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CID A50: Sífilis congênita

A500
Sífilis congênita precoce sintomática
A501
Sífilis congênita precoce, forma latente
A502
Sífilis congênita precoce não especificada
A503
Oculopatia sifilítica congênita tardia
A504
Neurossífilis congênita tardia [neurossífilis juvenil]
A505
Outras formas tardias e sintomáticas da sífilis congênita
A506
Sífilis congênita tardia latente
A507
Sífilis congênita tardia não especificada
A509
Sífilis congênita não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, transmitida verticalmente da mãe infectada para o feto durante a gestação ou no momento do parto. Caracteriza-se por um amplo espectro de manifestações clínicas, que variam desde formas assintomáticas até quadros graves com envolvimento multissistêmico, incluindo lesões cutâneas, ósseas, hepáticas e neurológicas. A infecção ocorre por via transplacentária, geralmente após a 16ª semana de gestação, quando a barreira placentária se torna mais permeável, permitindo a disseminação do treponema para a circulação fetal. A sífilis congênita representa uma importante causa de morbimortalidade perinatal, com impacto significativo na saúde pública devido ao seu potencial de prevenção através do rastreamento e tratamento adequado da gestante.

Descrição clínica

A sífilis congênita pode ser classificada em precoce (manifestações até os 2 anos de idade) e tardia (após os 2 anos). A forma precoce frequentemente se apresenta com hepatoesplenomegalia, rash cutâneo, condiloma plano, rinite serossanguinolenta (coriza), pseudoparalisia de Parrot (por osteocondrite), anemia, trombocitopenia e icterícia. A forma tardia inclui sequelas como dentes de Hutchinson, queratite intersticial, surdez neurossensorial, nariz em sela e alterações ósseas (como tíbia em lâmina de sabre). A neurosífilis congênita pode ocorrer em qualquer fase, com manifestações como meningite, hidrocefalia e atraso do desenvolvimento neuropsicomotor.

Quadro clínico

Na sífilis congênita precoce, os sinais incluem febre baixa, irritabilidade, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia generalizada, rash maculopapular ou bolhoso (pênfigo palmo-plantar), rinite persistente com secreção sanguinolenta, pseudoparalisia de membros por dor óssea, anemia hemolítica, trombocitopenia e icterícia. Na forma tardia, observam-se alterações dentárias (dentes de Hutchinson – incisivos centrais superiores com entalhe e espaçamento; molares em amora), queratite intersticial, surdez, deformidades ósseas (tíbia em lâmina de sabre), nariz em sela e lesões cutâneas gomosas. Complicações neurológicas podem incluir retardo mental, convulsões e paralisias.

Complicações possíveis

Morte fetal ou neonatal

Óbito intrauterino ou no período neonatal devido à infecção sistêmica grave e insuficiência de órgãos.

Atraso do desenvolvimento neuropsicomotor

Comprometimento cognitivo e motor resultante de danos cerebrais por meningite ou vasculite.

Surdez neurossensorial

Perda auditiva irreversível devido à lesão do nervo coclear ou estruturas auditivas centrais.

Cegueira por queratite intersticial

Opacidade corneal e vascularização que podem levar à perda visual significativa.

Deformidades ósseas permanentes

Alterações como tíbia em lâmina de sabre e nariz em sela, com impacto funcional e estético.

Epidemiologia

A sífilis congênita é um problema de saúde pública global, com alta incidência em regiões com baixa cobertura de pré-natal e altas taxas de sífilis em gestantes. No Brasil, a taxa de detecção foi de 8,6 casos por 1.000 nascidos vivos em 2022, refletindo falhas no rastreamento e tratamento da sífilis materna. Fatores de risco incluem baixa escolaridade, pobreza, uso de drogas ilícitas e acesso limitado a serviços de saúde. A transmissão vertical é prevenível com o rastreamento universal na gestação e tratamento com penicilina.

Prognóstico

O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento. Casos tratados adequadamente no período neonatal podem evoluir sem sequelas, enquanto o diagnóstico tardio ou tratamento inadequado está associado a complicações permanentes, como deficiências neurológicas, auditivas e visuais. A mortalidade é elevada em formas graves não tratadas, podendo chegar a 40% no primeiro ano de vida. O acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar sequelas e garantir intervenções precoces.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

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