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Bactéria Bartonella: o que é, como ocorre a infecção e principais sintomas

Pesquisadora observando amostra no microscópio, com máscara e touca de proteção.

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A bactéria Bartonella pertence a um grupo de microrganismos gram-negativos, fastidiosos e com capacidade de viver dentro ou próximo de células do hospedeiro. Na prática médica, esse gênero merece atenção porque reúne espécies capazes de causar desde quadros leves, como linfonodomegalia após contato com gatos, até manifestações graves, como endocardite, bacteremia persistente e angiomatose bacilar. Além disso, a Bartonella apresenta comportamento biológico particular, pois interage com células endoteliais e eritrócitos, favorece infecções prolongadas e, em alguns contextos, dificulta a confirmação diagnóstica por métodos microbiológicos convencionais.

Entre as espécies mais relevantes para a medicina humana, destacam-se Bartonella henselae, Bartonella quintana e Bartonella bacilliformis. A primeira aparece com frequência em casos de doença da arranhadura do gato, sobretudo após arranhões, mordidas ou contato com saliva de felinos. Já B. quintana se relaciona historicamente à febre das trincheiras, mas também pode causar bacteremia crônica e endocardite. Por outro lado, B. bacilliformis causa a doença de Carrion, condição endêmica em algumas regiões da América do Sul. Portanto, embora o contato com gatos represente uma das associações mais conhecidas, o gênero Bartonella envolve diferentes reservatórios, vetores, vias de transmissão e síndromes clínicas.

O que é a bactéria Bartonella?

A Bartonella reúne bactérias pequenas, gram-negativas e de crescimento lento. Além disso, essas bactérias exigem condições específicas para cultivo em laboratório, o que explica parte da dificuldade diagnóstica. Diferentemente de muitos patógenos bacterianos comuns, a Bartonella pode permanecer no organismo por períodos prolongados e, consequentemente, gerar manifestações clínicas subagudas ou crônicas. Esse comportamento ocorre porque algumas espécies conseguem infectar eritrócitos e células endoteliais, além de modular a resposta inflamatória do hospedeiro.

Do ponto de vista fisiopatológico, a bactéria apresenta afinidade por tecidos vasculares. Por isso, algumas infecções por Bartonella cursam com lesões proliferativas vasculares, como ocorre na angiomatose bacilar, principalmente em pessoas imunossuprimidas. Além disso, a bactéria pode provocar inflamação linfonodal, febre prolongada, alterações hepatoesplênicas, acometimento ocular, manifestações neurológicas e, em situações específicas, infecção das valvas cardíacas. Assim, o quadro clínico depende tanto da espécie envolvida quanto do estado imunológico do paciente.

Outro ponto importante envolve a relação entre Bartonella, animais e vetores. Muitas espécies circulam em reservatórios mamíferos, como gatos, roedores e outros animais. Entretanto, a transmissão para humanos geralmente ocorre por meio de contato direto com animais infectados ou por artrópodes hematófagos, como pulgas, piolhos e flebotomíneos, a depender da espécie. Dessa forma, a avaliação clínica precisa considerar a história epidemiológica, os hábitos do paciente, o contato com animais, as condições de moradia, viagens recentes e exposição a vetores.

Como ocorre a infecção por Bartonella?

A infecção por Bartonella ocorre quando a bactéria alcança o organismo humano por meio de uma porta de entrada cutânea, mucosa ou, em alguns cenários, por inoculação associada a vetores. No caso da Bartonella henselae, gatos domésticos representam o principal reservatório reconhecido. Filhotes, sobretudo, podem carregar a bactéria e transmiti-la por arranhões, mordidas ou contato de saliva com pequenas lesões na pele. Além disso, pulgas participam da circulação da bactéria entre gatos, o que mantém o ciclo infeccioso no ambiente.

Depois da inoculação, a bactéria pode se multiplicar localmente e estimular uma resposta inflamatória regional. Em consequência, muitos pacientes desenvolvem uma pequena lesão no local do arranhão ou da mordida, seguida por aumento de linfonodos próximos. Esse padrão caracteriza a forma típica da doença da arranhadura do gato. Entretanto, nem todos os pacientes relatam claramente o trauma cutâneo, porque o arranhão pode ter sido discreto ou ter ocorrido semanas antes do início dos sintomas. Por isso, a anamnese deve investigar contato recente com gatos mesmo quando o paciente não lembra de uma lesão evidente.

Já a Bartonella quintana se relaciona principalmente à transmissão por piolhos corporais. Esse padrão ganha importância em contextos de vulnerabilidade social, aglomeração, falta de acesso a higiene adequada e exposição prolongada a ectoparasitas. Além disso, essa espécie pode causar bacteremia persistente, febre recorrente e endocardite, especialmente em indivíduos com fatores de risco cardiovasculares ou imunológicos. Portanto, quando o paciente apresenta febre prolongada sem foco definido, hemoculturas negativas e fatores epidemiológicos compatíveis, o médico deve considerar infecção por Bartonella no diagnóstico diferencial.

Por sua vez, Bartonella bacilliformis circula em áreas específicas e envolve transmissão por flebotomíneos. Essa espécie causa uma doença bifásica em muitos casos. Inicialmente, o paciente pode desenvolver febre, anemia hemolítica e sintomas sistêmicos intensos. Depois, em uma fase posterior, podem surgir lesões cutâneas vasculares conhecidas como verruga peruana. Embora essa forma tenha distribuição geográfica mais restrita, ela reforça como o gênero Bartonella possui diversidade clínica e epidemiológica relevante.

Principais sintomas da infecção por Bartonella

Os sintomas variam conforme a espécie, a via de transmissão, a carga bacteriana, a resposta imune e a presença de comorbidades. Ainda assim, algumas manifestações aparecem com mais frequência na prática clínica.

Na doença da arranhadura do gato, o paciente geralmente apresenta linfonodomegalia regional, muitas vezes dolorosa, após contato com felinos. Além disso, pode surgir uma pápula ou pústula no local de inoculação. Em seguida, os linfonodos próximos aumentam de tamanho, principalmente em regiões axilar, cervical, epitroclear ou inguinal, conforme o local do arranhão.

O paciente também pode apresentar:

  • Febre baixa
  • Mal-estar
  • Fadiga
  • Cefaleia
  • E redução do apetite.

Na maioria dos casos, o quadro evolui de forma autolimitada, embora os linfonodos possam permanecer aumentados por semanas ou meses.

Outras apresentações

Entretanto, algumas apresentações fogem do padrão clássico. Em crianças, adolescentes, adultos imunocompetentes e, principalmente, pacientes imunossuprimidos, a Bartonella pode provocar manifestações sistêmicas. Entre elas, destacam-se febre prolongada, hepatoesplenomegalia, dor abdominal, lesões hepáticas ou esplênicas, alterações oculares, encefalopatia, neurorretinite e manifestações osteoarticulares. Além disso, o paciente pode apresentar sintomas inespecíficos, o que amplia o diagnóstico diferencial e exige correlação entre clínica, epidemiologia e exames complementares.

Nos olhos, a infecção por Bartonella pode causar neurorretinite, redução da acuidade visual, dor ocular ou alterações no exame de fundo de olho. Embora esses achados não ocorram na maioria dos casos, eles têm grande importância porque podem gerar impacto funcional. Assim, quando o paciente apresenta sintomas visuais associados a febre, linfonodomegalia e história de contato com gatos, o médico deve incluir Bartonella henselae entre as hipóteses.

Em pessoas imunossuprimidas, especialmente aquelas com imunodeficiência celular importante, a infecção pode assumir formas mais graves. A angiomatose bacilar representa uma dessas apresentações. Nessa condição, o paciente desenvolve lesões vasculares cutâneas ou viscerais, que podem lembrar tumores vasculares. Além disso, a peliose hepática pode ocorrer em alguns casos, com acometimento vascular do fígado e sintomas sistêmicos. Portanto, nesses pacientes, a suspeita clínica precoce tem grande importância, pois o tratamento adequado reduz complicações.

A endocardite por Bartonella merece atenção especial. Nessa apresentação, a bactéria infecta valvas cardíacas e, frequentemente, o paciente apresenta febre prolongada, perda de peso, sudorese, sopro cardíaco novo ou agravado e sinais de embolização. Além disso, a investigação pode mostrar hemoculturas negativas, porque a Bartonella cresce com dificuldade nos métodos tradicionais. Dessa maneira, casos de endocardite com cultura negativa exigem investigação dirigida, especialmente quando o paciente tem exposição epidemiológica compatível.

Diagnóstico microbiológico

O diagnóstico das infecções por Bartonella exige integração entre dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Como a bactéria cresce lentamente e requer condições específicas, a cultura convencional nem sempre confirma o quadro. Além disso, a bacteremia pode ocorrer de forma intermitente ou com baixa carga bacteriana, o que reduz a sensibilidade de alguns métodos.

Na prática, os médicos utilizam sorologia, PCR, cultura especializada e, em alguns casos, análise histopatológica para apoiar o diagnóstico. A sorologia pode ajudar bastante, principalmente quando o quadro clínico sugere doença da arranhadura do gato ou endocardite por Bartonella. Entretanto, os resultados precisam de interpretação cuidadosa, pois podem ocorrer reatividade cruzada, títulos persistentes após infecção anterior e variações conforme o método utilizado.

A PCR pode detectar DNA bacteriano em sangue, tecido valvar, linfonodo ou outros materiais clínicos. Além disso, em casos de endocardite com necessidade de cirurgia, a análise molecular do tecido valvar pode contribuir muito para confirmar a etiologia. Ainda assim, a escolha do material adequado influencia diretamente o rendimento do exame. Portanto, a comunicação entre equipe assistencial, infectologia, laboratório e patologia melhora a chance de diagnóstico correto.

Quando suspeitar de infecção por Bartonella?

O médico deve suspeitar de infecção por Bartonella quando o paciente apresenta linfonodomegalia regional após contato com gatos, especialmente se houver febre, lesão cutânea no local de inoculação ou evolução subaguda. Além disso, a suspeita deve aumentar diante de febre prolongada sem foco definido, sintomas constitucionais persistentes, alterações hepatoesplênicas, manifestações oculares sugestivas ou endocardite com hemoculturas negativas.

A história epidemiológica orienta a investigação. Por isso, perguntas sobre contato com gatos, arranhões, mordidas, presença de pulgas, exposição a piolhos corporais, condições de moradia, viagens e imunossupressão ajudam a direcionar o raciocínio. Além disso, a avaliação clínica precisa considerar diagnósticos diferenciais como tuberculose, toxoplasmose, linfomas, mononucleose infecciosa, micobacterioses atípicas, doenças autoimunes e outras causas de linfonodomegalia ou febre prolongada.

Referências bibliográficas

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