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CID B55: Leishmaniose

B550
Leishmaniose visceral
B551
Leishmaniose cutânea
B552
Leishmaniose cutâneo-mucosa
B559
Leishmaniose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A leishmaniose é uma doença infecciosa zoonótica ou antroponótica causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida principalmente pela picada de flebotomíneos infectados. A doença apresenta um espectro clínico variado, que inclui formas cutâneas, mucocutâneas e viscerais, dependendo da espécie de Leishmania e da resposta imune do hospedeiro. A leishmaniose é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com impacto significativo na saúde pública devido à sua morbidade e potencial letalidade, especialmente na forma visceral. A patogênese envolve a invasão de macrófagos pelo parasita, levando a uma resposta imune complexa que pode resultar em destruição tecidual ou disseminação sistêmica.

Descrição clínica

A leishmaniose manifesta-se de forma diversa, com a forma cutânea caracterizando-se por lesões ulceradas na pele, a forma mucocutânea por destruição de mucosas (como nasal e oral), e a forma visceral por febre, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e caquexia. O curso clínico pode ser agudo ou crônico, com complicações como hemorragias, infecções secundárias e insuficiência orgânica na forma visceral.

Quadro clínico

Na leishmaniose cutânea: úlcera única ou múltipla com bordas elevadas e fundo granuloso, geralmente indolor. Na leishmaniose mucocutânea: lesões destrutivas em mucosas nasais, orais ou faríngeas, com epistaxe, obstrução nasal e perfuração de septo. Na leishmaniose visceral: febre irregular, perda de peso, esplenomegalia maciça, hepatomegalia, linfadenopatia, pancitopenia, e sinais de desnutrição. Pode evoluir com complicações como hemorragias, infecções bacterianas e síndrome da resposta inflamatória sistêmica.

Complicações possíveis

Hemorragia

Sangramentos espontâneos devido à trombocitopenia na leishmaniose visceral.

Infecções bacterianas secundárias

Sepse ou abscessos em lesões cutâneas ou em pacientes imunossuprimidos.

Desfiguração

Destruição tecidual irreversível na leishmaniose mucocutânea, afetando funcionalidade e estética.

Insuficiência hepática ou renal

Comprometimento orgânico devido à infiltração parasitária ou resposta inflamatória sistêmica.

Síndrome de ativação macrofágica

Complicação rara na leishmaniose visceral, com hipercitocinemia e falência de múltiplos órgãos.

Epidemiologia

A leishmaniose é endêmica em mais de 90 países, com cerca de 700.000 a 1 milhão de novos casos anuais de forma cutânea e 50.000 a 90.000 de forma visceral (dados OMS). No Brasil, é uma doença de notificação compulsória, com alta incidência na região Nordeste para a forma visceral e na Amazônia para a cutânea. Fatores de risco incluem pobreza, desmatamento, migração e imunossupressão (ex.: HIV). A transmissão é influenciada por ciclos zoonóticos (ex.: cães como reservatórios) e antroponóticos.

Prognóstico

O prognóstico varia com a forma clínica e acesso ao tratamento. A leishmaniose cutânea geralmente tem bom prognóstico, com cura espontânea ou após terapia, mas pode deixar cicatrizes. A leishmaniose mucocutânea tem prognóstico reservado devido ao potencial de desfiguração e recidivas. A leishmaniose visceral, se não tratada, é fatal em mais de 90% dos casos; com tratamento adequado, a mortalidade cai para menos de 5%, mas sequelas como desnutrição e imunossupressão podem persistir.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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