Redação Sanar
CID A66: Bouba
A660
Lesões iniciais da bouba
A661
Papilomas múltiplos e bouba plantar úmida (cravo de bouba)
A662
Outras lesões cutâneas precoces da bouba
A663
Hiperceratose devida a bouba
A664
Gomas e úlceras devidas à bouba
A665
Gangosa
A666
Lesões osteoarticulares devidas à bouba
A667
Outras manifestações da bouba
A668
Bouba latente
A669
Bouba não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A bouba, também conhecida como framboesia, é uma doença infecciosa crônica não venérea causada pela bactéria Treponema pallidum subsp. pertenue. Esta doença afeta principalmente a pele, ossos e cartilagens, sendo endêmica em regiões tropicais úmidas da África, Ásia, América do Sul e ilhas do Pacífico. A transmissão ocorre por contato direto com lesões cutâneas infectadas, frequentemente em crianças que vivem em condições de pobreza e falta de higiene. A bouba é caracterizada por múltiplos estágios clínicos, começando com uma lesão primária (mãe yaw), seguida por lesões secundárias disseminadas e, em alguns casos, estágios terciários com destruição óssea e deformidades. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a bouba como uma doença tropical negligenciada, com esforços globais focados na erradicação através de campanhas de tratamento em massa com azitromicina.
Descrição clínica
A bouba apresenta um curso clínico dividido em estágios. O estágio primário inicia-se com uma lesão única, não dolorosa, chamada 'mãe yaw', que surge no local de inoculação após 2-4 semanas da exposição. Esta lesão é uma pápula que evolui para uma úlcera com base framboesiforme (semelhante a uma framboesa) e pode persistir por meses. O estágio secundário ocorre semanas a meses depois, com erupções cutâneas disseminadas, incluindo pápulas, nódulos e lesões ulceradas, frequentemente associadas a linfadenopatia regional. O estágio terciário, que pode surgir após anos de infecção, envolve lesões destrutivas nos ossos (como osteíte e periostite), articulações e pele, levando a deformidades, como gânglio e nariz em sela. A doença não afeta o sistema cardiovascular ou nervoso central, ao contrário da sífilis.
Quadro clínico
O quadro clínico da bouba varia conforme o estágio. No estágio primário, observa-se a 'mãe yaw', uma lesão única, ulcerada, com base framboesiforme, localizada geralmente nas pernas, nádegas ou face, que pode ser pruriginosa ou assintomática. No estágio secundário, há aparecimento de múltiplas lesões cutâneas disseminadas, incluindo pápulas, nódulos e úlceras, que podem ser crostosas e associadas a linfadenopatia. Sintomas sistêmicos leves, como febre baixa e mal-estar, podem ocorrer. No estágio terciário (latente ou tardio), manifestações incluem lesões destrutivas ósseas (e.g., osteíte, periostite), articulares e cutâneas, resultando em deformidades como gânglio (hiperqueratose plantar dolorosa) e nariz em sela. A doença pode permanecer assintomática por longos períodos entre os estágios.
Complicações possíveis
Deformidades ósseas
Destruição óssea e cartilaginosa, resultando em deformidades como gânglio (hiperqueratose plantar) e nariz em sela.
Osteíte e periostite
Inflamação crônica dos ossos e periósteo, levando a dor, inchaço e limitação funcional.
Ulcerações cutâneas crônicas
Lesões que podem se infectar secundariamente, causando dor e incapacidade.
Incapacidade funcional
Resultante de deformidades e dor, afetando a mobilidade e qualidade de vida.
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Epidemiologia
A bouba é endêmica em regiões tropicais úmidas, incluindo partes da África Ocidental e Central, Sudeste Asiático, ilhas do Pacífico e América do Sul. Afeta predominantemente crianças entre 2 e 15 anos, com transmissão facilitada por condições de pobreza, superpopulação e falta de higiene. A incidência global tem diminuído devido aos esforços da OMS para erradicação, com casos relatados principalmente em comunidades rurais. Dados da OMS indicam que milhões de pessoas foram tratadas em campanhas de massa, reduzindo a prevalência em mais de 95% em algumas regiões.
Prognóstico
O prognóstico da bouba é geralmente bom se tratada precocemente com antibióticos adequados, como azitromicina ou penicilina benzatina, com resolução das lesões e prevenção de complicações. No estágio terciário, as deformidades podem ser irreversíveis, mesmo com tratamento, levando a sequelas permanentes. A detecção e tratamento em campanhas de massa têm reduzido significativamente a incidência em áreas endêmicas. Sem tratamento, a doença pode progredir para estágios destrutivos, com alto impacto na morbidade.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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