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Aneurisma de aorta abdominal: quando suspeitar e como é feito o diagnóstico

Mulher em roupa esportiva segurando o abdômen com expressão de dor, ilustração para tema Aneurisma de aorta abdominal.

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Define-se aneurisma da aorta abdominal (AAA) como dilatação permanente da aorta abdominal com diâmetro ≥ 3,0 cm, ou então como aumento superior a 50% em relação ao calibre esperado do segmento avaliado.

Em geral, ocorre na aorta infrarrenal e evolui de modo silencioso por longos períodos. Ainda assim, à medida que o aneurisma cresce, aumenta-se o risco de complicações, sobretudo ruptura, que se associa a mortalidade elevada.

Quando suspeitar de aneurisma de aorta abdominal?

Em primeiro lugar, orienta-se suspeitar de AAA em pessoas com perfil epidemiológico e fatores de risco compatíveis. Em especial, aumenta-se a probabilidade em homens com idade mais avançada, principalmente a partir de 65 anos. Além disso, reforça-se a suspeita quando existe histórico atual ou prévio de tabagismo, já que o tabaco se associa tanto ao aparecimento quanto ao crescimento do aneurisma. Ainda, hipertensão arterial, aterosclerose clinicamente manifesta (doença coronariana, carotídea ou arterial periférica), dislipidemia e história familiar de AAA também elevam o risco.

Por outro lado, em mulheres a prevalência costuma ser menor; entretanto, quando o aneurisma ocorre, observa-se maior risco de ruptura para diâmetros semelhantes. Assim, recomenda-se atenção especial em mulheres com tabagismo, história familiar positiva ou doença aterosclerótica relevante. Da mesma forma, deve-se considerar AAA em presença de aneurismas em outros territórios (por exemplo, aorta torácica ou artérias ilíacas), pois podem coexistir dilatações em segmentos diferentes.

Além do risco basal, a suspeita também surge por meio do contexto clínico. Assim, diante de dor abdominal, lombar ou em flancos sem causa clara, sobretudo em indivíduos mais velhos e com fatores de risco, orienta-se incluir AAA no diagnóstico diferencial. Ademais, quando ocorre instabilidade hemodinâmica associada a dor abdominal/lombar, deve-se considerar ruptura como hipótese de alta prioridade, especialmente porque atrasos diagnósticos pioram prognóstico.

Na imagem abaixo observa-se a anatomia da aorta abdominal:

Fonte: UpToDate, 2026.

Manifestações clínicas

Na prática clínica, o AAA aparece de três maneiras principais: assintomático e incidental, sintomático sem ruptura e roto. Portanto, para suspeitar no momento adequado, convém reconhecer as características de cada apresentação.

Aneurisma da aorta abdominal assintomático

Na maior parte dos casos, não se relatam sintomas. Assim, detecta-se o aneurisma incidentalmente em ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) solicitadas por outros motivos. Além disso, pode-se identificar massa abdominal pulsátil no exame físico, embora a sensibilidade varie conforme biotipo e tamanho do aneurisma.

Por exemplo, em pessoas obesas ou com abdome muito tenso, a palpação perde acurácia; ainda assim, quando se percebe massa pulsátil expansível em região peri-umbilical, recomenda-se confirmar por imagem.

AAA sintomático sem ruptura

Embora muitos permaneçam assintomáticos, podem surgir sintomas quando o aneurisma expande, inflama, trombosa ou comprime estruturas vizinhas. Em geral, ocorre dor abdominal profunda, contínua, mal localizada, ou dor lombar persistente. Além disso, pode existir sensação de pulsação abdominal. Em alguns casos, observam-se manifestações atípicas por compressão ou irritação local, como desconforto em flancos, dor irradiada para virilha ou sintomas urinários/gestrointestinais inespecíficos.

Ainda, quando se desenvolve dor nova ou progressiva em paciente com AAA conhecido, deve-se presumir possibilidade de expansão acelerada, fissuração contida ou iminência de ruptura. Portanto, orienta-se avaliação urgente com imagem, mesmo que sinais vitais permaneçam estáveis.

AAA roto (emergência)

A ruptura do AAA configura emergência vascular. Classicamente descreve-se tríade de dor abdominal ou lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil. Entretanto, a tríade não se manifesta em todos os casos. Assim, deve-se suspeitar mesmo sem massa palpável, especialmente porque a obesidade ou a distensão abdominal podem dificultar o exame. Além disso, ruptura retroperitoneal pode gerar quadro inicialmente menos dramático, com dor importante, síncope ou queda de pressão transitória, seguida de colapso. Portanto, diante de dor abdominal/lombar aguda com sinais de choque, sobretudo em pessoas idosas e com fatores de risco, deve-se priorizar investigação imediata para AAA roto.

Abordagem diagnóstica no aneurisma de aorta abdominal

A confirmação diagnóstica do aneurisma da aorta abdominal depende de métodos de imagem. Porém, antes de escolher o exame, deve-se definir o objetivo: rastreamento/diagnóstico inicial, avaliação de sintomas, investigação de ruptura ou planejamento pré-operatório. Além disso, orienta-se considerar estabilidade hemodinâmica, disponibilidade local e necessidade de detalhes anatômicos.

De modo geral:

  • Ultrassonografia: primeira linha para rastreamento e confirmação inicial em pacientes estáveis
  • Angiotomografia (TC com contraste): melhor detalhamento anatômico, útil para sintomas, planejamento e alta suspeita de complicações; também auxilia em avaliação de ruptura quando há estabilidade para transporte e contraste
  • TC sem contraste: pode ajudar quando contraste contraindica, embora forneça menos informação vascular funcional. Um grande aneurisma de aorta abdominal (AAA) pararrenal, medindo 6 x 5,4 cm, pode ser observado na reconstrução coronal da tomografia computadorizada (A), estendendo-se e acometendo a artéria renal direita (seta). Nas imagens em corte transversal, é possível visualizar a artéria renal direita (seta em B) e a artéria renal esquerda (seta em C).
Fonte: UpToDate, 2026.
  • RM/Angio-RM: alternativa em situações selecionadas, especialmente quando se busca evitar radiação e quando o contexto permite.

Ultrassonografia abdominal

A ultrassonografia abdominal representa o método preferencial para rastreamento e diagnóstico inicial em pacientes estáveis. Além de ser amplamente disponível, não utiliza radiação e fornece alta acurácia para aneurismas infrarrenais.

Medições recomendadas

Orienta-se medir o diâmetro máximo da aorta no plano anteroposterior, preferencialmente de borda externa a borda externa (outer-to-outer), pois essa padronização facilita seguimento longitudinal. Além disso, recomenda-se registrar o maior diâmetro obtido em qualquer plano, já que o aneurisma pode ter morfologia elíptica.

Do mesmo modo, convém documentar extensão aproximada, presença de trombo mural e envolvimento de artérias ilíacas quando visível.

Limitações

Apesar da alta sensibilidade, a ultrassonografia perde qualidade em obesidade importante, meteorismo acentuado e pós-operatório abdominal recente. Portanto, quando houver janela acústica inadequada ou discordância clínica relevante, orienta-se avançar para TC.

Tomografia computadorizada

A TC, especialmente a angiotomografia (CTA), oferece detalhamento anatômico superior e, por isso, torna-se central em cenários específicos. Em primeiro lugar, recomenda-se TC quando existe AAA sintomático, porque se necessita avaliar complicações e anatomia com precisão. Em segundo lugar, orienta-se TC para planejamento de reparo endovascular (EVAR) ou cirurgia aberta, pois se deve caracterizar colo proximal, relação com artérias renais, diâmetros, extensão e tortuosidade ilíaca.

Principais informações anatômicas na CTA

  • Diâmetro máximo do aneurisma (com técnica padronizada e reprodutível)
  • Localização (infrarrenal, justa-renal, suprarrenal)
  • Comprimento e angulação do colo proximal
  • Envolvimento de artérias ilíacas comuns/internas
  • Presença e distribuição de trombo mural e calcificações
  • Sinais de instabilidade (por exemplo, fissuração contida, hematoma retroperitoneal)

Além disso, em suspeita de ruptura com estabilidade relativa, a CTA fornece diagnóstico e auxilia na decisão terapêutica. Por outro lado, quando a instabilidade impede transporte ou quando a prioridade recai na ressuscitação, deve-se preferir ultrassonografia à beira-leito como teste rápido de confirmação.

Exame físico e laboratorial no aneurisma de aorta abdominal

O exame físico pode sugerir AAA, sobretudo quando se palpa massa pulsátil expansível. Entretanto, não se deve excluir AAA com base em palpação normal, já que a sensibilidade varia com tamanho do aneurisma e com o biotipo. Portanto, orienta-se usar o exame físico como gatilho para investigação, e não como ferramenta de exclusão.

Quanto ao laboratório, não existe biomarcador específico para AAA. Ainda assim, em suspeita de ruptura, recomenda-se colher hemograma, coagulograma, tipagem sanguínea e provas de compatibilidade, além de lactato e função renal conforme contexto. Contudo, esses exames não estabelecem diagnóstico; em vez disso, eles orientam suporte e preparo terapêutico.

Diagnóstico diferencial: como evitar erro em cenários comuns

Como dor abdominal e lombar surgem com múltiplas causas, deve-se estruturar diagnóstico diferencial. Assim, em dor lombar intensa com colapso hemodinâmico, incluem-se cólica renal complicada, dissecção aórtica, hemorragia gastrointestinal maciça, sepse grave e pancreatite fulminante. Entretanto, em indivíduos com fatores de risco e apresentação típica, deve-se priorizar AAA roto pela letalidade e pelo benefício de intervenção rápida.

Além disso, sintomas abdominais inespecíficos em idosos frequentemente levam a hipóteses gastrointestinais. Portanto, orienta-se manter suspeita de AAA, sobretudo quando coexistem tabagismo, doença aterosclerótica e massa pulsátil.

Diagnóstico em assintomáticos: rastreamento e detecção precoce

Como o AAA frequentemente se mantém silencioso, o diagnóstico depende de rastreamento em grupos de risco. Assim, orienta-se rastrear indivíduos conforme perfil de risco, especialmente homens mais velhos com histórico de tabagismo. Além disso, a história familiar de AAA em parentes de primeiro grau aumenta a indicação de avaliação. Nesses contextos, recomenda-se ultrassonografia como teste inicial, por custo-efetividade e alta acurácia.

Após detectar aneurisma, deve-se classificar por diâmetro e estabelecer plano de seguimento. Em geral, aneurismas menores crescem lentamente; ainda assim, o risco de ruptura aumenta com o diâmetro e com a velocidade de expansão. Portanto, orienta-se monitorar com intervalos proporcionais ao tamanho, e também intensificar avaliação quando ocorrer aceleração do crescimento ou surgirem sintomas.

Como concluir o diagnóstico na prática: um fluxo objetivo

Para tornar a conduta reprodutível, pode-se organizar um fluxo clínico:

  1. Identificação de risco: idade avançada, tabagismo, doença aterosclerótica, história familiar
  2. Reconhecimento de apresentação: assintomático/incidental, sintomático (dor abdominal/lombar), ou suspeita de ruptura (dor súbita + instabilidade)
  3. Escolha do exame:
    • Estável e rastreio/primeira avaliação → ultrassonografia
    • Sintomas, necessidade anatômica detalhada, planejamento terapêutico → CTA
    • Instável com alta suspeita de ruptura → ultrassonografia à beira-leito; além disso, quando estabilidade permitir, CTA complementa
  4. Documentação padronizada: diâmetro máximo (preferencialmente outer-to-outer), localização, extensão e envolvimento ilíaco
  5. Reavaliação dinâmica: surgimento de dor nova, aumento rápido do diâmetro ou sinais de complicação → reclassificação imediata e imagem urgente.

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Referências bibliográficas

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