CID A38: Escarlatina
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Definição
A escarlatina, também conhecida como febre escarlate, é uma doença infecciosa aguda causada por toxinas eritrogênicas produzidas por cepas de Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Caracteriza-se por um exantema cutâneo difuso, febre, faringite e língua em framboesa. A patogênese envolve a colonização da orofaringe pelo patógeno, seguida pela liberação de exotoxinas pirogênicas (especialmente as toxinas A, B e C), que desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica e o rash característico. Epidemiologicamente, é mais comum em crianças entre 5 e 15 anos, com picos de incidência em regiões temperadas durante o inverno e primavera. O impacto clínico varia de casos leves a complicações graves, como febre reumática ou glomerulonefrite, se não tratada adequadamente.
Descrição clínica
A escarlatina manifesta-se classicamente com início abrupto de febre alta, dor de garganta, cefaleia, mal-estar e vômitos. O exantema surge dentro de 1-2 dias, iniciando no tronco e spreadindo para extremidades, poupando a região perioral (sinal de Filatov). O rash é eritematoso, punctiforme, com textura de lixa, e branqueia à pressão. A língua pode apresentar-se inicialmente com saburra branca (língua em morango branco), evoluindo para eritema e papilas proeminentes (língua em framboesa). Outros sinais incluem linhas de Pastia (petéquias em pregas cutâneas) e descamação fina da pele durante a convalescença, especialmente nas pontas dos dedos.
Quadro clínico
O quadro inclui fase prodrômica com febre (39-40°C), calafrios, faringite exsudativa, adenomegalia cervical anterior, e mal-estar. Em 12-48 horas, surge o exantema escarlatiforme, generalizado, com prurido leve. A língua evolui de saburrosa para framboesa em 4-5 dias. Sintomas gastrointestinais como vômitos e dor abdominal são comuns em crianças. A resolução ocorre em 3-7 dias, com descamação da pele, iniciando na face e progredindo para tronco e extremidades.
Complicações possíveis
Febre reumática
Doença inflamatória autoimune que pode afetar coração, articulações, pele e sistema nervoso central, devido à cross-reatividade imunológica.
Glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica
Inflamação glomerular com hematúria, proteinúria, edema e hipertensão, geralmente 1-3 semanas após a infecção.
Abscesso periamigdaliano
Complicação supurativa local com dor intensa, trismo e desvio de úvula, requerendo drenagem.
Otite média aguda
Infecção do ouvido médio por extensão da infecção faríngea, com otalgia e febre.
Síndrome do choque tóxico estreptocócico
Forma grave com hipotensão, rash e falência de múltiplos órgãos, associada a alta mortalidade.
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Epidemiologia
A escarlatina é endêmica mundialmente, com surtos em comunidades fechadas (escolas, creches). Incidência maior em crianças de 5-15 anos, rara em 40 anos por exposição prévia. Taxas variam sazonalmente, com picos no inverno e primavera em climas temperados. No Brasil, é de notificação compulsória, com casos esporádicos e surtos registrados.
Prognóstico
Geralmente bom com tratamento antibiótico adequado, com resolução dos sintomas em 5-7 dias. Complicações são raras com terapia precoce, mas a febre reumática e glomerulonefrite podem ocorrer em 1-3% dos casos não tratados. A mortalidade é baixa (<1%) em settings modernos, mas maior em populações vulneráveis ou com acesso limitado à saúde.
Perguntas Frequentes
Editorial Sanarmed
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