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CID A46: Erisipela
A46
Erisipela
Mais informações sobre o tema:
Definição
A erisipela é uma infecção bacteriana aguda da pele e tecidos subcutâneos, caracterizada por um processo inflamatório que afeta predominantemente a derme e os vasos linfáticos superficiais. É causada principalmente por Streptococcus beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes), embora outros estreptococos possam estar envolvidos. A infecção manifesta-se clinicamente como uma placa eritematosa, edematosa, bem delimitada e dolorosa, frequentemente associada a febre e mal-estar geral. A erisipela é mais comum em extremidades inferiores, especialmente em indivíduos com fatores de risco como linfedema, obesidade, diabetes mellitus ou imunossupressão. Sua incidência é significativa em todo o mundo, com maior prevalência em regiões tropicais e em populações com condições socioeconômicas desfavoráveis, representando uma causa importante de morbidade e hospitalização.
Descrição clínica
A erisipela apresenta-se como uma infecção cutânea aguda, com início súbito de eritema, edema, calor e dor local. A lesão é tipicamente bem demarcada, com bordas elevadas e brilhantes, podendo evoluir com formação de bolhas ou petéquias. Sintomas sistêmicos como febre, calafrios, taquicardia e mal-estar são frequentes. A localização mais comum é nos membros inferiores, mas pode ocorrer em face, braços ou tronco. Em casos graves, pode haver celulite associada, linfangite ou abscessos. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado na apresentação característica e história de fatores predisponentes.
Quadro clínico
O quadro clínico inicia-se abruptamente com febre alta (38-40°C), calafrios, mal-estar e cefaleia. Localmente, observa-se uma placa eritematosa, edematosa, quente e dolorosa, com bordas bem definidas e elevadas. A pele afetada pode apresentar brilho e tensão, com possível formação de vesículas, bolhas ou petéquias. Linfangite manifesta-se como estrias vermelhas proximais à lesão. Linfadenopatia regional é comum. Em membros inferiores, é frequente associar-se a linfedema pré-existente. Sem tratamento, a infecção pode progredir para celulite, abscessos, ou raramente, fascite necrosante.
Complicações possíveis
Abscesso cutâneo
Formação de coleção purulenta localizada devido à progressão da infecção.
Linfedema crônico
Edema persistente no membro afetado por dano linfático recorrente.
Bacteremia/Sepse
Disseminação hematogênica da infecção, podendo evoluir para choque séptico.
Fascite necrosante
Complicação rara mas grave, com necrose de tecidos moles e alta mortalidade.
Tromboflebite
Inflamação e trombose de veias superficiais ou profundas associadas à infecção.
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A erisipela tem uma incidência anual estimada de 10-100 casos por 100.000 habitantes, variando com fatores geográficos e socioeconômicos. É mais comum em adultos de meia-idade e idosos, com predomínio no sexo feminino. Fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, insuficiência venosa, linfedema, imunossupressão e história prévia de erisipela. A incidência é maior em regiões tropicais e em populações com acesso limitado a cuidados de saúde.
Prognóstico
O prognóstico da erisipela é geralmente bom com tratamento antimicrobiano precoce, com resolução dos sintomas em 7-14 dias. No entanto, recidivas são frequentes (até 30% dos casos), especialmente em pacientes com linfedema ou outros fatores de risco. Complicações como linfedema crônico podem levar a incapacidade funcional. A mortalidade é baixa em casos não complicados, mas aumenta significativamente com bacteremia, sepse ou comorbidades graves.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico da erisipela é baseado em critérios clínicos: início agudo de lesão cutânea eritematosa, edematosa, bem delimitada e dolorosa, associada a sinais sistêmicos como febre e mal-estar. A presença de fatores de risco (e.g., linfedema, diabetes) apoia o diagnóstico. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose com desvio à esquerda, elevação de PCR e VHS. A cultura de aspirado ou biópsia da lesão raramente é positiva, mas pode ser considerada em casos atípicos. A ultrassonografia com Doppler pode auxiliar na exclusão de trombose venosa profunda.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Celulite
Infecção bacteriana da pele e tecidos subcutâneos mais profundos, com borders menos definidos e envolvimento mais difuso; frequentemente causada por Staphylococcus aureus e Streptococcus.
UpToDate: 'Cellulitis and skin abscess in adults: Epidemiology, microbiology, clinical manifestations, and diagnosis'.
Dermatite de estase
Condição inflamatória crônica da pele em membros inferiores devido a insuficiência venosa, caracterizada por eritema, edema, descamação e prurido, sem febre ou sinais sistêmicos agudos.
PubMed: 'Stasis dermatitis: a comprehensive review'.
Tromboflebite superficial
Inflamação de veias superficiais, apresentando cordão venoso palpável, doloroso e eritematoso, sem envolvimento cutâneo difuso ou sinais sistêmicos proeminentes.
Micromedex: 'Superficial thrombophlebitis'.
Eritema migrans
Lesão cutânea característica da doença de Lyme, com expansão centrífuga e clareamento central, associada a história de picada de carrapato e sem febre alta aguda.
WHO: 'Lyme borreliosis'.
Fascite necrosante
Infecção grave de tecidos moles com necrose rápida, dor desproporcional ao exame físico, crepitação e sinais de toxicidade sistêmica; requer diagnóstico e intervenção urgentes.
Diretrizes Brasileiras de Infecções de Pele e Tecidos Moles.
Exames recomendados
Hemograma completo
Avaliação de leucocitose com neutrofilia, que suporta o diagnóstico de infecção bacteriana.
Confirmar resposta inflamatória sistêmica e auxiliar no monitoramento da evolução.
Proteína C reativa (PCR) e VHS
Marcadores inflamatórios elevados na fase aguda da infecção.
Avaliar a intensidade da resposta inflamatória e resposta ao tratamento.
Cultura de sangue
Coleta de amostras sanguíneas para identificação bacteriana em casos de suspeita de bacteremia ou sepse.
Detectar disseminação hematogênica e guiar terapia antimicrobiana.
Ultrassonografia com Doppler
Exame de imagem para avaliar edema tecidual, exclusão de trombose venosa profunda e detecção de abscessos.
Diferenciar de outras condições como trombose e avaliar complicações locais.
Cultura de aspirado ou biópsia cutânea
Realizada em casos atípicos ou não responsivos ao tratamento, para isolamento do agente etiológico.
Confirmar diagnóstico microbiológico e ajustar antibioticoterapia.
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Reduz portas de entrada para bactérias em pés e mãos.
Controle de fatores de risco
Manejo de obesidade, diabetes e linfedema para diminuir a susceptibilidade.
Higiene pessoal rigorosa
Lavagem regular das mãos e cuidados com feridas cutâneas.
Uso profilático de antibióticos
Considerado em pacientes com múltiplas recidivas, com penicilina ou eritromicina.
Vigilância e notificação
A erisipela não é uma doença de notificação compulsória nacional no Brasil, mas casos graves ou surtos devem ser monitorados localmente. A vigilância epidemiológica foca em fatores de risco, recidivas e resistência antimicrobiana. Em serviços de saúde, a notificação de complicações como sepse pode ser requerida conforme protocolos institucionais.
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Não, a erisipela não é considerada uma doença contagiosa de pessoa para pessoa, pois resulta da invasão bacteriana através de soluções de continuidade na pele do próprio indivíduo, não por transmissão direta.
Os principais fatores de risco incluem linfedema, obesidade, diabetes mellitus, insuficiência venosa, imunossupressão, história prévia de erisipela, e presença de fissuras ou feridas cutâneas, especialmente em membros inferiores.
A prevenção de recidivas envolve o controle de fatores de risco (e.g., tratamento do linfedema com meias de compressão e fisioterapia), higiene rigorosa da pele, cuidado com feridas, e em alguns casos, uso profilático de antibióticos como penicilina benzatina.
A erisipela afeta predominantemente a derme e vasos linfáticos superficiais, com lesão bem delimitada e bordas elevadas, enquanto a celulite envolve tecidos subcutâneos mais profundos, com borders menos definidos e maior difusão; ambas são causadas por bactérias, mas a erisipela é mais associada a Streptococcus.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...