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CID B05: Sarampo

B050
Sarampo complicado por encefalite
B051
Sarampo complicado por meningite
B052
Sarampo complicado por pneumonia
B053
Sarampo complicado por otite média
B054
Sarampo com complicações intestinais
B058
Sarampo com outras complicações
B059
Sarampo sem complicação

Mais informações sobre o tema:

Definição

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, altamente contagiosa, causada pelo vírus do sarampo, um membro do gênero Morbillivirus da família Paramyxoviridae. Caracteriza-se por um quadro clínico típico que inclui febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e exantema maculopapular generalizado. A transmissão ocorre principalmente por via aérea, através de gotículas respiratórias, e o vírus tem um período de incubação médio de 10 a 12 dias. A infecção pode levar a complicações graves, especialmente em crianças desnutridas, imunocomprometidas e adultos, incluindo pneumonia, encefalite e morte, sendo uma causa significativa de morbimortalidade infantil em regiões com baixa cobertura vacinal. Epidemiologicamente, o sarampo é uma doença de notificação compulsória e foi alvo de programas de eliminação global, com surtos recorrentes em áreas com queda nas taxas de vacinação.

Descrição clínica

O sarampo apresenta um curso clínico bifásico: a fase prodrômica, com duração de 2 a 4 dias, caracteriza-se por febre alta, mal-estar, tosse produtiva, coriza, conjuntivite e o sinal de Koplik (pequenas manchas branco-azuladas na mucosa oral, patognomônicas). Segue-se a fase exantemática, com o aparecimento de exantema maculopapular eritematoso, iniciando na face e região retroauricular, disseminando-se caudalmente para o tronco e membros, podendo coalescer. O exantema persiste por 5 a 6 dias e descama finamente durante a convalescença. A doença é mais grave em lactentes, adultos e indivíduos com deficiências nutricionais ou imunológicas.

Quadro clínico

O quadro clínico inclui febre alta (até 40°C), tosse, coriza, conjuntivite, fotofobia e o sinal de Koplik (manchas na mucosa bucal) na fase prodrômica. O exantema maculopapular inicia-se 3 a 5 dias após o início dos sintomas, com distribuição craniocaudal, podendo ser acompanhado de linfadenopatia generalizada. Em casos não complicados, a resolução ocorre em 7 a 10 dias. Complicações comuns incluem otite média, pneumonia, laringotraqueobronquite (crupe), diarreia e desidratação. Formas graves podem evoluir para encefalite aguda (1 em 1000 casos), com letalidade de 10-15%, ou panencefalite esclerosante subaguda, uma complicação neurodegenerativa tardia.

Complicações possíveis

Pneumonia

Complicação comum, pode ser viral primária ou bacteriana secundária (ex.: Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae), com alta letalidade em crianças.

Encefalite aguda

Inflamação cerebral com início 2-6 dias após o exantema; apresenta convulsões, alteração do nível de consciência, com mortalidade de 10-15%.

Panencefalite esclerosante subaguda

Complicação neurodegenerativa tardia, rara (1:10.000 casos), com início anos após a infecção; progressiva e fatal.

Otite média

Infecção bacteriana secundária do ouvido médio, comum em crianças, podendo levar à perda auditiva.

Laringotraqueobronquite (Crupe)

Obstrução das vias aéreas superiores devido a edema e inflamação; requer manejo urgente.

Epidemiologia

O sarampo é uma doença de distribuição global, com transmissão sustentada em humanos. Antes da vacinação, causava cerca de 2,6 milhões de mortes anuais. Com a introdução da vacina, a incidência diminuiu mais de 95%, mas surtos persistem em regiões com baixa cobertura vacinal. É altamente contagioso, com número básico de reprodução (R0) de 12-18. Crianças menores de 5 anos e adultos não imunizados são os mais afetados. No Brasil, a doença foi eliminada em 2016, mas surtos ressurgiram devido a quedas na vacinação, exigindo vigilância contínua. A sazonalidade é mais comum no inverno e primavera.

Prognóstico

Em indivíduos saudáveis e bem nutridos, o sarampo não complicado tem prognóstico favorável, com recuperação completa em 1-2 semanas. A letalidade geral é baixa em países desenvolvidos (<0,1%), mas pode atingir 5-10% em populações vulneráveis, como crianças desnutridas em áreas endêmicas. Complicações como encefalite e pneumonia grave aumentam significativamente a morbimortalidade. A imunidade após infecção natural ou vacinação é duradoura, mas a supressão imune transitória predispõe a infecções secundárias. A profilaxia vacinal eficaz reduziu drasticamente a incidência e melhorou o prognóstico global.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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