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CID A51: Sífilis precoce
A510
Sífilis genital primária
A511
Sífilis anal primária
A512
Sífilis primária de outras localizações
A513
Sífilis secundária da pele e das mucosas
A514
Outras formas de sífilis secundária
A515
Sífilis precoce latente
A519
Sífilis precoce não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A sífilis precoce é uma infecção bacteriana sistêmica causada pelo Treponema pallidum, subespécie pallidum, caracterizada por sua evolução em estágios clínicos distintos dentro do primeiro ano de infecção. A doença é transmitida principalmente por contato sexual direto com lesões infectadas, embora a transmissão vertical também seja significativa. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica do espiroqueta após a inoculação, levando a manifestações cutâneas, mucocutâneas e sistêmicas, com potencial para complicações graves se não tratada adequadamente. Epidemiologicamente, a sífilis precoce permanece um problema de saúde pública global, com altas taxas de incidência em populações sexualmente ativas, particularmente em regiões com acesso limitado a serviços de saúde e educação sexual.
Descrição clínica
A sífilis precoce engloba os estágios primário, secundário e latente precoce da infecção por Treponema pallidum. O estágio primário manifesta-se com o cancro duro, uma úlcera indolor e não supurativa no local de inoculação, geralmente genital, acompanhada de linfadenopatia regional. O estágio secundário surge semanas a meses depois, com erupções cutâneas generalizadas (máculo-papulares, frequentemente nas palmas e plantas), condiloma plano, febre, mal-estar, e envolvimento de múltiplos órgãos. O estágio latente precoce é assintomático, mas com sorologias positivas, ocorrendo dentro do primeiro ano de infecção.
Quadro clínico
No estágio primário: cancro duro único, indolor, com base endurecida e secreção serosa, localizado em genitália, ânus ou boca; linfadenopatia regional. Estágio secundário: exantema macular, papular ou pustular generalizado, frequentemente envolvendo palmas e plantas; condilomas planos em áreas úmidas; sintomas constitucionais como febre, cefaleia, artralgias; alopecia em áreas; e raramente, envolvimento hepático, renal ou ocular. Estágio latente precoce: ausência de sintomas, com sorologias positivas.
Complicações possíveis
Neurosífilis
Envolvimento do SNC, podendo causar meningite, acidente vascular cerebral, ou demência.
Sífilis cardiovascular
Complicação tardia com aortite, aneurismas e insuficiência valvar.
Sífilis congênita
Transmissão vertical, levando a aborto, natimorto ou anomalias fetais.
Recidiva da doença
Reaparecimento de sintomas devido a tratamento inadequado ou reinfecção.
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A sífilis precoce é prevalente globalmente, com estimativas da OMS de mais de 6 milhões de novos casos anuais. No Brasil, é endêmica, com taxas crescentes em populações jovens e gestantes. Fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, uso inconsistente de preservativos, e acesso limitado a saúde.
Prognóstico
O prognóstico é excelente com tratamento adequado e precoce, com resolução completa dos sintomas e prevenção de complicações. Sem tratamento, a doença pode evoluir para estágios tardios com morbidade significativa. A monitorização sorológica é crucial para garantir a cura.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Para sífilis primária: história de exposição, presença de cancro duro, e confirmação por demonstração de T. pallidum em exame de campo escuro ou PCR de material da lesão. Para sífilis secundária: achados clínicos característicos e sorologias reagentes (não treponêmicas como VDRL/RPR e treponêmicas como FTA-ABS). Sífilis latente precoce: sorologias positivas em assintomáticos com infecção adquirida há menos de um ano. Critérios da OMS e diretrizes nacionais recomendam testes sequenciais para confirmação.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Cancroide
Úlcera genital dolorosa e supurativa causada por Haemophilus ducreyi, diferenciada pela dor e ausência de endurecimento da base.
OMS. Guidelines for the management of sexually transmitted infections. 2021.
Herpes genital
Vesículas agrupadas e dolorosas que evoluem para úlceras, causadas por HSV, com curso recorrente e sem endurecimento característico.
UpToDate. Clinical manifestations and diagnosis of genital herpes simplex virus infection. 2023.
Linfogranuloma venéreo
Infecção por Chlamydia trachomatis, com úlcera primária transitória seguida de linfadenopatia supurativa e sistêmica.
Uso consistente de preservativos e redução de parceiros sexuais.
Rastreio regular
Testes sorológicos em populações de risco, como gestantes e indivíduos com múltiplos parceiros.
Educação em saúde
Campanhas de conscientização sobre ISTs e acesso a serviços.
Vigilância e notificação
A sífilis é de notificação compulsória no Brasil, exigindo registro imediato no sistema de saúde para intervenções de controle. Vigilância ativa inclui rastreio em populações vulneráveis, investigação de contactantes, e monitoramento de surtos.
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Sim, com tratamento antibiótico adequado, como penicilina G benzatina, a sífilis precoce é curável na maioria dos casos, prevenindo complicações tardias.
A não tratamento pode levar à progressão para sífilis tardia, com complicações neurológicas, cardiovasculares e ósseas, além de aumento do risco de transmissão.
O rastreio sorológico é rotineiro no pré-natal; testes não treponêmicos e treponêmicos são utilizados, com tratamento imediato para prevenir sífilis congênita.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...