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CID B45: Criptococose

B450
Criptococose pulmonar
B451
Criptococose cerebral
B452
Criptococose cutânea
B453
Criptococose óssea
B457
Criptococose disseminada
B458
Outras formas de criptococose
B459
Criptococose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A criptococose é uma infecção fúngica sistêmica causada principalmente por Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii, fungos encapsulados leveduriformes ubiquitários no ambiente, especialmente em solos contaminados com excretas de aves (pombos). A doença afeta predominantemente indivíduos imunocomprometidos, como portadores de HIV/AIDS, transplantados ou em uso de imunossupressores, mas pode ocorrer em imunocompetentes, com manifestações que variam de infecções pulmonares assintomáticas a meningoencefalite grave. A patogênese envolve inalação de basidiósporos, seguida de disseminação hematogênica para o sistema nervoso central (SNC), onde a cápsula polissacarídica do fungo confere resistência à fagocitose e à resposta imune do hospedeiro. Epidemiologicamente, é uma micose oportunista de relevância global, com alta incidência em regiões com alta prevalência de HIV, representando uma causa significativa de morbimortalidade em populações vulneráveis.

Descrição clínica

A criptococose apresenta um espectro clínico amplo, desde infecções pulmonares subclínicas até formas disseminadas com envolvimento do SNC. A apresentação pulmonar pode incluir tosse, dor torácica, febre e dispneia, frequentemente mimetizando pneumonia bacteriana ou tuberculose. A forma mais grave é a meningoencefalite, caracterizada por cefaleia, náuseas, vômitos, alterações do estado mental, rigidez de nuca e sinais de hipertensão intracraniana. Em pacientes imunocomprometidos, a disseminação pode levar a lesões cutâneas (pápulas, úlceras ou nódulos), envolvimento ósseo, ocular ou de outros órgãos. A evolução é frequentemente insidiosa, com piora progressiva se não tratada, podendo resultar em sequelas neurológicas ou óbito.

Quadro clínico

O quadro clínico da criptococose varia conforme o estado imune do hospedeiro e os órgãos envolvidos. Na forma pulmonar, os sintomas incluem tosse produtiva ou não produtiva, febre baixa, dor torácica, dispneia e, raramente, hemoptise; radiograficamente, podem ser observados nódulos, infiltrados ou cavitações. A meningoencefalite é a manifestação mais comum e grave, com início insidioso de cefaleia persistente, febre, náuseas, vômitos, fotofobia, rigidez de nucae alterações cognitivas (confusão, letargia); em estágios avançados, podem ocorrer convulsões, déficits focais e coma. Formas disseminadas podem apresentar lesões cutâneas (pápulas, úlceras ou placas), hepatosplenomegalia, envolvimento ósseo (osteíte) ou ocular (coriorretinite). Em pacientes com AIDS, a doença é frequentemente disseminada e de curso rápido, com alta mortalidade se não tratada precocemente.

Complicações possíveis

Hipertensão intracraniana

Aumento da pressão intracraniana devido ao bloqueio do fluxo do líquor por inflamação meníngea ou criptococomas, podendo levar a cefaleia refratária, déficits visuais e risco de herniação cerebral.

Hidrocefalia

Acúmulo de líquor no sistema ventricular por obstrução, requerendo intervenções como derivação ventrículo-peritoneal em casos graves.

Sequeles neurológicas

Déficits cognitivos, perda auditiva, distúrbios visuais ou motorres persistentes após a infecção, especialmente em casos de diagnóstico tardio.

Disseminação multissistêmica

Envolvimento de pulmões, pele, ossos, fígado e baço, levando a insuficiência orgânica e aumento da morbidade.

Síndrome da reconstituição imune (IRIS)

Piora paradoxal dos sintomas após início da terapia antirretroviral em pacientes HIV-positivos, devido à restauração da resposta imune contra antígenos fúngicos.

Epidemiologia

A criptococose é uma micose global, com estimativa de mais de 200.000 casos anuais de meningite criptocócica, principalmente em regiões com alta prevalência de HIV, como África Subsaariana e Sudeste Asiático. Cryptococcus neoformans é responsável pela maioria dos casos em imunocomprometidos, enquanto C. gattii está associado a surtos em áreas temperadas e tropicais, afetando também imunocompetentes. No Brasil, a doença é endêmica, com casos relatados em todas as regiões, frequentemente em pacientes com AIDS. A incidência tem diminuído com o acesso à terapia antirretroviral, mas permanece uma causa importante de mortalidade em populações com acesso limitado à saúde.

Prognóstico

O prognóstico da criptococose depende do estado imune do hospedeiro, localização da infecção e rapidez do diagnóstico e tratamento. Em meningoencefalite, a mortalidade pode chegar a 20-30% em imunocomprometidos, mesmo com terapia adequada, devido a complicações como hipertensão intracraniana e IRIS. Fatores de mau prognóstico incluem alto título de antígeno no líquor, alteração do nível de consciência ao diagnóstico, hipertensão intracraniana refratária e contagem de CD4 muito baixa. Em imunocompetentes, as formas pulmonares geralmente têm bom prognóstico com tratamento. A terapia antifúngica prolongada e o manejo de complicações são essenciais para reduzir sequelas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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