Anúncio

Caso Clínico: Intubação endotraqueal de emergência em paciente asmático em crise | Ligas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Aréa: Urgência e Emergência

Autores: Giovanna Barros Cobra Negreiros, Helena
Gemayel Marques, Laís Ribeiro Vieira

Revisor: Camila Lopes Moreira da Silva

Orientador: Jule R.O.G Santos

Liga: Liga de Emergências Médicas do Distrito Federal
(LEM-DF)

Apresentação do caso clínico

Paciente do sexo feminino, 20 anos, parda, natural de Brasília-DF,
residente e procedente do Gama- DF, chegou ao pronto atendimento, trazida pela
mãe, com quadro de crise asmática há 1 hora, sem melhora após uso da “bombinha”
(sic). Mãe relatou histórico de asma moderada em acompanhamento médico
irregular e episódios recorrentes de rinossinusite desde os 3 anos de idade,
sendo o último nesta semana, além de duas internações prévias por exacerbação
da asma no último ano. Paciente obesa, sem outras comorbidades.

Ao exame físico, paciente encontrava-se agitada, em regular estado
geral, afebril, anictérica, cianótica (+/4+), corada, hidratada, taquidispneica
(FR 28 irpm), ortopneica, em uso de musculatura acessória e sibilos difusos
expiratórios, sem tosse. Taquicárdica (FC 116 bpm), Sat O2 em ar ambiente 90%,
PA 110 x 60 mmHg, Glasgow 15. Sem alterações nos demais sistemas.

Diante disso, a equipe do Departamento de Emergência iniciou as condutas
com O2 suplementar por meio de máscara de O2 simples a  10 L/min, 2 acessos venosos calibrosos com
500 mL de SF 0,9% correndo lento, salbutamol (10 gotas) e brometo de ipratrópio
(40 gotas – 500mcg) diluídos em 5mL de SF para nebulização e metilprednisolona
EV (20mg) de 12/12h. Solicitada gasometria arterial, que  revelou: PaO2 67 mmHg, PCO2  50 mmHg e pH 7,25. Após repetidos mais 2
ciclos de nebulização, paciente ainda sem resposta e evoluindo com sonolência,
confusão mental, piora progressiva da dispneia e da cianose (++/4+), sibilos
inspiratórios e expiratórios, FR 32 irpm, SatO2 em máscara de O2 não reinalante
80%, FC 124 bpm, pulso paradoxal, PA 80 × 40 mmHg e Glasgow 11. Nova gasometria
arterial revelou PaO2 55 mmHg, PCO2 55 mmHg e pH 7,15. Adicionada às condutas
sulfato de magnésio 1,5g diluído em 500 mL de solução fisiológica EV, para
correr em 20 min.

Devido refratariedade às medidas instituídas, equipe optou por realizar
intubação em sequência rápida, evitando-se hiperventilação com o AMBU adaptando
os parâmetros do ventilador, utilizando-o no modo ventilação controlada com
baixos volumes correntes, mantendo de 6-12 incursões/min e tempo inspiratório
curto, visando SaO2 > 90% e aspirando frequentemente secreções de vias
aéreas.

Questões para orientar a discussão

  1. Qual é a fisiopatologia
    da asma e o que leva à exacerbação?
  2. Como é feita a
    classificação da crise asmática?
  3. Quais devem ser as
    medidas inicialmente instituídas em paciente com crise de asma no departamento
    de emergência?
  4. Quais parâmetros devem
    ser utilizados para identificar possível refratariedade às condutas
    instituídas?
  5. Quais são as indicações
    para intubação em um paciente asmático, e quais são os cuidados no ajuste da
    ventilação mecânica desses pacientes, dada a fisiopatologia da asma?

Respostas

  1. A asma é uma doença inflamatória crônica e intermitente das vias aéreas,
    que se caracteriza por hiperreatividade e se manifesta por inflamação e
    estreitamento generalizado dessas vias, cuja gravidade se modifica
    espontaneamente ou com resposta a intervenções terapêuticas. A fisiopatologia
    da asma é complexa e envolve um perfil de resposta Th2-dependente mediada por
    IgE, em sua maioria. O fator precipitante de uma crise asmática é, em 80% dos
    casos, originado de infecções virais. Além disso, também podem levar à
    exacerbação: exposição a aeroalérgenos, mudanças climáticas, alguns
    medicamentos e o exercício físico.
  • A crise asmática pode ser classificada em:

Tabela 1

Achados LEVE MODERADA GRAVE PCR IMINENTE
Dispneia com atividade
física
ao falar repouso  
Capacidade de
falar
sentenças frases palavras incapaz de
falar
Posição
Corporal
capaz de deitar prefere ficar
sentado
incapaz de
deitar
 
Frequência
respiratória
aumentada aumentada > 30 irm  
Musculatura
acessória
normalmente não
usa
comumente usa uso da
musculatura acessória
respiração
paradoxal
Ausculta sibilos
expiratórios moderados
sibilos
expiratórios difusos
sibilos
inspiratórios e expiratórios
tórax silente
Frequência
cardíaca
< 100 bpm 100-120 bpm > 120 bpm bradicardia
relativa
Pulso paradoxal < 10 mmHg 10-25 mmHg > 25 mmHg  
Estado mental agitado ou
normal
agitado agitado confuso ou
sonolento
VEF1 ou
peak-flow
> 80% 60-80% < 60%  
SatO2 > 95% 91-95% < 90%  
 
PaO2 Normal > 60 mmHg < 60 mmHg  
 
PaCO2 < 45 mmHg < 45 mmHg > 45 mmHg  
 

Fonte: Medicina de
Emergência – Abordagem Prática USP 13ª edição

  1. O manejo da asma na primeira hora da chegada ao paciente na emergência é
    primordial para precaução contra complicações. O emergencista deve ser capaz de
    realizar o diagnóstico, avaliação do nível de gravidade do quadro, avaliar
    possíveis complicações e realizar o tratamento farmacológico.

Diagnóstico: é importante a análise
dos sintomas que costumam estar presentes a semanas mas com exacerbação
recente.

Ao exame físico, é
essencial buscar sinais de insuficiência respiratória como cianose, uso da
musculatura acessória, taquicardia, taquipneia, alterações sensoriais. A
sibilância é marcante na ausculta respiratória, sendo preditor de obstrução de
via aérea, fator preponderante na fisiopatologia da asma. Entretanto, a
sibilância não é um sinal patognomônico da asma, sendo importante realizar o
diagnóstico diferencial.

   Vias aéreas
superiores
      Vias aéreas inferiores Outros
Edema de laringe Aspiração Insuficiência cardíaca esquerda
Corpo estranho Corpo estranho Pneumonia eosinofílica
Neoplasia Neoplasia Embolia pulmonar
Estenose traqueal Estenose brônquica Reações alérgicas/anafiláticas
Paralisia de cordas vocais Exacerbação DPOC DRGE
Disfunção de cordas vocais Pneumonia Exposição à fumaça ou
vapores tóxicos

Fonte: (DALCIN, Paulo de
Tarso et al. 2000)

Avaliação da gravidade: a gravidade relaciona-se
com o grau de limitação do fluxo aéreo e, logo, da oxigenação.

  •  Identificação de comorbidades de base.
  • Monitorização da saturação do paciente, sendo indicada oxigenioterapia
    caso saturação <90%.
  • Gasometria arterial.
  • Medida de pico de fluxo expiratório.
  • Para acompanhamento do tratamento instituído na emergência, assim como a
    resposta do paciente a esse, é essencial que o médico faça uma avaliação
    contínua de:
  • Saturação Periférica de Oxigênio.
  • Exame física.
  • Pico de fluxo expiratório.
  • Graduação da dispneia.

Fonte: Emergências
Clínicas – Abordagem Prática USP 8ª edição

  • O paciente asmático
    apresenta hiper-responsividade de vias aéreas devido fisiopatologia
    inflamatória característica (ativação de macrófagos e linfócitos TH2
    responsáveis pela produção de mediadores inflamatórios e interleucinas)
    alterando o tônus da via aérea e sua resistência e reatividade. Deste modo,
    instala-se quadro de hiperinsuflação e o estabelecimento de um auto-PEEP.
    Partindo desse pressuposto, ao estabelecimento de ventilação mecânica, deve-se
    atentar ao risco de barotrauma ao estabelecimento de altos volumes correntes.
    Preconiza-se, portanto, uso de baixo volume corrente, modo de pressão
    controlada, frequência respiratória entre 8-12 irpm e PEEP=3 a 5 cmH2O. Demais
    parâmetros: paCO2 entre 45-90 mmHg e pH>7.15 e se atentar a corrigir
    distúrbios metabólicos.

Fonte: (DALCIN, Paulo de Tarso et al. 2000)

Confira o vídeo:

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀