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CID A40: Septicemia estreptocócica
A400
Septicemia por Streptococcus do grupo A
A401
Septicemia por Streptococcus do grupo B
A402
Septicemia por Streptococcus do grupo D
A403
Septicemia por Streptococcus pneumonia
A408
Outras septicemias estreptocócicas
A409
Septicemia estreptocócica não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A septicemia estreptocócica é uma infecção sistêmica grave caracterizada pela presença de bactérias do gênero Streptococcus na corrente sanguínea, frequentemente associada a uma resposta inflamatória desregulada do hospedeiro. Esta condição representa uma emergência médica devido ao seu potencial de evolução para choque séptico, falência de múltiplos órgãos e óbito, exigindo intervenção rápida e adequada. Os estreptococos envolvidos incluem principalmente Streptococcus pyogenes (grupo A) e Streptococcus agalactiae (grupo B), embora outras espécies possam estar implicadas. Epidemiologicamente, a incidência varia conforme a região, idade e condições subjacentes, com grupos de risco como neonatos, idosos e imunocomprometidos apresentando maior susceptibilidade.
Descrição clínica
A septicemia estreptocócica manifesta-se clinicamente como uma síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) desencadeada pela disseminação hematogênica de estreptococos. Os sinais e sintomas incluem febre alta, calafrios, taquicardia, taquipneia, hipotensão, alterações do estado mental e lesões cutâneas como petéquias ou equimoses. Em casos graves, pode progredir para choque séptico com hipoperfusão tissular e disfunção orgânica. A apresentação pode ser aguda e fulminante, especialmente em infecções por S. pyogenes, associadas a síndrome do choque tóxico estreptocócico.
Quadro clínico
O quadro clínico é caracterizado por início agudo com febre (>38°C) ou hipotermia (90 bpm), taquipneia (FR >20 rpm ou PaCO2 <32 mmHg), e alterações neurológicas (ex.: confusão, letargia). Sinais de hipoperfusão incluem pele fria e úmida, cianose, oligúria e hipotensão arterial. Lesões cutâneas como petéquias, púrpura ou necrose podem estar presentes, especialmente em infecções por S. pyogenes. Em neonatos, manifestações incluem irritabilidade, letargia, dificuldade alimentar e instabilidade térmica.
Complicações possíveis
Choque séptico
Estado de hipotensão persistente refratária a reposição volêmica, com hipoperfusão tissular e alto risco de óbito.
Coagulação intravascular disseminada (CIVD)
Distúrbio da coagulação caracterizado por trombose e hemorragia, resultante da ativação sistêmica da cascata de coagulação.
Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
Insuficiência respiratória grave com infiltrados pulmonares bilaterais, associada a inflamação pulmonar.
Falência renal aguda
Comprometimento da função renal, frequentemente necessitando de terapia renal substitutiva.
Morte
Desfecho fatal, especialmente em casos de diagnóstico tardio ou manejo inadequado.
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A incidência de septicemia estreptocócica varia globalmente, com estimativas anuais de 20 a 30 casos por 100.000 habitantes em países desenvolvidos. Streptococcus pyogenes é mais comum em crianças e adultos jovens, enquanto Streptococcus agalactiae predomina em neonatos e gestantes. Fatores de risco incluem extremos de idade, diabetes, imunossupressão, e procedimentos invasivos. No Brasil, dados do DATASUS indicam uma carga significativa, com subnotificação comum.
Prognóstico
O prognóstico da septicemia estreptocócica é reservado e depende da precocidade do diagnóstico, adequação do tratamento antimicrobiano, presença de comorbidades e desenvolvimento de complicações. Taxas de mortalidade variam de 10% a 40%, sendo maiores em idosos, imunocomprometidos e naqueles com choque séptico. Intervenções precoces, como antibioticoterapia empírica dentro da primeira hora e suporte hemodinâmico, melhoram significativamente a sobrevida.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de critérios clínicos, laboratoriais e microbiológicos. Critérios clínicos incluem sinais de SIRS (pelo menos dois: temperatura alterada, taquicardia, taquipneia, leucocitose ou leucopenia). A confirmação microbiológica é obtida através de hemoculturas positivas para Streptococcus spp. Critérios adicionais para sepse grave incluem disfunção orgânica (ex.: hipotensão, acidose lática, trombocitopenia), e para choque séptico, hipotensão refratária a reposição volêmica. Diretrizes como as da Surviving Sepsis Campaign reforçam a importância do diagnóstico precoce.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Septicemia por Staphylococcus aureus
Infecção sanguínea por S. aureus, que pode apresentar quadro clínico similar, mas frequentemente associada a abscessos ou endocardite; diferenciada por hemocultura e testes de sensibilidade.
UpToDate
Sepse de origem urinária
Sepse secundária a infecção do trato urinário, com sintomas como disúria e dor lombar; diferenciada por urocultura e ausência de foco extra-urinário.
Diretrizes Brasileiras de Infecções do Trato Urinário
Meningite bacteriana
Infecção do sistema nervoso central com febre, cefaleia e rigidez de nuca; diferenciada por punção lombar e análise do LCR.
WHO Guidelines on Meningitis
Endocardite infecciosa
Infecção valvular cardíaca com febre, sopros cardíacos e embolias; diferenciada por ecocardiograma e critérios de Duke.
ESC Guidelines for Infective Endocarditis
Febre tifoide
Infecção sistêmica por Salmonella typhi, com febre progressiva, bradicardia relativa e roseolas; diferenciada por hemocultura e sorologia.
CDC Guidelines for Typhoid Fever
Exames recomendados
Hemocultura
Coleta de sangue para isolamento e identificação do agente bacteriano, essencial para confirmação diagnóstica e teste de sensibilidade antimicrobiana.
Confirmar a presença de Streptococcus spp. na corrente sanguínea e guiar terapia antibiótica.
Hemograma completo
Avaliação de leucocitose ou leucopenia, trombocitopenia e anemia, indicativos de resposta inflamatória e complicações hematológicas.
Detectar alterações sugestivas de sepse e monitorar evolução.
Dosagem de lactato sérico
Medição dos níveis de lactato no sangue, um marcador de hipoperfusão tissular e prognóstico em sepse.
Avaliar gravidade e guiar reanimação volêmica.
Proteína C reativa (PCR) e procalcitonina
Marcadores inflamatórios que auxiliam na diferenciação entre infecção bacteriana e outras causas de inflamação.
Suportar o diagnóstico de infecção bacteriana e monitorar resposta ao tratamento.
Testes de função orgânica
Inclui dosagem de creatinina, ureia, bilirrubina e enzimas hepáticas para avaliar disfunção renal e hepática.
Identificar falência de múltiplos órgãos e orientar suporte.
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Lavagem frequente com água e sabão ou uso de álcool gel para reduzir transmissão de patógenos.
Uso racional de antibióticos
Prescrição adequada para evitar resistência bacteriana e infecções secundárias.
Cuidados com feridas
Limpeza e proteção de lesões cutâneas para prevenir infecções bacterianas invasivas.
Vigilância e notificação
A septicemia estreptocócica é de notificação compulsória em muitos sistemas de saúde, incluindo o Brasil, através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A vigilância visa monitorar surtos, tendências epidemiológicas e resistência antimicrobiana. Medidas incluem investigação de casos, controle de infecção em serviços de saúde e educação sobre higiene.
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Recomenda-se administrar a primeira dose de antibiótico dentro da primeira hora após o reconhecimento da sepse, conforme diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, para reduzir mortalidade.
Não é diretamente contagiosa, mas os estreptococos podem ser transmitidos por contato direto com secreções infectadas; medidas de isolamento são indicadas em surtos.
Fatores incluem idade avançada, comorbidades como diabetes e imunossupressão, atraso no tratamento, e infecção por cepas virulentas como S. pyogenes produtor de toxinas.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...