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CID B04: Varíola dos macacos [Monkeypox]

B04
Varíola dos macacos [Monkeypox]

Mais informações sobre o tema:

Definição

A varíola dos macacos (monkeypox) é uma zoonose viral causada pelo vírus monkeypox, pertencente ao gênero Orthopoxvirus da família Poxviridae. A doença é caracterizada por um quadro clínico que inclui febre, cefaleia, mialgia, linfadenopatia e uma erupção cutânea que evolui de máculas para pápulas, vesículas, pústulas e crostas, com resolução em 2 a 4 semanas. A transmissão ocorre principalmente através de contato direto com fluidos corporais, lesões cutâneas ou materiais contaminados de animais infectados, embora a transmissão inter-humana também seja possível, especialmente por gotículas respiratórias ou contato próximo prolongado. A infecção apresenta duas linhagens principais: a da Bacia do Congo (clado da África Central), com maior virulência e taxa de mortalidade (até 10%), e a da África Ocidental, com menor gravidade (taxa de mortalidade <1%). A vigilância epidemiológica é essencial devido ao potencial de surtos, especialmente em regiões endêmicas da África, e a emergência de casos em áreas não endêmicas, como observado no surto global de 2022, destacando a importância do diagnóstico precoce e medidas de controle.

Descrição clínica

A varíola dos macacos manifesta-se tipicamente com um período prodrômico de 1 a 3 dias, caracterizado por febre alta (acima de 38,5°C), cefaleia intensa, mialgia, astenia e linfadenopatia proeminente (inguinal, cervical ou axilar), que a distingue de outras doenças exantemáticas. Segue-se uma erupção cutânea que inicia na face e se espalha para o tronco e extremidades, evoluindo sequencialmente de máculas para pápulas, vesículas, pústulas e finalmente crostas, com resolução em 2 a 4 semanas. As lesões podem ser umbilicais e afetar mucosas orais, genitais ou conjuntivais. Em casos graves, complicações como encefalite, pneumonia, sepse e desidratação podem ocorrer, particularmente em crianças, gestantes ou imunossuprimidos. A apresentação clínica pode variar conforme a linhagem viral, com a linhagem da África Central associada a maior morbimortalidade.

Quadro clínico

O quadro clínico da varíola dos macacos é bifásico, iniciando com sintomas prodrômicos: febre (38,5-40,5°C), cefaleia, mialgia, dor nas costas, astenia e linfadenopatia marcante (presente em 70-90% dos casos), que persiste por 1-3 dias. A fase exantemática surge com erupção cutânea que começa na face e se espalha centrifugalmente, evoluindo de máculas para pápulas em 1-2 dias, vesículas em 2-4 dias, pústulas em 4-7 dias e crostas em 7-14 dias, com resolução total em 2-4 semanas. As lesões são frequentemente umbilicais, podem ser pruriginosas ou dolorosas, e variam em número de poucas a milhares. Podem envolver palmas, plantas, mucosas oral e genital, e ocasionalmente causar faringite ou conjuntivite. Sintomas adicionais incluem calafrios, sudorese e anorexia. Em crianças ou imunossuprimidos, o curso pode ser mais grave com complicações sistêmicas.

Complicações possíveis

Encefalite

Inflamação cerebral com alteração do estado mental, convulsões ou déficits neurológicos, mais comum em crianças ou imunossuprimidos.

Pneumonite

Comprometimento pulmonar com tosse, dispneia e infiltrados radiográficos, podendo evoluir para insuficiência respiratória.

Infecções bacterianas secundárias

Sobreinfecção de lesões cutâneas por bactérias como Staphylococcus aureus, leading a celulite, abscessos ou sepse.

Desidratação

Perda hídrica devido à febre alta, redução da ingestão oral ou envolvimento de mucosas orais.

Ceratite

Inflamação corneal com risco de ulceração e perda visual, se houver envolvimento ocular.

Epidemiologia

A varíola dos macacos é endêmica em regiões florestais da África Central e Ocidental, com casos humanos esporádicos ou surtos ligados ao contato com animais reservatórios (roedores, primatas). A incidência global aumentou nas últimas décadas, com surtos notificados em países não endêmicos, como o surto multinacional de 2022, predominantemente em homens que fazem sexo com homens, sugerindo transmissão inter-humana eficiente. Dados da OMS indicam que, em 2022, mais de 80.000 casos foram confirmados em 110 países, com taxa de letalidade abaixo de 0,1% no surto global, refletindo a circulação da linhagem menos virulenta. Fatores de risco incluem residência ou viagem a áreas endêmicas, contato com animais silvestres, e comportamentos de alto risco (ex.: múltiplos parceiros sexuais). A vigilância ativa é crucial para detecção precoce e contenção.

Prognóstico

O prognóstico da varíola dos macacos geralmente é favorável, com recuperação completa na maioria dos casos em 2 a 4 semanas. A taxa de mortalidade varia conforme a linhagem viral: <1% para a linhagem da África Ocidental e até 10% para a da Bacia do Congo, com óbitos relacionados a complicações como encefalite, pneumonia ou sepse. Fatores de mau prognóstico incluem idade extrema (crianças ou idosos), imunossupressão (ex.: HIV não controlado), gravidez e comorbidades subjacentes. A imunidade prévia por vacinação contra varíola (vacina de vaccinia) confere proteção cruzada e pode mitigar a gravidade. Sequelas raras incluem cicatrizes cutâneas, hipopigmentação ou complicações oculares, mas a maioria dos sobreviventes não apresenta sequelas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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