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CID B37: Candidíase
B370
Estomatite por Candida
B371
Candidíase pulmonar
B372
Candidíase da pele e das unhas
B373
Candidíase da vulva e da vagina
B374
Candidíase de outras localizações urogenitais
B375
Meningite por Candida
B376
Endocardite por Candida
B377
Septicemia por Candida
B378
Candidíase de outras localizações
B379
Candidíase não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A candidíase é uma infecção fúngica causada por leveduras do gênero Candida, predominantemente Candida albicans, que faz parte da microbiota comensal de mucosas humanas, como trato gastrointestinal, genitourinário e pele. A doença ocorre quando há desequilíbrio na relação hospedeiro-fungo, resultando em supercrescimento e invasão tecidual, podendo manifestar-se de forma localizada ou sistêmica. A candidíase é classificada como micose oportunista, frequentemente associada a fatores de risco como imunossupressão, uso de antibióticos, diabetes mellitus, gestação e dispositivos médicos invasivos. Sua epidemiologia é global, com alta prevalência em populações vulneráveis, e representa um significativo impacto na saúde pública devido à morbidade e potencial letalidade em formas disseminadas.
Descrição clínica
A candidíase apresenta um espectro clínico variável, desde infecções mucocutâneas superficiais até formas invasivas com envolvimento de órgãos profundos. As manifestações incluem placas brancas aderentes em mucosas (como cavidade oral e vaginal), eritema, prurido, dor e, em casos graves, sepse com disfunção orgânica. A progressão para candidíase invasiva é marcada por febre, hipotensão e sinais de disfunção de órgãos-alvo, como fígado, baço e rins.
Quadro clínico
O quadro clínico varia conforme a localização: candidíase oral (sapinho) com placas brancas removíveis em língua e mucosa bucal; candidíase vulvovaginal com corrimento branco, prurido e disúria; candidíase cutânea em áreas intertriginosas com eritema e maceração; onicomicose com distrofia ungueal; e candidíase esofágica com odinofagia e disfagia. Formas invasivas incluem candidemia com febre persistente, hepatosplênica com lesões focais, e endocardite ou meningite em casos raros.
Complicações possíveis
Candidemia
Disseminação hematogênica com risco de sepse, choque séptico e óbito, especialmente em imunocomprometidos.
Endoftalmite
Infecção intraocular que pode levar à perda visual se não tratada precocemente.
Abscessos viscerais
Formação de abscessos em fígado, baço ou rins, requerendo intervenção cirúrgica ou drenagem.
Endocardite
Infecção de válvulas cardíacas, associada a alta mortalidade e necessidade de tratamento prolongado.
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A candidíase é uma das infecções fúngicas mais comuns globalmente, com incidência elevada em hospitais, onde representa 10-15% das infecções nosocomiais. A candidíase vulvovaginal afeta até 75% das mulheres em idade fértil pelo menos uma vez na vida, enquanto formas invasivas são mais frequentes em UTI, pacientes oncológicos e transplantados. Espécies não-albicans estão aumentando em prevalência, particularmente em settings de uso prolongado de azóis.
Prognóstico
O prognóstico da candidíase é geralmente favorável para formas mucocutâneas, com resolução completa após terapia antifúngica adequada. No entanto, candidíase invasiva apresenta mortalidade de 20-40%, influenciada por fatores como timely diagnóstico, espécie de Candida, comorbidades e estado imune do hospedeiro. Complicações como candidemia recorrente ou resistência antifúngica podem piorar o desfecho.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, microbiológicos e histopatológicos. Para candidíase mucocutânea, a visualização de lesões características e identificação de leveduras em exames diretos (KOH) ou cultura confirmam. Para candidíase invasiva, critérios incluem hemocultura positiva para Candida, isolamento do fungo de sítios estéreis, ou achados histopatológicos de invasão tecidual em biópsia. Em contextos específicos, testes sorológicos (e.g., β-D-glucano) e de imagem (ecografia ou TC para abscessos) auxiliam.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Líquen plano
Doença inflamatória crônica que pode simular candidíase oral com placas reticulares brancas, mas sem crescimento fúngico em cultura.
UpToDate
Vaginose bacteriana
Infecção vaginal com corrimento homogêneo e odor fétido, diferindo da candidíase vulvovaginal pela ausência de prurido intenso e presença de clue cells no exame direto.
Diretrizes Brasileiras de Infecções Sexualmente Transmissíveis
Dermatite de contato
Reação inflamatória cutânea por irritantes ou alérgenos, podendo mimetizar candidíase cutânea, mas com história de exposição e resposta a corticosteroides tópicos.
PubMed
Herpes simplex
Infecção viral com vesículas agrupadas que podem ulcerar, contrastando com as placas pseudomembranosas da candidíase oral.
OMS
Leucoplasia
Lesão branca da mucosa oral não removível, associada a fatores de risco como tabagismo, sem evidência fúngica em exames.
Micromedex
Exames recomendados
Exame direto com KOH
Identificação de hifas ou leveduras em amostras de raspado de lesões mucocutâneas.
Confirmação rápida de infecção fúngica superficial.
Cultura micológica
Cultura em meio específico (e.g., Sabouraud) para isolamento e identificação de espécies de Candida.
Confirmação etiológica e teste de sensibilidade antifúngica.
Hemocultura
Cultura de sangue para detecção de fungemia em suspeita de candidíase invasiva.
Diagnóstico de candidemia e orientação terapêutica.
Teste de β-D-glucano
Dosagem sérica de β-D-glucano, um marcador de parede celular fúngica.
Auxiliar no diagnóstico de candidíase invasiva, especialmente em pacientes com neutropenia.
Biópsia tecidual
Exame histopatológico de tecidos afetados para evidenciar invasão fúngica.
Confirmação de envolvimento profundo em casos duvidosos.
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Evitar terapia antimicrobiana desnecessária para preservar a microbiota comensal e reduzir risco de candidíase.
Controle de glicemia
Manutenção de níveis glicêmicos adequados em diabéticos para diminuir susceptibilidade a infecções fúngicas.
Práticas de controle de infecção
Adoção de precauções de contato e higienização de mãos em settings hospitalares para prevenir transmissão.
Vigilância e notificação
No Brasil, a candidíase invasiva é de notificação compulsória em alguns estados, conforme Portarias do Ministério da Saúde, devido ao potencial de surtos e resistência. A vigilância inclui monitoramento de taxas de incidência, perfil de sensibilidade antifúngica e fatores de risco em populações vulneráveis, com ênfase em medidas de controle de infecção hospitalar.
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Geralmente não é considerada contagiosa no sentido de transmissão direta entre pessoas, pois Candida é comensal, mas fatores como contato sexual ou compartilhamento de objetos podem facilitar a colonização em indivíduos susceptíveis.
Incluem imunossupressão (e.g., quimioterapia, HIV), uso de antibióticos de amplo espectro, dispositivos médicos invasivos, cirurgias abdominais, nutrição parenteral e neutropenia prolongada.
O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta com visualização de placas esbranquiçadas e biópsia que demonstra leveduras invasivas, complementado por cultura ou exame histopatológico.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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