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CID A07: Outras doenças intestinais por protozoários
A070
Balantidíase
A071
Giardíase [lamblíase]
A072
Criptosporidiose
A073
Isosporíase
A078
Outras doenças intestinais especificadas por protozoários
A079
Doença intestinal não especificada por protozoários
Mais informações sobre o tema:
Definição
A categoria A07 do CID-10 abrange doenças intestinais causadas por protozoários não especificados em outras categorias, como A06 (Amebíase) ou A07.0 (Balantidíase). Essas infecções envolvem protozoários patogênicos que colonizam o trato gastrointestinal, levando a sintomas como diarreia, dor abdominal e desidratação. A transmissão ocorre principalmente via fecal-oral, através da ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos protozoários, sendo comum em regiões com saneamento básico inadequado. A fisiopatologia inclui adesão do protozoário ao epitélio intestinal, invasão tecidual, e resposta inflamatória local, resultando em dano à mucosa e alterações na absorção de nutrientes. Epidemiologicamente, são mais prevalentes em áreas tropicais e subtropicais, afetando particularmente crianças, idosos e imunocomprometidos, com impacto significativo na saúde pública devido a surtos e complicações como desnutrição.
Descrição clínica
As doenças intestinais por protozoários nesta categoria apresentam um espectro clínico variável, desde infecções assintomáticas até formas graves com diarreia aquosa ou disentérica (com muco e sangue), cólicas abdominais, náuseas, vômitos, febre baixa e mal-estar geral. A diarreia pode ser aguda ou crônica, persistindo por semanas, e em casos severos, há risco de desidratação, distúrbios eletrolíticos e perda de peso. Em pacientes imunossuprimidos, como those com HIV/AIDS, as manifestações podem ser mais graves, com disseminação extraintestinal possível em algumas espécies. O exame físico pode revelar dor à palpação abdominal, sinais de desidratação e, raramente, hepatomegalia ou complicações como megacólon tóxico.
Quadro clínico
O quadro clínico varia de assintomático a sintomático, com início agudo ou insidioso. Sintomas comuns incluem diarreia aquosa ou disentérica, dor abdominal em cólica, flatulência, distensão abdominal, náuseas, vômitos, febre baixa e astenia. Em casos crônicos, pode haver esteatorreia, perda de peso e sinais de desnutrição devido à má absorção. Pacientes imunocomprometidos podem apresentar diarreia profusa, desidratação severa e complicações como colangite ou pneumonia por disseminação. A duração dos sintomas pode ser de dias a meses, dependendo do protozoário e do estado imune do hospedeiro.
Complicações possíveis
Desidratação severa
Perda excessiva de líquidos e eletrólitos devido à diarreia profusa, podendo levar a choque hipovolêmico e insuficiência renal aguda.
Desnutrição e perda de peso
Má absorção intestinal crônica resultando em deficiências de micronutrientes, caquexia e atraso no desenvolvimento em crianças.
Disseminação extraintestinal
Em imunocomprometidos, protozoários como Cryptosporidium podem infectar vias biliares ou trato respiratório, causando colangite ou pneumonia.
Síndrome de má absorção persistente
Dano prolongado à mucosa intestinal levando a intolerância à lactose e esteatorreia, mesmo após a resolução da infecção.
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As doenças intestinais por protozoários são endêmicas em regiões tropicais e subtropicais com saneamento precário, afetando milhões globalmente. A incidência é maior em crianças menores de 5 anos, viajantes e populações rurais. Surtos são comuns em creches, asilos e após desastres naturais. Dados da OMS indicam que infecções por Cryptosporidium e Giardia são causas significativas de diarreia infantil em países em desenvolvimento, com alta transmissibilidade fecal-oral.
Prognóstico
O prognóstico é geralmente bom em hospedeiros imunocompetentes, com resolução espontânea ou após tratamento em 1-2 semanas. Em imunocomprometidos, a infecção pode ser crônica, recidivante ou fatal, especialmente por Cryptosporidium em pacientes com AIDS. Fatores de bom prognóstico incluem diagnóstico precoce, tratamento adequado e suporte nutricional. Complicações como desidratação severa podem aumentar a morbimortalidade, particularmente em crianças e idosos.
Critérios diagnósticos
O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Critérios incluem: história de diarreia persistente ou aguda, especialmente em contextos de viagem ou surtos; identificação de cistos, oocistos ou trofozoítos protozoários em amostras de fezes por microscopia direta ou coloração (ex.: coloração ácido-resistente para Cryptosporidium); detecção de antígenos específicos por ELISA ou testes imunocromatográficos; e, em casos selecionados, PCR para identificação molecular. A confirmação requer correlação com sintomas e exclusão de outras causas infecciosas. Em imunocomprometidos, a persistência de diarreia por mais de 14 dias com achados positivos é sugestiva.
Diagnóstico diferencial
Condições que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial
Amebíase (A06)
Infecção por Entamoeba histolytica, que pode causar diarreia disentérica semelhante, mas com maior risco de abscessos hepáticos; diferenciada por microscopia ou detecção de antígenos específicos.
WHO. Amoebiasis. 2021.
Gastroenterite bacteriana (A00-A05, A08)
Causada por bactérias como Salmonella ou Shigella, com diarreia aguda frequentemente associada a febre alta e leucocitose; diferenciada por cultura de fezes e ausência de protozoários.
UpToDate. Approach to the adult with acute diarrhea in resource-rich settings. 2023.
Doença inflamatória intestinal (K50-K52)
Condições como colite ulcerativa ou doença de Crohn, que podem mimetizar diarreia crônica e dor abdominal, mas sem evidência de patógenos infecciosos; diferenciada por colonoscopia e biópsia.
ECCO Guidelines on Crohn's disease. 2020.
Síndrome do intestino irritável (K58)
Distúrbio funcional com diarreia alternada com constipação, sem achados orgânicos; diferenciada pela ausência de patógenos em exames e resposta a manejo comportamental.
Rome IV Criteria for IBS. 2016.
Infecção por helmintos (B65-B83)
Como esquistossomose ou strongiloidíase, que podem causar diarreia e dor abdominal; diferenciada por identificação de ovos ou larvas em fezes.
Microscopia de amostras frescas ou fixadas para detecção de cistos, oocistos ou trofozoítos de protozoários, utilizando colorações como tricrômio ou ácido-resistente.
Identificação direta do agente etiológico e confirmação diagnóstica.
Testes de detecção de antígenos
ELISA ou imunocromatografia para antígenos específicos de protozoários como Giardia ou Cryptosporidium em amostras fecais.
Aumentar a sensibilidade e especificidade do diagnóstico, especialmente em casos com baixa carga parasitária.
PCR em tempo real
Amplificação de DNA parasitário para identificação molecular de espécies como Cyclospora ou Isospora, em amostras de fezes ou tecidos.
Confirmação em casos duvidosos ou para detecção de patógenos de difícil visualização microscópica.
Hemograma completo
Avaliação de série branca e vermelha para detectar leucocitose, eosinofilia ou anemia, que podem estar presentes em infecções crônicas.
Avaliar resposta inflamatória e complicações como desnutrição.
Eletrólitos séricos e função renal
Dosagem de sódio, potássio, ureia e creatinina para avaliar desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos secundários à diarreia.
Guiar a reposição hídrica e monitorar complicações.
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Orientar comunidades sobre higiene pessoal, saneamento e práticas seguras de manipulação de alimentos e água.
Tratamento de água
Fervura, filtração ou cloração de água para consumo, especialmente em áreas endêmicas ou durante viagens.
Controle de alimentos
Lavar frutas e vegetais com água tratada, cozinhar bem carnes e evitar consumo de alimentos crus em locais de risco.
Vigilância e notificação
No Brasil, essas doenças são de notificação compulsória quando configuram surtos ou casos graves, de acordo com a Portaria MS nº 204/2016. A vigilância envolve monitoramento de casos, investigação epidemiológica de surtos, e medidas de controle ambiental. Profissionais de saúde devem notificar às autoridades sanitárias para implementação de barreiras sanitárias e educação em saúde.
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A07 abrange protozoários intestinais não especificados em outras categorias, como Cryptosporidium spp., Cyclospora cayetanensis, Isospora belli, e outros, mas exclui amebíase (A06) e balantidíase (A07.0).
A diarreia protozoária tende a ser mais prolongada (semanas), com muco ou sangue, e associada a dor abdominal crônica, enquanto viroses geralmente são autolimitadas em dias, com febre e vômitos proeminentes; o diagnóstico é confirmado por exames parasitológicos de fezes.
No Brasil, a notificação é compulsória para surtos ou casos graves, conforme a Portaria MS nº 204/2016, visando controle epidemiológico.
Editorial Sanarmed
Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.
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