CASO SANAR – LIPED FTC
LIGANTES: CAROLINE VENTURA, LAVÍNIA NOVAIS E LARYSSA LEITE
CASO CLÍNICO: DOENÇA FALCIFORME
– Anamnese: Paciente JVAM, previamente falcêmico, negro,1 ano e 7 meses, natural e procedente de Salvador. Compareceu na emergência com queixa de mal estar súbito,dor e distensão abdominal há 1 hora. Genitora relata que o paciente é frequentemente astênico, iniciou um quadro de palidez progressiva com mal estar súbito,dor e distensão abdominal acompanhada de sudorese, taquicardia e taquipneia. Mãe refere internação prévia aos 6 meses devido a uma crise álgica com necessidade de transfusão sanguínea. Os pais possuem traço falcêmico e nega histórico de cardiopatia, HAS, neoplasias e anemia na família.
Hemoglobina Basal: 9g/dL
– Exame físico:
Geral:
Regular estado geral, palidez em extremidades, afebril ao toque, taquipnéica, hidratada e agitada.
Peso; 10kg
Sinais Vitais:
Fc: 100bpm; FR: 26ipm; PA: 100/70mmHg; Tax:37.3°C
Cabeça e Pescoço:
Mucosas úmidas e descoradas +++/4. Mucosa nasal edemaciada. Sem achados dignos de nota em orelhas, olhos e cavidade oral. Ausência de linfonodomegalias palpáveis.
Aparelho Respiratório:
Tórax de conformação habitual, tiragem intercostal, expansibilidade preservada, FTV presente, ausência de ruídos adventícios
Aparelho cardiovascular:
Pré cordio calmo, ictus impalpável, bulhas normofonéticas em dois tempos sem sopros.
Aparelho gastrointestinal:
Exame prejudicado por conta da agitação da criança
Abdômen plano, presença de RHA, defesa a palpação principalmente em região de hipocôndrio esquerdo. Baço palpável abaixo do rebordo costal esquerdo.
Extremidades:
Frias, perfusão comprometida com pulsos bem palpáveis
Neurológico:
Sem alterações
– Exames Laboratoriais:
Hemoglobina: 4.6 g/dL
Leucometria: 14.4 x 109/L
Reticulócitos: 18,8%
Plaquetometria: 100x 109/L
– Suspeitas diagnósticas:
P¹: Sequestro esplênico secundário a Doença falciforme
– Condutas:
C1: Monitorização
C2: Abertura das vias aéreas, oxigênio por máscara não – reinalante
C3: Acesso vascular periférico ou intraósseo.
C4: Expansão da volemia com soro fisiológico 20ml/kg = 200 ml em 5-10 minutos
C5: Transfusão de concentrado de hemácias 10/15 ml por kg.
C6: Analgesia- 0.5ml/kg de 8 em 8 horas.
C7: Controle freqüente dos sinais vitais, hemoglobina, função renal e hepática e dos fatores de coagulação;
Discussão:
– Sequestro esplênico agudo (SEA):
Ocorre em 20% dos pacientes, sendo 1/3 antes dos 02 anos de idade. Também pode ocorrer em crianças maiores e adultos que persistem com esplenomegalia (Hb SC, Hb S-betalassemia)
– Definição:
o Redução abrupta de pelo menos 2g/dL em relação ao basal de Hb (aprisionamento de eritrócitos no baço), podendo evoluir com choque hipovolêmico, e esplenomegalia geralmente dolorosa,
o Trombocitopenia,
o Reticulocitose.
– Quadro clínico: Mal estar súbito, taquicardia, palidez, taquipnéia, dor e distensão abdominal, esplenomegalia dolorosa e reticulocitose importante. Geralmente o primeiro episódio ocorre em crianças de três meses a cinco anos, podendo estar associado a infecções.
– Tratamento: restaurar a volemia com: o Cristalóide o Concentrado de Hm (metade do volume previsto, para prevenir hiperviscosidade, pois o sangue ainda está disponível no baço.
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