Para entender de forma ampla as
afecções causadas pelo vírus do momento, o COVID-19 é preciso, logo de início
personalizar o que está acontecendo com as pessoas. E a melhor forma disso é
observando o como o coronavírus se comporta em casos reais.
Dessa maneira a abordagem realizada pela LAAD é concisa, buscando analisar os casos suspeitos, permitindo uma acurácia diagnóstica como o que será observado no caso clínico para que o tratamento possa ser realizado de forma excelente. Tendo em vista que medidas preventivas em todos os momentos, desde a suspeita até o tratamento devem ser tomadas, para permitir o melhor prognóstico para os indivíduos expostos.
Descrição do caso
Homem, indivíduo de 66 anos,
previamente hígido (saudável), chega ao atendimento com queixa de falta de ar
(dispneia), tosse e mialgia. No exame físico apresentava estado febril (37,8°
C), frequência respiratória (FR) de 27 RPM (respirações por minuto), pressão
arterial (PA) de 110×70 mmHg, e saturação parcial do oxigênio (SpO2) de 93%.
Raciocínio
Para pensar no diagnóstico é
necessário a análise de alguns fatores:
- Qual o
diagnóstico sindrômico? antes de pensar na etiologia específica do
indivíduo, é importante situá-lo em seu grupo sindrômico específico. - COVID-19
é uma hipótese diagnóstica? Mesmo que haja precedentes para encaixá-lo no
mesmo grupo sindrômico é preciso identificar as especificidades que permitam
encaixar o coronavírus como diagnóstico. - Quais
exames comprovariam essa hipótese diagnóstica? De forma que todos os critérios
foram preenchidos, saber quais seriam os exames que comprovariam a infecção
viral. - Como
trato esse paciente? Assim que identificado, indicar qual a conduta
terapêutica seria ideal para o paciente.
Diagnóstico sindrômico
O COVID-19 é um vírus com
tropismo para o trato respiratório, dessa forma é preciso atestar que ele se
enquadre nas duas principais síndromes relacionadas ao sistema respiratório,
sendo elas a: 1 – Síndrome Gripal (SG) e a 2 – Síndrome Respiratória Aguda
Grave (SRAG).
Síndrome Gripal (SG):
é caracterizado por um quadro agudo com sensação febril ou febre, acompanhada de irritação do trato respiratório superior (garganta, tosse, coriza) ou dificuldade respiratória.
- para crianças: a obstrução nasal é um
quadro compatível para enquadramento na SG. - para idosos: a febre pode estar
ausente. Critérios como sincope (desmaios), confusão mental, sonolência
excessiva, irritabilidade e inapetência (ausência do apetite) podem estar
presentes também.
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG):
caracterizada por um quadro agravado de dispneia, com desconforto respiratório, podendo haver saturações menores que 95% no oxigênio de ar ambiente, e sinais de cianose nos lábios e rosto.
a) para crianças: o batimento de asas
do nariz, cianose, tiragem intercostal, desidratação e inapetência podem ser
sinais de alerta.

A tabela 1 – quadro clínico a seguir demonstra como esses dados clínicos podem ser agrupados:
Investigação
- Oximetria
de Pulso e Gasometria Arterial: para iniciar a investigação, tendo em vista
a função respiratória primária (trocas gasosas) alguns simples podem ser
colhidos como a oximetria de pulso (permite observar a saturação
periférica de oxigênio) e a gasometria arterial (permitindo análise
hipercapnia e acidose). - Exames de
imagem: o Raio X de tórax é essencial para todos os pacientes com
suspeita de pneumonia, sendo os achados mais comuns bilaterais (75% dos
pacientes) a Tomografia Computadorizada (TC) de tórax, fornece
informações essenciais sobre o estado do parênquima pulmonar, podendo guiar
ainda mais o diagnóstico, sendo recomendado para todas as infecções de
acometimento do trato respiratório inferior, o sinal mais comum é a imagem de
vidro fosco (opacidades múltiplas entre 83-85% dos infectados pelo COVID), uma
formação característica de inflamação, demonstrado na imagem 1 a seguir:

- Culturas
de sangue e escarro: permitem descartar outras infecções do trato
respiratório inferior, sendo o escarro mais específico do que o swab de
garganta. - Teste
rápido para Influenza (diferencial) e RT-PCR e SARS-Cov-2: permitem a
exclusão de outra causa base que não o COVID-19, confirmando por meio da
imunologia molecular anticorpos ou genoma viral. - Teste com
resultado negativo: critério para descarte do caso e busca de outra
etiologia. - Exames de
acordo com a disponibilidade para determinar o quadro do paciente:
Glicemia, Ureia, Bilirrubina total e em frações. D-dímero (diferencial de TEP),
hemograma completo, coagulograma, marcadores inflamatórios, troponina sérica,
lactato desidrogenase sérica. - Clínica
soberana: independente dos exames os casos graves sempre manifestarão febre
alta, pneumonia ou dificuldade respiratória.
Tratamento da Covid-19
- Hidroxicloroquina
e cloroquina: não foram identificadas evidências que permitissem recomendar
o uso dessas substâncias. Sendo os estudos limitados, com poucos participantes. Conforme NOTA
INFORMATIVA Nº 6/2020-DAF/SCTIE/MS, de primeiro de abril de 2020, estes
medicamentos poderão ser utilizados em casos confirmados e a critério médico,
como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes
hospitalizados, sem que outras medidas de suporte sejam preteridas. - Antibioticoterapia:
deve ser evitada, não há evidências que a utilização de antibioticoterapia em
pacientes com COVID-19 sem infecção bacteriana adjacente. - Corticosteroides:
é controverso o uso, em alguns estudos para subpopulações específicos houve
benefício, para outras houve aumento da internação e risco de infecção
secundárias. O seu uso ficou restrito a pacientes graves internados com SRAG e
dentro de um contexto de pesquisa clínica. - Lopinavir
/ Ritonavir: evidências de que não há benefícios no uso dessa associação
para pacientes com pneumonia. O seu uso ficou restrito a pacientes graves
internados com SRAG e dentro de um contexto de pesquisa clínica. - IECAs e
BRAs: controversa, não interromper tratamento caso paciente já realizasse
uso em período anterior à infecção.
Medidas de prevenção
A melhor medida de prevenção do contágio da doença, é evitar a exposição ao
vírus. Diante disso, o isolamento social se mostra como medida útil e eficaz no
combate da evolução da pandemia. Além disso, outras medidas se mostram úteis na
prevenção do contágio:
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão
ou com um desinfetante para as mãos à base de álcool 70% e evitar tocar os
olhos, o nariz e a boca com as mãos não lavadas; - Evitar contato próximo com as pessoas (ou
seja, manter uma distância de pelo menos 1 metro); - Praticar etiqueta respiratória, utilizando
máscaras, de acordo com os protocolos de ampla distribuição, para evitar a
própria exposição e contágio de terceiros; - Procurar atendimento médico precocemente se
tiver febre, tosse e dificuldade em respirar.
Resposta ao caso
Esse indivíduo do sexo masculino
de 66 anos, apresentava quadro compatível com SG e início de quadro de SRAG,
por isso deveria ser encaminhado para internamento para realização dos testes e
aplicação da terapia adjuvante a condição manifestada e medidas de prevenção e
informação aplicadas aos indivíduos que tiveram contato.
Autores: @nerlantakeda, @_guilherme.adami e @laadfb