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CID A30: Hanseníase [doença de Hansen] [lepra]
A300
Hanseníase [lepra] indeterminada
A301
Hanseníase [lepra] tuberculóide
A302
Hanseníase [lepra] tuberculóide borderline
A303
Hanseníase [lepra] dimorfa
A304
Hanseníase [lepra] lepromatosa borderline
A305
Hanseníase [lepra] lepromatosa
A308
Outras formas de hanseníase [lepra]
A309
Hanseníase [lepra] não especificada
Mais informações sobre o tema:
Definição
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente que afeta predominantemente a pele, nervos periféricos, mucosa do trato respiratório superior e olhos. A doença é caracterizada por um amplo espectro clínico, que varia de formas paucibacilares (com poucos bacilos) a multibacilares (com muitos bacilos), dependendo da resposta imune do hospedeiro. A hanseníase tem um impacto significativo na saúde pública devido ao seu potencial para causar incapacidades físicas permanentes se não for diagnosticada e tratada precocemente. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais, com o Brasil sendo um dos países com maior carga da doença globalmente, exigindo vigilância contínua e estratégias de controle integradas.
Descrição clínica
A hanseníase manifesta-se através de lesões cutâneas hipopigmentadas ou eritematosas, com perda de sensibilidade ao tato, dor e temperatura, devido ao envolvimento dos nervos periféricos. Podem ocorrer espessamentos nervosos palpáveis, como no nervo ulnar, mediano ou poplíteo lateral. A progressão pode levar a deformidades, como mãos em garra, pé caído e úlceras neuropáticas. A classificação de Ridley-Jopling inclui formas como tuberculoide, borderline e lepromatosa, refletindo a variabilidade imunológica. A doença é de notificação compulsória no Brasil, e o diagnóstico precoce é crucial para prevenir incapacidades.
Quadro clínico
O quadro clínico varia desde manchas cutâneas únicas ou múltiplas com anestesia, até infiltração difusa da pele, espessamento nervoso e envolvimento sistêmico. Sintomas incluem parestesias, perda de força muscular, ressecamento ocular e nasal, e episódios de reações hansênicas com dor neural, edema e febre. Formas avançadas podem apresentar madarose (perda de cílios e sobrancelhas), rinorreia sanguinolenta e deformidades ósseas. A evolução é lenta, com período de incubação médio de 2 a 5 anos, mas pode chegar a décadas.
Complicações possíveis
Deformidades e incapacidades permanentes
Incluem mãos em garra, pé caído, úlceras plantares e cegueira por ceratite ou iridociclite, resultantes de dano neural irreversível.
Reações hansênicas
Episódios agudos de inflamação, como reação reversa (tipo 1) com edema neural e eritema nodoso hansênico (tipo 2) com febre e artralgias, podendo exacerbar danos.
Infecções secundárias
Úlceras neuropáticas predisponentes a celulite, osteomielite e septicemia, com alto risco de amputação.
Estigma social e psicológico
Impacto na qualidade de vida devido a discriminação, ansiedade e depressão, agravado por sequelas visíveis.
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A hanseníase é endêmica em países em desenvolvimento, com cerca de 200.000 novos casos globais anualmente, segundo a OMS. O Brasil registra aproximadamente 30.000 novos casos por ano, concentrados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A incidência é maior em homens e em faixas etárias economicamente ativas (20-50 anos). Fatores de risco incluem baixo nível socioeconômico, aglomeração domiciliar e contato prolongado com casos não tratados. A doença é de notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico precoce e tratamento adequado, levando à cura bacteriológica e prevenção de incapacidades. No entanto, formas multibacilares ou com reações frequentes têm maior risco de sequelas neurológicas permanentes. A adesão à poliquimioterapia é crucial; a taxa de recidiva é baixa (<1%) com terapia completa. Fatores como acesso a cuidados, reabilitação e apoio psicossocial influenciam os desfechos a longo prazo.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se em critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS): presença de uma ou mais das seguintes características: 1) Lesão cutânea com perda de sensibilidade; 2) Espessamento de nervos periféricos; 3) Detecção de bacilos álcool-ácido resistentes em esfregaços de linfa cutânea ou biópsia. A classificação operacional da OMS divide em paucibacilar (até 5 lesões) e multibacilar (6 ou mais lesões), guiando a terapia. Exames complementares incluem teste de sensibilidade, força muscular e biópsia neural.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Vitiligo
Doença dermatológica caracterizada por despigmentação cutânea, mas sem perda de sensibilidade ou envolvimento neural.
Sociedade Brasileira de Dermatologia. Diretrizes de Vitiligo. 2019.
Neuropatia periférica diabética
Causa perda sensorial e fraqueza, mas geralmente simétrica, sem lesões cutâneas específicas e associada a histórico de diabetes.
American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes. 2021.
Sarcoidose cutânea
Pode apresentar lesões granulomatosas na pele, mas geralmente com envolvimento sistêmico (pulmonar) e sem bacilos detectáveis.
ATS/ERS/WASOG Statement on Sarcoidosis. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. 1999.
Lúpus eritematoso cutâneo
Manifesta-se com lesões eritematosas, mas com fotossensibilidade e achados imunológicos, sem espessamento nervoso característico.
European League Against Rheumatism. Recommendations for Management of Lupus. 2019.
Esclerodermia localizada
Causa endurecimento da pele, mas geralmente sem perda de sensibilidade ou envolvimento neural proeminente.
Journal of the American Academy of Dermatology. Guidelines for Scleroderma. 2018.
Exames recomendados
Baciloscopia de linfa cutânea
Coleta de material de lóbulos auriculares, cotovelos ou lesões para coloração de Ziehl-Neelsen, detectando bacilos álcool-ácido resistentes.
Confirmar a presença de M. leprae e classificar como paucibacilar ou multibacilar.
Biópsia de pele ou nervo
Análise histopatológica para identificar granulomas, infiltrado inflamatório e bacilos, auxiliando na classificação histológica.
Estabelecer diagnóstico definitivo e diferenciar formas da doença.
Teste de sensibilidade (térmica, dolorosa, tátil)
Avaliação clínica da perda sensorial em lesões cutâneas usando algodão, água quente/fria e agulha.
Detectar envolvimento neural precoce e monitorar progressão.
Eletroneuromiografia
Estudo da condução nervosa e atividade muscular para avaliar o grau de neuropatia periférica.
Quantificar dano neural e guiar reabilitação.
Sorologia (anti-PGL-1)
Detecção de anticorpos contra glicolipídeo fenólico-1, mais útil em formas multibacilares.
Auxiliar no diagnóstico e vigilância epidemiológica, embora não seja rotineira.
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Identificação rápida de casos e início da poliquimioterapia para interromper a transmissão.
Exame de contatos
Avaliação periódica de familiares e contatos próximos de casos para detectar infecção assintomática.
Quimioprofilaxia
Administração de dose única de rifampicina para contatos de casos multibacilares, conforme recomendação da OMS.
Melhoria das condições sanitárias
Redução de aglomerações e promoção de higiene para diminuir a exposição ao bacilo.
Vigilância e notificação
No Brasil, a hanseníase é de notificação compulsória imediata, com casos registrados no SINAN. A vigilância inclui busca ativa de casos, exames de contatos domiciliares e monitoramento de tratamento via estratégia de saúde da família. A OMS recomenda quimioprofilaxia com rifampicina para contatos de casos multibacilares. Campanhas educativas visam reduzir o estigma e promover diagnóstico precoce, alinhadas ao Plano Nacional de Eliminação da Hanseníase.
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Sim, a hanseníase é contagiosa, mas a transmissão requer contato prolongado e próximo com casos multibacilares não tratados, através de gotículas respiratórias. A maioria das pessoas tem resistência natural, e o tratamento rapidamente reduz a infectividade.
O tratamento com poliquimioterapia varia: 6 meses para formas paucibacilares e 12 meses para multibacilares, conforme diretrizes da OMS. A adesão é fundamental para cura e prevenção de resistência.
Sim, a hanseníase tem cura com tratamento adequado, levando à eliminação do bacilo. No entanto, sequelas neurológicas podem ser permanentes se houver diagnóstico tardio, destacando a importância do manejo precoce.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
Sobre a Sanar: A Sanar é uma das maiores plataformas de educação médica da América Latina...