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CID A06: Amebíase

A060
Disenteria amebiana aguda
A061
Amebíase intestinal crônica
A062
Colite amebiana não-disentérica
A063
Ameboma intestinal
A064
Abscesso amebiano do fígado
A065
Abscesso amebiano do pulmão
A066
Abscesso amebiano do cérebro
A067
Amebíase cutânea
A068
Infecção amebiana de outras localizações
A069
Amebíase não especificada

Mais informações sobre o tema:

Definição

A amebíase é uma doença parasitária causada pelo protozoário Entamoeba histolytica, que afeta principalmente o trato gastrointestinal humano. A infecção ocorre pela ingestão de cistos maduros presentes em água ou alimentos contaminados com fezes humanas, sendo a transmissão fecal-oral a principal via. A E. histolytica pode causar desde infecções assintomáticas, onde o parasita reside no lúmen intestinal, até formas invasivas, caracterizadas por ulcerações da mucosa colônica, diarreia sanguinolenta e formação de abscessos extraintestinais, como no fígado. A patogenicidade está associada à capacidade do trofozoíta de invadir tecidos, liberando enzimas proteolíticas e induzindo resposta inflamatória. Epidemiologicamente, é endêmica em regiões tropicais e subtropicais com condições sanitárias precárias, afetando milhões de pessoas globalmente, com maior incidência em áreas de baixo desenvolvimento socioeconômico.

Descrição clínica

A amebíase apresenta um espectro clínico variável, desde portadores assintomáticos até formas graves e potencialmente fatais. A forma intestinal aguda manifesta-se com diarreia mucossanguinolenta, dor abdominal em cólica, tenesmo e febre baixa, podendo evoluir para colite fulminante com perfuração intestinal. A forma crônica pode simular doença inflamatória intestinal, com episódios recorrentes de diarreia intercalada com constipação. As complicações extraintestinais incluem abscessos hepáticos, caracterizados por febre, dor no hipocôndrio direito e hepatomegalia, e mais raramente, envolvimento pulmonar, cerebral ou peritoneal. A apresentação clínica depende da virulência da cepa, do estado imune do hospedeiro e da carga parasitária.

Quadro clínico

O quadro clínico da amebíase varia conforme a forma da doença. Na amebíase intestinal não invasiva (portador assintomático), não há sintomas, mas o indivíduo elimina cistos nas fezes. Na forma intestinal invasiva, os sintomas incluem diarreia aquosa ou disentérica (com muco e sangue), dor abdominal difusa ou em fossa ilíaca direita, tenesmo, flatulência e perda de peso; febre pode estar presente. Na colite amebiana grave, observa-se desidratação, toxemia e risco de megacólon tóxico ou perfuração. Na amebíase extraintestinal, o abscesso hepático amebiano é a manifestação mais comum, com febre, dor no hipocôndrio direito que pode irradiar para o ombro, hepatomegalia e icterícia em casos avançados. Formas raras incluem empiema pleural, pericardite e abscessos cerebrais.

Complicações possíveis

Abscesso hepático amebiano

Coleção purulenta no fígado devido à disseminação hematogênica dos trofozoítas, podendo romper para cavidade peritoneal, pleural ou pericárdica.

Megacólon tóxico

Dilatação aguda do cólon com risco de perfuração, isquemia e sepse, associada à colite amebiana grave.

Perfuração intestinal

Ruptura da parede colônica devido à necrose ulcerativa, levando a peritonite e choque séptico.

Ameboma

Massa inflamatória granulomatosa no cólon que pode simular neoplasia, causando obstrução intestinal.

Disseminação extraintestinal

Envolvimento raro de pulmões, cérebro ou pele, com formação de abscessos e alta mortalidade se não tratado.

Epidemiologia

A amebíase é uma das parasitoses intestinais mais prevalentes globalmente, com estimativa de 50 milhões de infecções e 40.000 a 100.000 mortes anuais. É endêmica em regiões tropicais e subtropicais, incluindo partes da América Latina, África e Sul da Ásia, com alta incidência em áreas de saneamento básico inadequado. A transmissão é fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados com cistos; surtos são comuns em instituições ou comunidades com condições higiênicas precárias. Grupos de risco incluem crianças, viajantes para áreas endêmicas, homens que fazem sexo com homens e imunodeprimidos. A prevalência é maior em populações de baixa renda, refletindo disparidades socioeconômicas. Dados do Ministério da Saúde do Brasil mostram casos esporádicos, com notificação compulsória em algumas regiões.

Prognóstico

O prognóstico da amebíase é geralmente bom com tratamento adequado, mas depende da forma clínica e do acesso a cuidados. Na amebíase intestinal não complicada, a resolução é rápida com terapia antiparasitária. No abscesso hepático, a mortalidade é inferior a 1% com drenagem (se indicada) e medicamentos, mas pode chegar a 20% em casos de ruptura ou diagnóstico tardio. Complicações como megacólon tóxico ou perfuração intestinal têm prognóstico reservado, com mortalidade de até 50% sem intervenção cirúrgica imediata. Fatores de mau prognóstico incluem imunodepressão, desnutrição e atraso no diagnóstico. Seguimento é essencial para garantir a erradicação do parasita e prevenir recidivas.

Perguntas Frequentes

Editorial Sanarmed

Este conteúdo foi desenvolvido pela equipe médica e editorial da Sanar, plataforma líder em educação médica no Brasil. Nosso compromisso é fornecer informações médicas precisas, atualizadas e baseadas em evidências.

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