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CID A65: Sífilis não-venérea

A65
Sífilis não-venérea

Mais informações sobre o tema:

Definição

A sífilis não venérea, também conhecida como bejel ou sífilis endêmica, é uma infecção crônica causada pela bactéria Treponema pallidum subsp. endemicum. Diferente da sífilis venérea (causada por T. pallidum subsp. pallidum), esta forma não é transmitida sexualmente, mas sim por contato direto não sexual com lesões cutâneas ou mucosas de indivíduos infectados, ou indiretamente através de utensílios contaminados, como copos ou roupas. A doença é endêmica em regiões áridas e semiáridas, particularmente no Sahel africano, Oriente Médio e partes da Ásia Central, afetando principalmente crianças em condições de pobreza e baixa higiene. A infecção caracteriza-se por lesões mucocutâneas iniciais, seguidas por estágios latentes e tardios com envolvimento ósseo e cutâneo, sem o comprometimento cardiovascular ou neurológico típico da sífilis venérea. Sua importância clínica reside no impacto na saúde pública em populações vulneráveis, com potencial para deformidades e morbidade significativa se não tratada.

Descrição clínica

A sífilis não venérea é uma treponematose endêmica que evolui em estágios clínicos semelhantes à sífilis venérea, mas com diferenças na transmissão e manifestações. Inicialmente, apresenta-se com lesão primária often overlooked, como uma pápula ou úlcera indolor na mucosa oral ou na pele, seguida por estágios secundários com erupções cutâneas disseminadas, condilomas planos e lesões mucosas. Os estágios latentes são assintomáticos, enquanto o estágio tardio pode envolver gomas (lesões granulomatosas) na pele, ossos e cartilagens, levando a perfurações do palato ou deformidades nasais. Diferente da sífilis venérea, não há relatos consistentes de envolvimento cardiovascular ou neurológico. O curso é crônico, com recidivas possíveis, e o diagnóstico é baseado em achados clínicos, epidemiológicos e sorológicos.

Quadro clínico

O quadro clínico da sífilis não venérea divide-se em estágios: primário, secundário, latente e tardio. No estágio primário, surge uma lesão inicial (often uma úlcera ou pápula indolor) na boca ou pele, com linfadenopatia regional, mas frequentemente passa despercebida. O estágio secundário manifesta-se com erupções cutâneas maculopapulares ou pustulosas, condilomas planos em áreas úmidas, e lesões mucosas orais (como placas mucosas). O estágio latente é assintomático, podendo durar anos. No estágio tardio, ocorrem gomas destructivas na pele, ossos (como osteíte ou periostite) e cartilagens, levando a deformidades como goundou (hipertrofia nasal) ou perfuração do palato. Sintomas sistêmicos como febre e mal-estar podem ocorrer nos estágios ativos.

Complicações possíveis

Deformidades ósseas e nasais

Resultam de gomas destructivas, levando a goundou (alargamento nasal) ou perfurações do palato, com impacto cosmético e funcional.

Lesões cutâneas crônicas

Úlceras e gomas cutâneas que podem superinfectar, causando dor e incapacidade.

Comprometimento da qualidade de vida

Devido a estigma social, dor crônica e limitações físicas em populações já vulneráveis.

Epidemiologia

A sífilis não venérea é endêmica em regiões áridas da África Subsaariana (e.g., Sahel), Oriente Médio e Ásia Central, com prevalência variável. Afeta predominantemente crianças entre 2 e 15 anos, em condições de pobreza, superlotação e higiene inadequada. A transmissão ocorre por contato direto não sexual ou fômites. Dados da OMS indicam que a doença persiste como um problema de saúde pública em populações rurais, com esforços de erradicação em andamento. No Brasil, não é endêmica, mas casos importados podem ocorrer.

Prognóstico

O prognóstico da sífilis não venérea é geralmente bom com tratamento antibiótico adequado, que pode levar à cura clínica e sorológica nos estágios iniciais. No entanto, lesões tardias podem resultar em sequelas permanentes, como deformidades, se não tratadas precocemente. A recidiva é possível se o tratamento for incompleto. Em áreas endêmicas, a morbidade é significativa devido a diagnósticos tardios e acesso limitado a cuidados, mas programas de controle têm reduzido a incidência.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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