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CID A78: Febre Q

A78
Febre Q

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Definição

A Febre Q é uma zoonose causada pela bactéria intracelular obrigatória Coxiella burnetii, um pequeno cocobacilo Gram-negativo da família Coxiellaceae. A doença é caracterizada por um amplo espectro clínico, variando de infecções assintomáticas ou quadros febris agudos autolimitados a formas crônicas graves, como endocardite e hepatite granulomatosa. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de aerossóis contaminados a partir de produtos de parto, urina, fezes ou leite de animais infectados, sendo os ruminantes (bovinos, ovinos, caprinos) os principais reservatórios. Epidemiologicamente, a Febre Q é endêmica em várias regiões do mundo, com surtos associados a exposições ocupacionais (ex.: trabalhadores rurais, veterinários) ou ambientais, e sua incidência pode ser subnotificada devido à inespecificidade dos sintomas e à necessidade de confirmação sorológica.

Descrição clínica

A Febre Q apresenta-se tipicamente como uma doença febril aguda de início súbito, com sintomas inespecíficos como febre alta, cefaleia intensa, mialgias, artralgias e sudorese profusa. Em cerca de 50% dos casos, pode ocorrer pneumonia atípica com tosse seca e infiltrados intersticiais na radiografia de tórax, enquanto hepatite com elevação de transaminases e hepatomegalia é comum. A forma crônica, que se desenvolve em aproximadamente 1-5% dos casos, manifesta-se principalmente como endocardite em pacientes com valvulopatia pré-existente, podendo também incluir hepatite granulomatosa, osteomielite ou infecções vasculares. A evolução é variável, com resolução espontânea na maioria dos casos agudos, mas a forma crônica tem alta morbimortalidade se não tratada adequadamente.

Quadro clínico

O quadro clínico da Febre Q aguda inclui febre alta (39-40°C) de início abrupto, cefaleia retro-orbitária intensa, mialgias generalizadas, artralgias, calafrios e sudorese. Sintomas respiratórios como tosse seca e dispneia podem estar presentes em casos com pneumonia. Manifestações gastrointestinais incluem náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, com hepatomegalia e icterícia em alguns pacientes. A forma crônica caracteriza-se por febre baixa, perda ponderal, astenia, sopro cardíaco em endocardite, e sinais de insuficiência cardíaca ou hepática. A evolução pode ser complicada por miocardite, meningoencefalite ou aborto espontâneo em gestantes.

Complicações possíveis

Endocardite

Forma crônica mais comum, com vegetações estéreis em válvulas cardíacas, levando a insuficiência cardíaca, embolias e alta mortalidade se não tratada.

Hepatite granulomatosa

Inflamação hepática com formação de granulomas, podendo evoluir para cirrose ou insuficiência hepática em casos prolongados.

Pneumonia grave

Infiltrados intersticiais ou consolidações, com risco de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) em pacientes com comorbidades.

Miocardite ou pericardite

Inflamação do miocárdio ou pericárdio, causando arritmias, insuficiência cardíaca ou tamponamento cardíaco.

Infecção do sistema nervoso central

Meningoencefalite rara, com cefaleia persistente, alterações do nível de consciência ou déficits neurológicos focais.

Epidemiologia

A Febre Q tem distribuição mundial, com endemicidade em regiões rurais da Europa, Austrália e Américas, onde a pecuária é intensiva. A incidência anual varia de 0,5 a 5 casos por 100.000 habitantes, mas é subnotificada. Surtos estão associados a exposições ocupacionais (veterinários, fazendeiros) ou ambientais (parto de animais, processamento de lã). A transmissão é mais comum na primavera e verão, correlacionada com períodos de parto animal. Humanos são acidentalmente infectados, e não há transmissão direta entre pessoas.

Prognóstico

O prognóstico da Febre Q aguda é geralmente favorável, com resolução espontânea em 2-3 semanas na maioria dos casos, embora a fadiga possa persistir por meses. A forma crônica, particularmente endocardite, tem prognóstico reservado, com mortalidade de 10-25% mesmo com tratamento, devido a complicações cardíacas e recidivas. Fatores de mau prognóstico incluem idade avançada, valvulopatia pré-existente, imunossupressão e atraso no diagnóstico. O tratamento precoce com antibióticos adequados melhora significativamente os desfechos.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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