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Um Caso Clínico de Neurologia sobre Cefaleia

Imagem de um médico consultando um paciente

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Identificação do paciente

WSM, sexo masculino, 33 anos.

Queixa principal

Cefaleia intensa há 30 dias.

História da doença Atual (HDA)

Paciente, previamente hígido, relata que há aproximadamente 30 dias passou a apresentar cefaleia em região frontotemporal bilateral, em peso, de intensidade 4/10, levando-o a procurar serviço médico de emergência em UPA por três vezes até o seu internamento.

A dor cedia ao uso de dipirona administrada no serviço. Refere também dois episódios de febre neste período não se recordando da temperatura aferida.

Nega síncope, convulsões, tontura, náusea, vômito, fotofonofobia e alteração na motricidade, equilíbrio, coordenação, estesia e cognição. Relata ainda que na última vez em que procurou o serviço, as cefaleias foram associadas a um quadro de sinusite devido à concomitância com congestionamento nasal, iniciando tratamento com corticoide (Prednisolona) sem obter sucesso.

Paciente refere que no dia 05/01/17, após instalação de cefaleia súbita com as mesmas características dos casos descritos anteriormente, porém com intensidade 10/10, buscou atendimento no Hospital Geral do Estado, onde permaneceu internado para investigação desde então.

Relata ter sido submetido à realização de TC e Raio-X de crânio e tórax e RNM também de crânio para a investigação do caso, sendo diagnosticado com um tumor benigno (SIC).

O paciente foi referenciado para esta unidade no dia 17/01/17 para realização de cirurgia para retirada do tumor confirmada para o dia 19/01/17. O paciente permanece sem dor há 7 dias após administração de Tramal e Dipirona.

Interrogatório sistemático

Geral: Refere perda ponderal de 4kg desde o internamento e dois episódios de febre.

Cabeça: Vide HMA.

Nariz: Paciente apresenta sintomas nasais (congestão e prurido nasais) sendo diagnosticado anteriormente com rinite alérgica intermitente moderada/grave.

Demais sistemas sem queixas.

Antecedentes pessoais, familiares e sociais

Nega alergias e transfusões de sangue prévias.

Nega comorbidades.

Antecedentes familiares irrelevantes.

Exame físico

Geral: BEGN, fácies atípica, idade cronológica compatível com idade aparente, eutímico, ativo no leito, LOTE.

Dados vitais: TA: 120×88 mmHg (MSE, sentado); FC: 92 bpm (pulsos rítmicos, cheios e simétricos); FR: 18 ipm;

Dados antropométricos: Peso: 80 kg; altura: 1,83m; IMC: 23,9.

Demais aparelhos sem alterações.

Discussão do caso de Celafeia

Qual é o tipo da cefaleia apresentada pelo paciente?

O paciente apresenta uma cefaleia secundária a um processo expansivo, no caso, um tumor. Deve-se afastar o diagnóstico de cefaleia primária (tensional, enxaqueca, em salvas e outras) devido à diferença de sintomas e aos achados radiológicos. Entre as secundárias, poderíamos suspeitar de:

  • Cefaleia da hipertensão craniana: Geralmente associada a náuseas e vômitos em jato, além de papiledema e déficits do VI par craniano. Logo, essa hipótese pode ser afastada. É investigada com TC e medida da PIC por exame do liquor.
  • Cefaleia da arterite temporal: Tipo de vasculite geralmente associado à síndrome de polimialgia reumatática e claudicação de mandíbula. Logo, essa hipótese pode ser também afastada. É constatada, geralmente, através de VHS elevado e anemia.
  • Cefaleia por acidente vascular cerebral: A cefaleia é súbita e está, geralmente, relacionada à instalação de um déficit focal. Essa hipótese também pode ser afastada. Exames de imagem, como TC e RNM, constatam a patologia.
  • Cefaleia por tumores: Os tumores são lesões expansivas que podem cursar com sintomatologia muito rica. São divididos em:
    • Benignos (aqueles que podem ser ressecáveis totalmente, levando à cura; geralmente são extra-axiais), como Meningioma e Neurinoma do acústico.
    • Malignos (os que não são passíveis de ressecção; geralmente são intra-axiais), como Glioblastoma Multiforme, Astrocitoma Anaplásico, Astrocitoma Grau II, Astrocitoma pilocítico juvenil, Oligodendroglioma, Meduloblastoma e Linfoma Primário do SNC.
    • Metástases (quando são originados de outros sistemas; causa mais comum de neoplasia maligna no SNC).

Os tumores geralmente apresentam déficits neurológicos que avançam em semanas ou meses e são determinados de acordo com a sua localização. Uma TC contrastada sempre deve ser realizada na suspeita desse processo expansivo. Em caso de dúvida, indica-se a RNM, principalmente na ponderação T1 com o contraste paramagnético gadolíneo. Diante dos achados e dados coletados na anamnese, essa é a hipótese mais condizente com o caso.

Quais são as condutas para o caso em questão?

O tratamento deve ser realizado com Dexametasona já que o corticoide é um importante efeito redutor do edema peritumoral. A ressecção cirúrgica sempre deve ser tentada, pelo menos para tentar retirar o máximo de massa tumoral possível.

A radioterapia é um outro recurso terapêutico que pode reduzir a massa tumoral, permitindo a cura cirúrgica em alguns casos.

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