguns casos. Para cisticercose: critérios absolutos incluem visualização histopatológica do parasita ou evidência de escólex em neuroimagem; critérios maiores incluem lesões sugestivas em TC ou RNM (cistos com escólex, calcificações), teste sorológico positivo (como ELISA ou immunoblot), e resolução de cistos após terapia; critérios menores incluem sintomas sugestivos, evidência de teníase intestinal ou contato com caso confirmado. O diagnóstico definitivo requer combinação de critérios clínicos, epidemiológicos, de imagem e laboratoriais.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Neurocisticercose vs. outras infecções parasitárias do SNC
A neurocisticercose deve ser diferenciada de toxoplasmose, equinococose e esquistossomose cerebral, que também podem causar lesões císticas e sintomas neurológicos; a toxoplasmose é comum em imunodeprimidos e apresenta lesões com realce em anel na imagem, enquanto a equinococose tem cistos únicos e maiores.
WHO. Guidelines for surveillance, prevention and control of taeniasis/cysticercosis. 2021.
Teníase vs. outras helmintíases intestinais
A teníase pode ser confundida com infecções por Ascaris lumbricoides ou Enterobius vermicularis, que também causam sintomas abdominais e prurido anal; a diferenciação é feita pela morfologia dos parasitas ou ovos no exame de fezes.
CDC. DPDx - Laboratory Identification of Parasites of Public Health Concern. 2020.
Cisticercose muscular vs. outras miopatias
Nódulos musculares na cisticercose podem mimetizar tumores benignos, cistos sinoviais ou triquinelose; a triquinelose apresenta mialgia intensa, febre e eosinofilia, diferenciada por sorologia e biópsia.
Garcia HH, et al. Clinical symptoms, diagnosis, and treatment of neurocysticercosis. Lancet Neurol. 2014.
Convulsões na neurocisticercose vs. epilepsia idiopática
Crises epilépticas na neurocisticercose devem ser distinguidas de epilepsias primárias; a neuroimagem e a história epidemiológica são cruciais, pois a neurocisticercose frequentemente mostra cistos ou calcificações características.
Carpio A, et al. New diagnostic criteria for neurocysticercosis: Reliability and validity. Ann Neurol. 2016.
Hidrocefalia na cisticercose vs. outras causas
A hidrocefalia na neurocisticercose pode ser confundida com causas congênitas, tumorais ou infecciosas como meningite bacteriana; a presença de cistos intraventriculares na imagem auxilia no diagnóstico diferencial.
White AC Jr, et al. Diagnosis and treatment of neurocysticercosis: 2017 Clinical Practice Guidelines by the Infectious Diseases Society of America and the American Society of Tropical Medicine and Hygiene. Clin Infect Dis. 2018.
Exames recomendados
Exame parasitológico de fezes
Identificação de ovos ou proglótides de Taenia para diagnóstico de teníase; método de escolha inicial, mas pode ter baixa sensibilidade.
Confirmar infecção intestinal por Taenia e diferenciar entre T. solium e T. saginata com base na morfologia.
Tomografia computadorizada (TC) de crânio
Detecta cistos, calcificações, edema e hidrocefalia na neurocisticercose; útil para estadiamento e avaliação de complicações.
Avaliar a localização, número e estágio dos cistos no SNC, guiando o manejo terapêutico.
Ressonância magnética (RNM) de crânio
Fornece imagens detalhadas de cistos vivos, escólex, edema perilesional e lesões em estágios iniciais; superior à TC para cistos não calcificados.
Melhor caracterização de cistos ativos e avaliação de envolvimento parenquimatoso ou ventricular.
Sorologia (ELISA ou immunoblot)
Detecção de anticorpos anti-Taenia no soro ou líquor; immunoblot é mais específico para cisticercose.
Auxiliar no diagnóstico de cisticercose, especialmente em casos suspeitos com neuroimagem negativa ou ambígua.
Biópsia tecidual
Coleta de tecido para exame histopatológico; utilizada em casos de cisticercose extraneural com nódulos suspeitos.
Confirmação diagnóstica através da identificação da estrutura do cisticerco.
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Aquecer carne bovina e suína a pelo menos 65°C para destruir cisticercos.
Saneamento básico
Melhorar condições de esgoto e evitar contaminação fecal do solo e água.
Inspeção veterinária
Fiscalização rigorosa de matadouros para identificar e eliminar carnes contaminadas.
Higiene pessoal
Lavar as mãos após usar o bantero e antes de manipular alimentos.
Vigilância e notificação
No Brasil, a teníase e cisticercose são doenças de notificação compulsória, integrando o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A vigilância envolve a detecção de casos por exames laboratoriais e de imagem, investigação de surtos, e medidas de controle como inspeção de carne e educação em saúde. A notificação é essencial para interromper a transmissão, especialmente em comunidades endêmicas, e deve ser feita imediatamente aos órgãos de saúde pública.
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A teníase é a infecção intestinal pelo verme adulto de Taenia, adquirida por ingestão de carne com cisticercos, enquanto a cisticercose é a infecção tecidual pela larva (cisticerco), resultante da ingestão de ovos de T. solium, podendo afetar cérebro, músculos e olhos.
Não, a cisticercose não é transmitida diretamente entre pessoas; a transmissão ocorre pela ingestão de ovos de T. solium presentes em fezes humanas contaminadas, via fecal-oral.
Medidas incluem cozinhar bem a carne, lavar as mãos, melhorar o saneamento básico e inspecionar carnes em matadouros; a educação em saúde é fundamental para reduzir a transmissão.
O tratamento envolve antiparasitários (albendazol ou praziquantel), corticosteroides para controle da inflamação, anticonvulsivantes para crises, e intervenções cirúrgicas para complicações como hidrocefalia.
Sim, portadores de teníase por T. solium podem eliminar ovos nas fezes, que, se ingeridos por humanos (autoinfecção ou heteroinfecção), podem desenvolver cisticercose, destacando a importância do tratamento da teníase para prevenir a disseminação.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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