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Câncer de garganta | Colunistas

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O surgimento de uma neoplasia maligna é chamado de carcinogênese e, geralmente, ocorre de forma lenta a depender do tipo de tecido que gerou aquele processo, podendo variar de meses até anos.

Para uma célula cancerosa se proliferar são necessários um complexo de fatores intrínsecos do indivíduo, como uma fragilidade genética nos genes supressores tumorais, imunidade comprometida, como em pacientes portadores de HIV, entre outros. Além desses, há também os fatores extrínsecos, tais como o etilismo, tabagismo, exposição à radiação e diversos outros.

Câncer é o processo maligno, que diferente das neoplasias benignas, possui uma capacidade de se espalhar pelo corpo ou capacidade metastática. Essa capacidade de se espalhar usufrui da via hematogênica, da via linfática e até do implante direto por meio de cavidades.

Basicamente algumas células cancerígenas se desprendem do tumor primário e “colonizam” outra localidade do corpo, sabemos que a presença de metástase é de suma importância na graduação do estágio da doença e, obviamente, no prognóstico do paciente.

Introdução

O câncer de orofaringe tende a acometer toda a região orofaríngea, a região posterior da língua, palato mole, amígdalas e paredes da garganta. Como dito anteriormente há uma série de fatores que podem influenciar o processo de carcinogênese, no caso desse tipo de câncer, os principais fatores são: tabagismo, etilismo e o contágio com o tipo 16 do papiloma vírus humano (HPV).

Cerca de 95% dos cânceres orofaríngeos são carcinomas de células escamosas, seu tratamento se dá através de uma abordagem adjunta de radioterapia, quimioterapia e cirurgia na maior parte dos casos.

Epidemiologia do câncer de garganta

Esse câncer é predominante no gênero masculino 1:4 e acomete, principalmente, uma faixa de idade acima de 40 anos, é um dos mais incidentes quando seccionamos a área de cabeça e pescoço, cerca de 25% dos cânceres da região e quando comparamos com os cânceres em geral, esse tipo de neoplasia soma cerca de 2%.

O HPV tipo 16 é responsável por cerca de 60% desses cânceres. Paciente infectados por esse vírus tem cerca de 16x mais chances de desenvolver câncer de garganta, já os tabagistas que fumam dois ou mais maços/dia possuem 3x mais chance de desenvolver, os pacientes que fazem uso de mais de 4 bebidas/dia possuem 7x mais chance e se somarmos tabagismo ao alcoolismo temos cerca de 30x mais chance de desenvolver esse câncer.

Apresentação clínica

Para entendermos os principais problemas gerados por esse câncer, lembremos as principais funções da garganta: alimentação, respiração e fala. Os sintomas, na doença inicial, são locais como: Tosse, disfagia, odinofagia, disartria, otalgia, dispneia, maior irritabilidade da garganta, surgimento de nodulações que aparentam ser “algo preso na garganta”.

Quando pensamos do ponto de vista da doença progredindo para a metastatização podemos reparar: adenomegalia cervical e supraclavicular e perda ponderal como principais sintomas.

Um dos grandes problemas na detecção dessa doença é o fato de que ela se manifesta, a princípio, como uma doença comum das vias aéreas superiores e isso pode retardar o encaminhamento a um especialista para uma correta abordagem.

Cáncer de orofaringe - ScienceDirect
Fonte: Science Direct

Diagnóstico e estadiamento

Os principais exames para o diagnóstico são: laringoscopia, endoscopia com biopsia e exames de imagem para o estadiamento. Naturalmente, para se iniciar o tratamento e estudar a possibilidade do paciente ser candidato a medidas invasivas, é necessário um correto estudo da área acometida em busca de possíveis lesões secundárias.

Caso seja confirmado o carcinoma, indica-se TC com contraste da região do pescoço, alguns médicos utilizam do PET de pescoço e tórax, nesse caso a depender das condições locais e das condições do paciente, já que o PET é um exame mais caro e nem todo centro de tratamento oncológico possui.

Para dar seguimento ao caso, na história clínica do paciente, busca-se pelo possível agente causador, já que isso é indicador de prognóstico, por isso utiliza-se de PCR para HPV, podendo-se valer de Imuno-histoquímica para a p16. De maneira geral, se o câncer for associado ao PCR positivo para HPV o paciente tem melhor prognóstico, estadia-se diferente a depender da infecção ou não pelo vírus.

FONTE: AMIN MB, EDGE S, GREENE F, BYRD DR, ET AL: AMERICAN JOINT COMMITTEE ON CANCER (AJCC) CANCER STAGING MANUAL, 8TH EDITION. NEW YORK, SPRINGER, 2017; AJCC CANCER STAGING FORM SUPPLEMENT,2018.
LEGENDA: M0(SÍTIO NÃO METASTÁTICO), M1(SÍTIO METASTÁTICO).

Basicamente, como percebido nas imagens o estadiamento é o clássico TNM, que engloba tamanho/ profundidade da lesão tumoral, número e extensão de linfonodos/gânglios linfáticos atingidos e a presença ou não de sítio metastático à distância.

Prognóstico

O estadiamento do paciente vai dar as principais informações sobre o tratamento e prognóstico do paciente, de forma geral a sobrevida em 5 anos é de 60% quando fazemos um balanço dos dois tipos de estadiamento, relativamente pacientes com HPV positivo possuem taxa de sobrevida em 5 anos superiores a 75%, já os pacientes com HPV negativo possuem sobrevida em 5 anos inferior a 50%.

Tratamento do câncer de garganta

A depender da extensão da doença o paciente é abordado com quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo, imunoterapia e/ou cuidados paliativos. Obviamente o tratamento tem vistas à melhor qualidade de vida do paciente. Um dos caminhos de melhor prognóstico é a abordagem cirúrgica, na medida em que o quadro seja candidato às medidas invasivas. 

A região do pescoço é bastante rica em vasos linfáticos e, como dito anteriormente, como a maior parte dos casos já chega em um grau mais avançado, a presença de metástases nos linfonodos cervicais, há duas opções nesse caso: uma terapia inicial com radioterapia e/ou quimioterapia, caso não haja uma melhora importante uma dissecção dessas cadeias linfonodais pode ser realizada.

No caso da abordagem cirúrgica, a depender da quantidade de material retirado pode ser necessária uma traqueostomia para facilitar a capacidade respiratória e outra cirurgia para reconstrução da região, essa com auxílio de um cirurgião plástico. No caso da abordagem cirúrgica tradicional há grande prejuízo na qualidade de vida do paciente e, por isso, a situação deverá sem bem explícita ao paciente e familiares. 

Atualmente, os avanços da tecnologia possibilitaram o surgimento de técnicas cirúrgicas microinvasivas. Essa técnica inclui uma abordagem endoscópica com ressecção à laser, facilitando a remoção de tumores tonsilares e na base da língua com auxílio de um robô de múltiplos membros que é controlado por um cirurgião em um console, por ser um método mais atual e em aperfeiçoamento ainda existem estudos para suas indicações.

No caso de tumores avançados que são abordados com Cirurgia transbucal robótica, geralmente, o paciente é submetido a radioterapia e/ou quimioterapia pós-operatória.

AUTOR: RIAN BARRETO ARRAIS RODRIGUES DE MORAIS

INSTAGRAM: @rianrodrigues10.

Referências

  1. Tratamento de câncer de orofaringe (adulto) (PDQ®), disponível em: http://www.cancer.gov/types/head-and-neck/hp/adult/oropharyngeal-treatment-pdq
  2. O que causa o câncer de garganta e como tratar a doença, disponível em: https://sbco.org.br/o-que-causa-o-cancer-de-garganta-e-como-tratar-a-doenca/
  3. Câncer de laringe, disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-laringe
  4. Carcinoma orofaríngeo de células escamosas, disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-do-ouvido,-nariz-e-garganta/tumores-da-cabe%C3%A7a-e-do-pesco%C3%A7o/carcinoma-orofar%C3%ADngeo-de-c%C3%A9lulas-escamosas?query=C%C3%A2ncer%20da%20boca%20e%20da%20garganta

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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