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CID A60: Infecções anogenitais pelo vírus do herpes [herpes simples]

A600
Infecção dos órgãos genitais e do trato geniturinário pelo vírus do herpes
A601
Infecção da margem cutânea do ânus e do reto pelo vírus do herpes
A609
Infecção anogenital não especificada pelo vírus do herpes

Mais informações sobre o tema:

Definição

As infecções anogenitais devidas ao vírus do herpes simples (HSV) são doenças sexualmente transmissíveis causadas pelos tipos HSV-1 e HSV-2, caracterizadas por lesões vesiculares ou ulcerativas recorrentes na região genital, anal e perianal. O HSV-1 está mais associado a infecções orolabiais, mas sua participação em infecções anogenitais tem aumentado, enquanto o HSV-2 é o principal agente etiológico dessas infecções, com transmissão por contato direto com secreções infectadas. A infecção primária geralmente é sintomática, com formação de vesículas que evoluem para úlceras dolorosas, podendo ser acompanhada de sintomas sistêmicos como febre e linfadenopatia; após a resolução, o vírus estabelece latência em gânglios nervosos sensoriais, com reativações periódicas desencadeadas por fatores como estresse, imunossupressão ou trauma. Epidemiologicamente, é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais prevalentes globalmente, com impacto significativo na saúde pública devido à sua natureza crônica e potencial de transmissão assintomática.

Descrição clínica

A infecção anogenital por HSV manifesta-se clinicamente com o surgimento de vesículas agrupadas em base eritematosa, que rapidamente se rompem formando úlceras dolorosas e superficiais, localizadas na genitália externa, região perianal, ânus ou mucosa retal. Na infecção primária, os sintomas são mais intensos, incluindo dor local, prurido, disúria, corrimento vaginal ou uretral, e possivelmente febre, cefaleia, mialgias e linfadenopatia inguinal bilateral. As recorrências tendem a ser menos severas, com menor número de lesões e duração mais curta; em indivíduos imunocomprometidos, as lesões podem ser extensas, persistentes e atípicas. A proctite por HSV em receptores de sexo anal pode causar tenesmo, dor retal, constipação e secreção mucoide.

Quadro clínico

O quadro clínico varia conforme a infecção ser primária, não primária (primeiro episódio em indivíduo previamente exposto) ou recorrente. Na infecção primária, há período prodrômico de 2 a 12 dias com mal-estar, seguido de erupção de vesículas que ulceram em 1-2 dias, associadas a dor intensa, linfadenopatia e possivelmente sintomas sistêmicos; a cura ocorre em 2-4 semanas. Nas recorrências, os sintomas prodrômicos (como parestesias locais) podem anteceder lesões menos numerosas e de menor duração (5-10 dias). Em mulheres, as lesões podem envolver vulva, vagina e colo uterino; em homens, pênis e escroto; e em ambos os sexos, região perianal e ânus. Formas atípicas incluem fissuras, eritema ou ulcerações crônicas em imunossuprimidos.

Complicações possíveis

Meningite asséptica

Inflamação das meninges por disseminação viral, causando cefaleia, febre e rigidez de nuca; mais comum na infecção primária por HSV-2.

Retenção urinária

Disfunção neurogênica temporária devido à neurite sacral, resultando em incapacidade de esvaziar a bexiga, especialmente em mulheres com vulvite grave.

Infecção neonatal

Transmissão vertical durante o parto, podendo causar doença disseminada, encefalite ou lesões cutâneas no recém-nascido, com alta morbimortalidade.

Superinfecção bacteriana

Infecção secundária das úlceras por bactérias como Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes, levando a celulite ou abscessos.

Síndrome prodrômica recorrente

Sintomas neurológicos como neuralgia ou parestesias locais antes das recorrências, impactando a qualidade de vida.

Epidemiologia

A infecção anogenital por HSV é altamente prevalente globalmente, estimando-se que 417 milhões de pessoas entre 15-49 anos tenham infecção por HSV-2, com maiores taxas na África Subsaariana e Américas. A soroprevalência de HSV-2 é maior em mulheres, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais, e em populações de baixa renda. A transmissão assintomática contribui significativamente para a disseminação. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam alta endemicidade, com impacto nas taxas de outras ISTs e na saúde reprodutiva.

Prognóstico

O prognóstico geral é bom, com resolução espontânea das lesões em imunocompetentes, mas a infecção é incurável devido à latência viral, com recorrências frequentes que diminuem em frequência e intensidade ao longo do tempo. Em imunocomprometidos, o curso pode ser mais grave, com lesões persistentes e maior risco de complicações. A supressão antiviral reduz significativamente a frequência de recorrências e a transmissão. A infecção neonatal tem prognóstico reservado, dependendo da precocidade do diagnóstico e tratamento.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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