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CID B38: Coccidioidomicose

B380
Coccidioidomicose pulmonar aguda
B381
Coccidioidomicose pulmonar crônica
B382
Coccidioidomicose pulmonar não especificada
B383
Coccidioidomicose cutânea
B384
Meningite por coccidioidomicose
B387
Coccidioidomicose disseminada
B388
Outras formas de coccidioidomicose
B389
Coccidioidomicose não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A coccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica causada pelos fungos dimórficos Coccidioides immitis e Coccidioides posadasii. Estes fungos habitam o solo em regiões áridas e semiáridas, e a infecção ocorre principalmente pela inalação de artroconídios a partir de solo perturbado. A doença apresenta um espectro clínico variável, desde infecções respiratórias assintomáticas ou leves (representando cerca de 60% dos casos) até formas disseminadas graves que podem envolver pele, ossos, meninges e outros órgãos. A coccidioidomicose é um problema de saúde pública significativo em áreas endêmicas, como o sudoeste dos Estados Unidos, norte do México e partes da América Central e do Sul, com incidência influenciada por fatores sazonais e ambientais, como tempestades de poeira.

Descrição clínica

A coccidioidomicose é caracterizada por uma apresentação clínica diversa, que varia de infecção pulmonar aguda a doença disseminada crônica. A forma pulmonar aguda frequentemente se manifesta com sintomas inespecíficos como febre, tosse, dor torácica, mialgia, artralgia e fadiga, podendo ser acompanhada de eritema nodoso ou multiforme em alguns casos. Aproximadamente 5-10% dos pacientes desenvolvem doença pulmonar crônica ou disseminada, com envolvimento de meninges, ossos, articulações, pele e tecidos moles. A meningite coccidioidomicótica é uma complicação grave, com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. A evolução pode ser influenciada por fatores do hospedeiro, como imunossupressão, gravidez, idade avançada e comorbidades.

Quadro clínico

O quadro clínico da coccidioidomicose pode ser dividido em formas: primária (aguda), crônica e disseminada. Na forma primária, os sintomas incluem febre, calafrios, tosse seca ou produtiva, dor pleurítica, mialgia, artralgia, cefaleia e sudorese noturna; erupções cutâneas como eritema nodoso ou multiforme podem ocorrer. A forma crônica apresenta tosse persistente, perda de peso, hemoptise e formação de cavidades pulmonares. A forma disseminada envolve sintomas específicos ao órgão afetado, como meningite (cefaleia, rigidez de nuca, alterações neurológicas), osteomielite (dor óssea, inchaço), ou lesões cutâneas (nódulos, úlceras). A progressão pode ser rápida em imunocomprometidos.

Complicações possíveis

Meningite

Inflamação das meninges por disseminação do fungo, levando a cefaleia crônica, hidrocefalia, déficits neurológicos e alta mortalidade se não tratada.

Cavitação pulmonar

Formação de cavidades no parênquima pulmonar, que podem causar hemoptise, infecção secundária ou ruptura com pneumotórax.

Osteomielite

Infecção óssea, comum em vértebras, costelas ou ossos longos, resultando em dor, destruição óssea e risco de fraturas.

Disseminação cutânea

Lesões cutâneas como nódulos, úlceras ou abscessos, que podem ser crônicos e desfigurantes.

Empiema pleural

Acúmulo de pus na cavidade pleural, requerendo drenagem e prolongando o tratamento.

Epidemiologia

A coccidioidomicose é endêmica em regiões áridas e semiáridas das Américas, incluindo sudoeste dos EUA (Arizona, Califórnia), norte do México e partes da América Central e do Sul. A incidência anual nos EUA é de aproximadamente 150.000 casos, com variações sazonais (aumento após chuvas e tempestades de poeira). Grupos de risco incluem residentes de áreas endêmicas, trabalhadores da construção, agricultores, arqueólogos, imunodeprimidos e certos grupos étnicos (ex.: filipinos, afro-americanos) que têm maior risco de disseminação. A infecção é adquirida por inalação, sem transmissão direta entre pessoas.

Prognóstico

O prognóstico da coccidioidomicose é geralmente bom para infecções pulmonares agudas não complicadas, com resolução espontânea em muitas semanas. No entanto, formas disseminadas, especialmente meningite, têm prognóstico reservado, com mortalidade significativa sem tratamento adequado. Fatores de mau prognóstico incluem imunossupressão, envolvimento do SNC, doença disseminada múltipla e atraso no diagnóstico. O tratamento antifúngico prolongado pode controlar a doença, mas recidivas são comuns, necessitando de monitoramento a longo prazo. Em gestantes, a doença pode ser mais grave, com risco aumentado de disseminação.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

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