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Resumo sobre febre amarela | Ligas

Mapa mental de febre amarela - LAI FMT - Sanar

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Definição

A Febre Amarela é uma Febre
Hemorrágica viral clássica,
causada pelo Vírus da Febre Amarela (VFA),
pertencente à Família Flaviviridae e
ao gênero Flavivirus;

É uma doença
infecciosa não contagiosa
, transmitida pela picada de artrópodes
hematófagos da família Culicidae, em
especial os gêneros Aedes ou Haemagogus;

É uma zoonose (ou seja, também pode afetar animais, nesse
caso, primatas) que se mantém endêmica nas florestas tropicais da América do
Sul e África, causando surtos isolados
ou epidemias de menor ou maior impacto em saúde pública, sendo que possui um
alto custo social e econômico em condições de surto e epidemia;

Além disso, possui alta letalidade (cerca de 50%) e um elevado potencial epidêmico,
especialmente quando vinculada à permanência de fatores que levam a manutenção
do ciclo, associada a baixa cobertura
vacinal.

É válido ressaltar que o maior desafio para o controle epidemiológico
dessa doença é o fato de o ciclo silvestre NÃO ser passível de eliminação,
portanto, estando constantemente sujeito a reurbanização;

Epidemiologia da febre amarela

No mundo:

Como já
mencionado anteriormente, trata-se de uma febre
hemorrágica viral clássica
, com grandes repercussões nos sistemas de saúde,
sendo assim uma das mais estudadas;

Sua
incidência nas Américas data do período das Grandes navegações, quando escravos
trazidos da África possibilitaram a transmissão na região.

O
número de baixas por essa doença foi tão expressivo que ficou conhecida como “O
grande flagelo da Humanidade”, produzindo uma série de surtos e epidemias ao
longo da história;

Gradativamente
a Febre Amarela foi se tornando a “Praga das cidades”, tendo em vista a
disponibilidade possíveis criadouros para o vetor na área urbana;

Na atualidade, o único continente que
apresenta episódios de Febre Amarela urbana é o africano, sendo que, nas demais
localidades, os casos da doença são essencialmente silvestres;

No Brasil:

Des de
o Século XVII até o século XX foram notificadas uma série de epidemias urbanas
em território nacional.

No
entanto, à medida que os mecanismos de transmissão e a fisiopatologia dessa
doença eram conhecidos, seu controle se aproximava. Alguns eventos ocorridos no
século XX foram especialmente importantes para isso: A descoberta do Ciclo Silvestre (1932), sendo esse o
responsável pela manutenção da
viabilidade da doença; A descoberta da vacina, em 1937 e, por fim, a erradicação
da Febre Amarela urbana
, em 1942.  

A
ocorrência de suspeita de febre Amarela deve ser notificada e investigada o
mais rápido possível, pois trata-se de uma doença de notificação compulsória,
de caráter internacional.  Depois da
ocorrência da última epidemia, TODO O TERRITÓRIO BRASILEIRO É ÁREA DE
RECOMENDAÇÃO PARA A VACINA DE FEBRE AMARELA.

No mais, é
importante ressaltar que a disseminação desse vírus pelo território nacional
está intimamente associada a disseminação do vetor, sendo que isso se deve a
múltiplos fatores, dentre eles o intenso
desmatamento, associado a desorganizada expansão urbana, a criação de
corredores ecológicos e a série de acidentes ecológicos vivenciados pelo país
;

Ciclo e Mecanismos de Transmissão

É válido recorda que os casos de
Febre Amarela podem ser divididos em duas categorias: febre amarela Urbana e Febre Amarela Silvestre;

  • O CILCO SILVESTRE ocorre entre macacos e a transmissão se dá pela picada de artrópodes, durante a Hematofagia, com destaque para os mosquitos do gênero Haemagogus.
  • Já no CICLO URBANO, a transmissão ocorre de ser humano par ser humano, sendo que o principal vetor é o A. aegypti
  • Existe também, entre o ciclo urbano e o silvestre um CICLO PERIURBANO OU RURAL, com vetores variados, sem grande expressividade nas américas.
  • O ser humano pode ainda se inserir no ciclo silvestre, à medida que invade as áreas de transmissão, sendo interposto entre os macacos e adquirindo a doença, como hospedeiro acidental;

A contenção da Febre Amarela é um
grande desafio epidemiológico, tendo
em vista a grande disseminação do A. aegypti nos centros urbanos. Além
disso, a manutenção do ciclo silvestre
em parques e reservas
que tangenciam as cidades é um fator agravante. Sobre
os mosquitos, é válido recordar que, uma vez infectados, permanecem capazes de
transmitir a doença por toda a vida.

A Febre amarela ainda é endêmica na região da Bacia Amazônica,
seu “local de origem”, ondem surgem novos ciclos enzoóticos a cada ano, que se
espalham pelos demais biomas. Assim, existem dois perfis da doença:

  • O Perfil endêmico, na região amazônica, com um baixo potencial de disseminação, tendo em vista a elevada cobertura vacinal e a localização mais esparsa da população, levando a ocorrência em áreas remotas;
  • O Perfil epidêmico, nas demais regiões do país (com destaque para o Sudeste, acometido pela última epidemia), com um elevado potencial de disseminação, seja pela cobertura vacinal mais recente e menos abrangente, seja pela elevada densidade populacional, tanto de seres humanos quanto de mosquitos nas grandes cidades, mesmo com um maior acesso ao serviço de saúde;

Fisiopatologia da febre amarela

Por tratar-se de uma Febre Hemorrágica viral clássica, os
mecanismos de fisiopatologia descritos para a febre amarela são bastante
semelhantes aos da Dengue, Zika e Chikungunya;

O órgão alvo da Febre Amarela é o
fígado, embora não seja restrito a essa estrutura, com acometimento renal e
cardíaco, além de intensão lesão vascular – VASCULOPATIA INFECCIOSA –
provocando as hemorragias;

Principais manifestações clínicas:

– Elas são: Icterícia, Hemorragias (Intensas ou isoladas) e Insuficiência renal aguda (devido ao
comprometimento renal, secundário ao comprometimento vascular);

– No entanto, é válido ressaltar
que a infecção se comporta de acordo com o gráfico a baixo: a maior parte dos
casos são assintomáticos, de 20 a 30% dos casos manifestam febre, 10-20%
manifestam febre associada a icterícia e, na menor parcela dos casos ocorrem
fenômenos hemorrágicos, sendo que esses apresentam maior potencial letal.

Síntese da patogênese:

  • Ocorre uma lesão médio-zonal preferencial, provocada por uma HIPÓXIA DE HIPOFLUXO em virtude da lesão vascular, sendo que a degradação do Hepatócito na Febre Amarela acontece preferencialmente por apoptose, induzida por TNF ALFA e TGF BETA.
  • Já na resposta inflamatória ocorre um predomínio de células TCD4, CÉLULAS DE KUPFFER E CITOCINAS DE PERFIL TH1 (como TNF alfa e INTERFERON gama). No entanto, a RESPOSTA INFLAMATÓRIA É ESCASSA QUANDO COMPARADA COM O GRAU DE LESÃO TECIDUAL, já que o principal mecanismo de destruição das células é a apoptose, que não induz resposta inflamatória e as elevadas taxas de TGF beta circulantes, que, além de indutora de apoptose, é uma importante citocina imunossupressora.

Quadro clínico da febre amarela

Os sintomas surgem de 3 a 6
dias após a infecção. A febre amarela pode apresentar três categorias de
manifestações clínicas diferentes:

  • Formas leve e moderada: geralmente com Febre de início súbito, cefaleia Mialgia, náuseas, icterícia ausente ou leve.
  • Forma grave: com febre, cefaleia, mialgia, náuseas, icterícia intensa, manifestações hemorrágicas, oligúria e diminuição da consciência (manifestações da insuficiência renal aguda);
  • Forma maligna: com todos os sintomas descritos, mas de maior intensidade. Além disso, a vasculopatia intensa e a lesão hepática extensa podem levar a Coagulação intravascular disseminada;

A letalidade é bastante alta: cerca de 50% dos pacientes graves evoluem
para óbito;

O quadro clínico do paciente é norteado por três fases:

  • Infecção: é caracterizada pela presença de febre, mal-estar, mialgia, com duração de três a quatro dias;
  • Remissão: fase de 48 horas de duração, na qual há uma melhora da sintomatologia;
  • Intoxicação: presente nas fases graves, com quadros hemorrágicos intensos, perda de consciência, coagulação intravascular disseminada, insuficiência renal aguda, lesão hepática intensa, taquicardia, com duração média de 7 a 10 dias;

Diagnóstico da febre amarela

Em vivo são realizados
principalmente sorologias e PCR, sendo que as biópsias não são indicadas,
ficando restritas ao diagnóstico epidemiológico, nas necropsias;

Todos esses testes utilizados
para diagnóstico da Febre Amarela são gratuitamente disponibilizados pelo SUS.

Tratamento da febre amarela

É realizado exclusivamente um tratamento de suporte, ou seja,
hidratação, repouso e controle dos sinais vitais, bem como o uso de
medicamentos para alívio sintomático;

Na última epidemia foram
desenvolvidos alguns tratamentos experimentais, com destaque para a transfusão plasmática, a fim de reduzir
a carga parasitária e o transplante
hepático
, em casos de vasto comprometimento. Entretanto, o tratamento de
suporte ainda é o mais amplamente empregado;

Prevenção

A MELHOR FORMA DE PREVENÇÃO É A VACINAÇÃO. Trata-se de uma vacina de
vírus vivo atenuado, de grande eficácia, embora apresente efeitos colaterais em
uma parcela dos vacinados;

Outra eficaz estratégia de
controle é combater a proliferação do
vetor
, com a eliminação de locais onde haja água parada. Essa estratégia é
especialmente importante, pois reduz as
chances de reurbanização da doença;

Além disso, a vigilância de macacos, a notificação compulsória de casos em humanos e a vigilância entomológica são importantes ferramentas de prevenção e controle da doença;

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Autores, revisores e orientadores:

  • Autora: Beatriz Camargo Gazzi – @beatriz_gazzi
  • Revisora: Maria Vitória Marques Barroso – @mavibarroso
  • Orientadora: Dra. Maria Stella Amorim da Costa Zöllner 

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