Consulte o CID10 - Sanar Pós

CID A95: Febre amarela

A950
Febre amarela silvestre
A951
Febre amarela urbana
A959
Febre amarela não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (até 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, um arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. A doença é caracterizada por início súbito de febre, calafrios, cefaleia, mialgia, náuseas e vômitos, podendo evoluir para formas graves com icterícia, hemorragias e insuficiência renal, hepática e miocárdica, com letalidade que pode atingir 50% nos casos sintomáticos. A transmissão ocorre por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ciclo silvestre e Aedes aegypti no ciclo urbano, sendo uma doença de notificação compulsória e de importância em saúde pública devido ao potencial de epidemias. A distribuição geográfica está restrita a regiões tropicais da América do Sul e África, com endemicidade em áreas de floresta e surtos periódicos em zonas urbanas.

Descrição clínica

A febre amarela apresenta um espectro clínico que varia desde infecções assintomáticas ou leves até formas graves e fatais. O período de incubação é de 3 a 6 dias. A fase inicial (período de infecção) dura cerca de 3 a 4 dias, com sintomas inespecíficos como febre alta de início súbito, calafrios, cefaleia intensa, mialgia (principalmente em dorso e membros), prostração, náuseas, vômitos e congestão conjuntival. Após um breve período de remissão (24 a 48 horas), aproximadamente 15% dos casos evoluem para a fase tóxica, caracterizada pelo retorno da febre, icterícia, dor abdominal, hemorragias (como epistaxe, gengivorragia, hematêmese, melena), oligúria ou anúria, proteinúria e insuficiência hepática e renal. A letalidade na fase tóxica é elevada, principalmente devido à falência de múltiplos órgãos.

Quadro clínico

O quadro clínico da febre amarela divide-se em três fases: período de infecção, período de remissão e período de intoxicação. No período de infecção (3-4 dias), há febre alta (39-40°C) de início abrupto, calafrios, cefaleia intensa, mialgia (dor nas costas proeminente), artralgia, prostração, náuseas, vômitos, congestão conjuntival e facial. O período de remissão (24-48 horas) caracteriza-se pela defervescência e melhora dos sintomas, mas em casos graves é seguido pelo período de intoxicação, com retorno da febre, icterícia (devido à hepatite), dor epigástrica, hemorragias (petéquias, equimoses, sangramentos mucocutâneos e gastrointestinais), oligúria/anúria (insuficiência renal), proteinúria, bradicardia relativa (sinal de Faget), delírio, convulsões e coma. A evolução para óbito ocorre geralmente entre o 7º e 10º dia, por falência múltipla de órgãos.

Complicações possíveis

Insuficiência hepática aguda

Necrose hepatocelular massiva levando a icterícia, coagulopatia, encefalopatia hepática e possível necessidade de transplante hepático em casos graves.

Insuficiência renal aguda

Lesão renal por hipoperfusão (pré-renal) ou necrose tubular aguda, resultando em oligúria/anúria, elevação de creatinina e necessidade de terapia renal substitutiva.

Coagulopatia e hemorragias

Consumo de fatores de coagulação, trombocitopenia e possível coagulação intravascular disseminada, manifestando-se como sangramentos mucocutâneos, gastrointestinais ou intracranianos.

Choque e disfunção miocárdica

Hipovolemia por extravasamento capilar, miocardite viral ou distúrbios metabólicos, levando a hipotensão, taquicardia/bradicardia e baixo débito cardíaco.

Encefalopatia e convulsões

Alterações neurológicas devido a metabólitos tóxicos (ex.: hiperamonemia por falência hepática), edema cerebral ou efeito viral direto, com risco de coma e morte.

Epidemiologia

A febre amarela é endêmica em regiões tropicais da América do Sul (ex.: Brasil, Peru, Bolívia) e África (ex.: Angola, República Democrática do Congo, Nigéria), com transmissão silvestre (ciclo envolvendo mosquitos Haemagogus/Sabethes e primatas não humanos) e urbana (ciclo envolvendo Aedes aegypti e humanos). No Brasil, a transmissão silvestre é predominante, com surtos sazonais (dezembro a maio) em áreas de floresta. A incidência global é estimada em 200.000 casos anuais, com 30.000 óbitos, principalmente em áreas não vacinadas. Grupos de risco incluem residentes de áreas endêmicas, viajantes não vacinados e trabalhadores rurais ou florestais. A vacinação é a principal medida de controle, reduzindo drasticamente a incidência em áreas cobertas.

Prognóstico

O prognóstico da febre amarela é variável; cerca de 85% dos casos são assintomáticos ou leves e evoluem para cura completa. Nos casos sintomáticos que evoluem para a fase tóxica, a letalidade é elevada, variando de 20% a 50%, dependendo da qualidade do suporte terapêutico e das comorbidades. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, comorbidades (ex.: diabetes, doença renal crônica), icterícia precoce, sangramentos importantes, insuficiência renal, encefalopatia e elevação marcante de AST. A recuperação nos sobreviventes é geralmente completa, sem sequelas hepáticas ou renais crônicas, mas pode haver astenia prolongada. A imunidade após a infecção é duradoura, provavelmente para a vida toda.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀