CID A58: Granuloma inguinal
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Definição
O granuloma inguinal, também conhecido como donovanose, é uma doença bacteriana crônica e progressiva, causada pela bactéria intracelular Gram-negativa Klebsiella granulomatis (anteriormente Calymmatobacterium granulomatis). Caracteriza-se por lesões ulcerativas indolores e altamente vascularizadas na região genital, perianal ou inguinal, que podem evoluir para destruição tecidual e formação de cicatrizes fibrosas. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, embora casos de transmissão não sexual tenham sido relatados, especialmente em regiões endêmicas. Epidemiologicamente, é mais prevalente em áreas tropicais e subtropicais, como partes da Índia, Papua Nova Guiné, Austrália e América do Sul, com incidência variável e subnotificação frequente devido à sua natureza crônica e estigma associado.
Descrição clínica
O granuloma inguinal manifesta-se inicialmente como nódulos subcutâneos ou pápulas que ulceram progressivamente, formando úlceras indolores, de base granulomatosa, bordas irregulares e superfície de cor vermelho vivo ou carne viva, devido à alta vascularização. As úlceras podem ser únicas ou múltiplas, coalescentes, e frequentemente apresentam sangramento fácil ao toque. A evolução é lenta, com possível extensão para áreas adjacentes, incluindo genitália interna, virilha e região perianal, podendo causar linfedema, estenoses e deformidades. Em casos avançados, há risco de malignização (carcinoma de células escamosas) e disseminação hematogênica para ossos, fígado ou outros órgãos.
Quadro clínico
O período de incubação varia de 1 a 12 semanas. O início é insidioso, com surgimento de nódulos ou pápulas indolores que ulceram em 1-2 semanas, formando úlceras granulomatosas, de base mole, bordas elevadas e irregulares, e superfície vermelha e sangrante. As lesões são tipicamente indolores, a menos que haja infecção secundária. Podem ocorrer em genitália externa (pênis, vulva), região perianal, virilha ou, raramente, em locais extragenitais como face ou membros. A progressão é lenta, com auto-inoculação possível, levando a úlceras satélites. Complicações incluem fibrose, estenoses uretrais ou anais, elefantíase genital por obstrução linfática, e raramente disseminação sistêmica.
Complicações possíveis
Estenoses genitourinárias ou anais
Fibrose progressiva levando a estreitamento uretral, vaginal ou anal, com obstrução funcional.
Elefantíase genital
Linfedema crônico devido à destruição de vasos linfáticos, resultando em edema persistente e deformidade.
Malignização
Desenvolvimento de carcinoma de células escamosas em lesões crônicas não tratadas.
Disseminação sistêmica
Rara extensão hematogênica para ossos, fígado ou outros órgãos, com formação de granulomas.
Infecções secundárias
Sobreinfecção bacteriana das úlceras, levando a celulite, abscessos ou sepse.
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Epidemiologia
O granuloma inguinal é endêmico em regiões tropicais e subtropicais, incluindo Índia, Papua Nova Guiné, norte da Austrália, Caribe e partes da América do Sul (ex.: Brasil). A incidência global é baixa e declinou nas últimas décadas, mas subnotificação é comum. Afeta predominantemente adultos sexualmente ativos, com maior prevalência em homens que em mulheres, e está associado a fatores socioeconômicos desfavoráveis. No Brasil, casos são esporádicos, com focos em áreas rurais ou urbanas de baixa renda. A transmissão é principalmente sexual, mas auto-inoculação e transmissão perinatal são descritas.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com tratamento antibiótico adequado, com resolução das lesões em semanas a meses. No entanto, sequelas como estenoses, elefantíase e cicatrizes podem persistir, especialmente em casos tardios. A recidiva é possível se o tratamento for incompleto. Complicações graves, como malignização ou disseminação, são raras mas associadas a maior morbidade. O diagnóstico precoce e a adesão terapêutica são cruciais para evitar desfechos desfavoráveis.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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