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CID A55: Linfogranuloma (venéreo) por clamídia

A55
Linfogranuloma (venéreo) por clamídia

Mais informações sobre o tema:

Definição

O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada por sorotipos L1, L2 ou L3 de Chlamydia trachomatis. Caracteriza-se por uma evolução trifásica: fase primária com lesão genital transitória (pápula, vesícula ou úlcera), fase secundária com linfadenopatia regional dolorosa e supurativa, e fase terciária com complicações crônicas como elefantíase genital, fístulas e estenoses retais. A fisiopatologia envolve invasão linfática, resposta inflamatória granulomatosa e fibrose, resultando em obstrução linfática. Epidemiologicamente, é mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais, com surtos recentes associados a homens que fazem sexo com homens (HSH) e coinfecção pelo HIV.

Descrição clínica

O LGV apresenta um curso clínico trifásico. Na fase primária, surge uma lesão genital indolor e transitória (pápula, vesícula ou úlcera) no local de inoculação, que pode passar despercebida. A fase secundária, ocorrendo 2 a 6 semanas após, é marcada por linfadenopatia regional dolorosa e supurativa (bubão), frequentemente unilateral na região inguinal ou femoral, podendo evoluir para abscessos e fístulas. A fase terciária desenvolve-se meses a anos depois, com complicações como proctite (inflamação retal), estenoses anorretais, fístulas e elefantíase genital devido à obstrução linfática crônica. Em casos de proctite, sintomas incluem dor retal, tenesmo, secreção mucopurulenta e sangramento.

Quadro clínico

Fase primária: lesão genital única, indolor e autolimitada (pápula, vesícula ou úlcera) com 2-3 mm, durando 2-3 dias. Fase secundária: linfadenopatia inguinal ou femoral unilateral, dolorosa, com formação de bubões que podem supurar; sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e mialgias são comuns. Fase terciária: proctite crônica com dor retal, tenesmo, secreção mucossanguinolenta, constipação; elefantíase genital (edema crônico de pênis, escroto ou vulva); fístulas anorretais e estenoses. Em mulheres e HSH, a proctite pode ser a apresentação inicial.

Complicações possíveis

Estenose retal

Estreitamento do reto devido à fibrose crônica, levando a obstrução intestinal.

Elefantíase genital

Edema crônico e hipertrofia de tecidos genitais por obstrução linfática.

Fístulas anorretais ou genitais

Comunicações anormais entre órgãos, resultando em drenagem purulenta ou fecal.

Abscessos inguinais ou pélvicos

Acúmulo de pus em tecidos moles, requerendo drenagem cirúrgica.

Infertilidade

Devido a danos tubários ou obstrutivos em casos de infecção pélvica prolongada.

Epidemiologia

O LGV é endêmico em regiões tropicais da África, Ásia e América do Sul, com incidência variável. Surtos recentes têm sido reportados em países desenvolvidos, principalmente entre HSH, frequentemente associados a proctite e coinfecção por HIV. A transmissão é sexual, com maior risco em práticas sexuais desprotegidas. Dados do Ministério da Saúde do Brasil indicam subnotificação, mas há registros de casos em grandes centros urbanos.

Prognóstico

O prognóstico é geralmente bom se tratado precocemente com antibioticoterapia adequada, com resolução dos sintomas em semanas. Casos não tratados ou tardios podem evoluir com complicações crônicas como estenoses e elefantíase, necessitando intervenções cirúrgicas. A recidiva é rara com tratamento completo, mas a reinfecção é possível. Coinfecções como HIV podem piorar o prognóstico e requerem manejo integrado.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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