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CID A32: Listeriose [listeríase]
A320
Listeriose cutânea
A321
Meningite e meningoencefalite por listéria
A327
Septicemia listeriótica
A328
Outras formas de listeriose
A329
Listeriose não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A listeriose é uma doença infecciosa bacteriana causada por *Listeria monocytogenes*, um bacilo Gram-positivo, aeróbio facultativo, móvel e intracelular facultativo. A doença é caracterizada por seu amplo espectro clínico, variando de infecções gastrointestinais leves e autolimitadas a formas invasivas graves, como bacteremia, meningite, encefalite e infecções materno-fetais, incluindo aborto espontâneo, parto prematuro e infecção neonatal. A listeriose é uma zoonose de importância em saúde pública, com transmissão primária através da ingestão de alimentos contaminados, especialmente produtos lácteos não pasteurizados, carnes prontas para consumo e vegetais crus. A infecção é particularmente grave em grupos de risco, como gestantes, recém-nascidos, idosos e indivíduos imunocomprometidos, com taxas de mortalidade que podem exceder 20% em casos invasivos. Epidemiologicamente, apresenta distribuição global, com surtos esporádicos ou epidêmicos relacionados a contaminações alimentares, sendo notificável em muitos sistemas de vigilância devido ao seu potencial de morbimortalidade.
Descrição clínica
A listeriose manifesta-se de forma variável, dependendo do estado imunológico do hospedeiro. Em indivíduos imunocompetentes, pode cursar com gastroenterite febril aguda, autolimitada, com diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal, iniciando 12 a 48 horas após a ingestão do alimento contaminado. Em grupos de risco, a forma invasiva é predominante, caracterizando-se por bacteremia, que pode evoluir para complicações como meningite (com cefaleia, rigidez de nuca, fotofobia e alteração do nível de consciência), encefalite (especialmente em imunossuprimidos, com focos neurológicos), endocardite e infecções localizadas (ex.: artrite, osteomielite). Em gestantes, a infecção frequentemente se apresenta como uma doença febril inespecífica, semelhante à gripe, mas pode levar a abortamento, parto prematuro, óbito fetal ou infecção neonatal grave (listeriose congênita), com sepse de início precoce ou tardio, meningite e granulomatose infantiséptica.
Quadro clínico
O quadro clínico da listeriose é heterogêneo. Em adultos imunocompetentes: gastroenterite febril aguda com diarreia, náuseas, vômitos, dor abdominal e febre, resolvendo em 1-3 dias. Em grupos de risco (gestantes, idosos, imunossuprimidos): forma invasiva com início insidioso ou abrupto de febre, mialgia, cefaleia e mal-estar, evoluindo para bacteremia (sepse) e complicações como meningite (cefaleia intensa, rigidez de nuca, vômitos, alteração do sensório), encefalite (convulsões, déficits focais), endocardite (sopros, embolias) ou infecções focais (ex.: artrite, pielonefrite). Em gestantes: doença febril inespecífica, sem sintomas gastrointestinais proeminentes, mas com risco de aborto, parto prematuro ou natimorto. Em neonatos: listeriose congênita com sepse de início precoce (dentro de 7 dias, com distress respiratório, febre, letargia) ou tardio (após 7 dias, com meningite); pode apresentar erupção cutânea, hepatosplenomegalia e granulomatose infantiséptica.
Complicações possíveis
Meningite
Inflamação das meninges, podendo levar a sequelas neurológicas como hidrocefalia, deficits cognitivos ou epilepsia.
Encefalite
Inflamação do parênquima cerebral, com risco de abscessos, edema cerebral e déficits neurológicos focais ou morte.
Sepse grave e choque séptico
Resposta inflamatória sistêmica desregulada, com insuficiência de múltiplos órgãos e alta mortalidade.
Aborto ou óbito fetal
Perda gestacional devido à infecção placentária e fetal, comum em gestantes não tratadas.
Granulomatose infantiséptica
Formação de granulomas disseminados em neonatos, afetando fígado, baço, pulmões e SNC, com alto risco de óbito.
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A listeriose tem distribuição global, com incidência variável; em países desenvolvidos, é estimada em 0,1-0,5 casos por 100.000 habitantes/ano, com surtos relacionados a alimentos. Grupos de maior risco incluem gestantes (incidência 12 vezes maior), recém-nascidos, idosos (>65 anos) e imunocomprometidos (ex.: AIDS, transplantados). A transmissão é predominantemente alimentar, com fontes comuns como queijos de leite não pasteurizado, patês, carnes frias e vegetais crus. Sazonalidade é observada, com picos no verão. No Brasil, é uma doença de notificação compulsória, com casos esporádicos e surtos registrados, refletindo desafios em segurança alimentar.
Prognóstico
O prognóstico da listeriose varia amplamente: em indivíduos imunocompetentes com gastroenterite, é excelente, com resolução espontânea. Em formas invasivas, a mortalidade pode atingir 20-30%, especialmente em idosos, imunossuprimidos e neonatos. Fatores de mau prognóstico incluem atraso no diagnóstico, meningite, encefalite, sepse com disfunção orgânica e infecção neonatal precoce. O tratamento precoce com antibióticos adequados reduz significativamente a mortalidade e sequelas. Gestantes tratadas adequadamente têm bom prognóstico materno, mas o fetal depende da precocidade da terapia; sequelas neurológicas são comuns em sobreviventes de meningite ou encefalite.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico de listeriose baseia-se na suspeita clínica em grupos de risco e confirmação microbiológica. Critérios incluem: 1) Isolamento de *Listeria monocytogenes* de sangue, líquor, líquido amniótico, placenta ou outros tecidos estéreis em cultura; 2) Evidência sorológica ou molecular (ex.: PCR) em contextos específicos, como surtos. Para casos invasivos, a bacteremia ou meningite com culturas positivas é diagnóstica. Em gestantes, a febre inexplicada com culturas positivas de sangue ou líquido amniótico confirma a infecção. A histopatologia de tecidos (ex.: placenta) mostrando microabscessos ou granulomas com bacilos Gram-positivos suporta o diagnóstico. Diretrizes como as do CDC e da OMS recomendam a notificação e investigação de casos em surtos alimentares.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Meningite bacteriana por outros patógenos
Meningite causada por *Streptococcus pneumoniae*, *Neisseria meningitidis* ou *Haemophilus influenzae*, que podem apresentar quadro clínico semelhante com febre, cefaleia e rigidez de nuca, mas diferem na epidemiologia e resposta a antibióticos.
WHO. Meningitis. 2021.
Sepse de outras etiologias
Infecções sanguíneas por bactérias Gram-negativas (ex.: *Escherichia coli*, *Klebsiella*) ou Gram-positivas (ex.: *Staphylococcus aureus*), que podem mimetizar a bacteremia por *Listeria*, porém com fatores de risco e perfis de resistência distintos.
Singer M, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016.
Gastroenterite infecciosa
Infecções gastrointestinais por *Salmonella*, *Campylobacter*, ou vírus (ex.: norovírus), que causam diarreia e vômitos, mas geralmente sem o potencial de invasão sistêmica visto na listeriose.
Guerrant RL, et al. Practice guidelines for the management of infectious diarrhea. Clin Infect Dis. 2001.
Toxoplasmose congênita
Infecção congênita por *Toxoplasma gondii* que pode causar hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite em neonatos, semelhante a algumas manifestações da listeriose congênita, mas com etiologia parasitária e diagnóstico sorológico.
Montoya JG, Liesenfeld O. Toxoplasmosis. Lancet. 2004.
Endocardite infecciosa
Infecção valvar cardíaca por outros patógenos como *Staphylococcus* ou *Streptococcus*, compartilhando febre, sopros e embolias, mas com ecocardiograma e culturas sanguíneas diferenciadoras.
Baddour LM, et al. Infective Endocarditis in Adults: Diagnosis, Antimicrobial Therapy, and Management of Complications. Circulation. 2015.
Exames recomendados
Hemocultura
Coleta de sangue para cultura bacteriana, essencial para detectar bacteremia por *L. monocytogenes* em casos suspeitos de forma invasiva.
Confirmar a presença de bacteremia e guiar a terapia antimicrobiana.
Cultura do líquor
Análise microbiológica do líquido cefalorraquidiano obtido por punção lombar, indicada em pacientes com sinais meníngeos ou encefalíticos.
Diagnosticar meningite ou encefalite por *Listeria* e excluir outros patógenos.
PCR para *Listeria monocytogenes*
Teste molecular de reação em cadeia da polimerase para detecção de DNA bacteriano em amostras como sangue, líquor ou tecidos.
Agilizar o diagnóstico em casos graves ou surtos, especialmente quando as culturas são negativas ou demoradas.
Exames de imagem (TC ou RM de crânio)
Tomografia computadorizada ou ressonância magnética do encéfalo para avaliar complicações como abscessos, encefalite ou hidrocefalia.
Identificar alterações estruturais no SNC e guiar o manejo em pacientes com sintomas neurológicos.
Testes sorológicos
Dosagem de anticorpos anti-*Listeria* no soro, útil principalmente em estudos epidemiológicos ou para confirmar infecção prévia.
Apoiar o diagnóstico em contextos de surto, embora não seja rotineiramente recomendado para diagnóstico agudo devido à baixa especificidade.
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Aquecer carnes, aves e produtos derivados a temperaturas seguras (>70°C) para destruir *L. monocytogenes*.
Evitar laticínios não pasteurizados
Consumir apenas leite e queijos pasteurizados, especialmente por gestantes e imunocomprometidos.
Higiene alimentar
Lavar bem frutas e vegetais, separar alimentos crus de cozidos, e manter refrigeração adequada para inibir crescimento bacteriano.
Educação em saúde
Divulgação de informações sobre riscos alimentares para populações vulneráveis, através de campanhas públicas.
Vigilância e notificação
A listeriose é uma doença de notificação compulsória em muitos países, incluindo o Brasil, conforme Portaria MS nº 204/2016. A vigilância envolve a notificação imediata de casos suspeitos ou confirmados ao sistema de saúde local (ex.: SINAN), investigação de surtos com rastreamento de fontes alimentares, e monitoramento de tendências epidemiológicas. Medidas incluem recall de alimentos contaminados, educação sobre práticas seguras de manipulação e cozimento, e reforço da pasteurização. Em gestantes e neonatos, a vigilância é intensificada para detecção precoce. A OMS recomenda a integração com sistemas de segurança alimentar para prevenção.
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Alimentos de alto risco incluem queijos de leite não pasteurizado, patês refrigerados, carnes frias (ex.: salame), frutos do mar defumados e vegetais crus contaminados. A pasteurização e o cozimento adequado reduzem significativamente o risco.
Não, a transmissão interpessoal direta é extremamente rara. A principal via é a ingestão de alimentos contaminados, embora a transmissão vertical (mãe para feto) ocorra durante a gestação.
O período de incubação varia: para gastroenterite, é de 12 a 48 horas; para formas invasivas, pode ser de 3 a 70 dias, com média de 1-2 semanas, dependendo da dose infecciosa e do estado imune do hospedeiro.
Em gestantes, o tratamento é com ampicilina intravenosa, frequentemente combinada com gentamicina em casos graves, por 14-21 dias. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para prevenir complicações fetais.
A resistência é incomum; *L. monocytogenes* geralmente é sensível a ampicilina, penicilina e trimetoprima-sulfametoxazol. No entanto, relatos esporádicos de resistência a tetraciclinas ou eritromicina exigem testes de sensibilidade em casos complexos.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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