CID A96: Febre hemorrágica por arenavírus
Mais informações sobre o tema:
Definição
As febres hemorrágicas devidas a arenavírus constituem um grupo de doenças infecciosas zoonóticas agudas, caracterizadas por febre, manifestações hemorrágicas e elevada letalidade. Pertencem à família Arenaviridae, com vírus como Lassa, Junín, Machupo, Guanarito e Sabiá, que apresentam distribuição geográfica distinta, sendo endêmicos em regiões da África Ocidental (Lassa) e América do Sul (Junín na Argentina, Machupo na Bolívia, Guanarito na Venezuela, Sabiá no Brasil). A fisiopatologia envolve replicação viral sistêmica, com tropismo por células endoteliais e macrófagos, levando a aumento da permeabilidade vascular, coagulopatia e disfunção orgânica múltipla. O impacto clínico é significativo, com taxas de mortalidade variando de 15% a 30% em surtos, dependendo do vírus e acesso a cuidados. Epidemiologicamente, são doenças de notificação compulsória, com transmissão ocorrendo principalmente por inalação de aerossóis de excretas de roedores reservatórios ou contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados, representando um problema de saúde pública em áreas endêmicas.
Descrição clínica
A doença inicia-se de forma insidiosa com febre, mal-estar, mialgias e cefaleia, evoluindo em 4 a 10 dias para fases mais graves com manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, sangramento mucocutâneo), edema facial e cervical, hipotensão, e complicações como encefalite, surdez neurosensorial e insuficiência renal. A fase terminal pode incluir choque, convulsões e coma. A apresentação clínica varia conforme o arenavírus específico; por exemplo, a febre de Lassa frequentemente cursa com faringite e proteinúria, enquanto a febre hemorrágica argentina (Junín) pode apresentar alterações neurológicas proeminentes.
Quadro clínico
Fase prodrômica (1-7 dias): febre alta, cefaleia, mialgia, artralgia, mal-estar, conjuntivite. Fase de estado: exantema maculopapular, edema facial, faringite, linfadenopatia, manifestações hemorrágicas (epistaxe, gengivorragia, hematêmese, melena), hipotensão, oligúria. Fase tardia: choque, confusão mental, convulsões, coma. Sequelas podem incluir surdez neurosensorial (especialmente em febre de Lassa), alopecia e alterações neuropsiquiátricas.
Complicações possíveis
Choque hipovolêmico
Resultante de extravasamento capilar e perdas sanguíneas, levando a hipoperfusão tecidual.
Coagulopatia intravascular disseminada
Consumo de fatores de coagulação e plaquetas, com risco de sangramento maciço.
Insuficiência renal aguda
Secundária a hipoperfusão, necrose tubular ou glomerulonefrite.
Encefalite
Inflamação cerebral com alterações de consciência, convulsões e sequelas neurológicas.
Surdez neurosensorial
Complicação tardia comum na febre de Lassa, podendo ser permanente.
Aprimore sua prática clínica
Aprenda com especialistas que atuam nos maiores hospitais do país.
Epidemiologia
Doenças endêmicas em regiões específicas: febre de Lassa na África Ocidental (Nigéria, Serra Leoa, Libéria) com 100.000 a 300.000 casos anuais; febre hemorrágica argentina (Junín) na região pampeana da Argentina; Machupo na Bolívia; Guanarito na Venezuela; Sabiá no Brasil (casos esporádicos). A transmissão é zoonótica, com roedores do gênero Mastomys (Lassa) e Calomys (América do Sul) como reservatórios. Surtos ocorrem sazonalmente, com picos em épocas de colheita. Profissionais de saúde e contactantes domiciliares têm maior risco.
Prognóstico
O prognóstico é reservado, com letalidade variando de 15% a 30% em casos não tratados. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, gravidez, alto título viral, sangramento significativo, encefalite e insuficiência orgânica múltipla. O diagnóstico precoce e tratamento de suporte em unidade de terapia intensiva melhoram a sobrevida. Sequelas como surdez e alterações neuropsiquiátricas podem persistir.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...